M. Guimarães da Rocha (Ed. 712)

Crónica

Carta aberta ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul

Procurei sempre falar claro sobre todos os assuntos, especialmente sobre aqueles que mais me empolgam. Isto por uma questão de princípio, e por uma questão de obrigação para com a minha própria pessoa.

Mas de matéria de política local, ou entendida como tal, evito falar, dado estar longe, e como tal afastado das querelas partidárias locais, sujeitas a multifacetadas influências, e por sua vez aliadas à atitude mental dos Portugueses que tudo poem em causa.

E este pensamento afasta-me muitas vezes da “imprensa e de outros meios de comunicação “evitando a agressividade dos mesmos assente, quase sempre, em premissas sensacionalistas e não poucas vezes em inverdades, como se diz atualmente.

Claro que não deixo de passar os olhos pela vasta informação e desinformação que inundam os jornais e me deixam estupefacto. Mas isso são contas de outro rosário, que o tempo vai comer com a exposição da sua realidade.

Esta deambulação ocorreu a propósito do que no Verão passado escrevi sobre os incêndios em São Pedro do Sul.

Certamente os meus prováveis leitores entenderam-me bem, e como tal vamos então ao assunto que aqui nos traz: OS FOGOS FLORESTAIS DO VERÃO PASSADO. Talvez pareça a muitos que ainda é cedo para falar em fogos florestais, mas todos nós temos obrigação de seguir os concelhos dos peritos…e um dos nossos maiores especialistas nesta “patologia nacional” afirmou variadas vezes que: – “os fogos florestais resolvem-se no Inverno, e não no Verão”.

Vamos então, começar por recordar a todos o “Inferno do Verão Passado”. Parece o título de um filme, mas é antes a previsível evolução de uma patologia que tem que ser tratada atempadamente, para evitar a sua evolução para a “neoplasia maligna”.

Todos nós sabemos o que sucedeu, muito especialmente aqueles a quem a desgraça bateu à porta, devastando o trabalho de muitos anos, ameaçando a sua habitação, e obrigando a esforços incomensuráveis, verdadeiramente desumanos, para conter o incandescente monstro que tudo devasta.

Devasta a Flora, a Fauna, e expulsa os Homens do seu habitat, conquistado através de gerações de esforços inauditos. Em suma leva rapidamente um local, seja ele qual for à “DESERTIFICAÇÃO”.

– Foi esta visão do “Caos” que o Senhor Presidente da Câmara municipal de São Pedro do Sul, anteviu ao observar a ineficácia de resultados da atuação do comando dos incêndios no verão passado.

– Foi esta visão que o obrigou a mobilizar todos os meios ao seu alcance para evitar o pior.

– Foi esta visão da realidade que em consciência o obrigou a levantar a voz e a “dar dois murros em cima da situação podre” que parecia querer instalar-se.

– Foi esta consciencialização do perigo que se começava a instalar no seu Concelho, que o catapultou para um grito de auxílio, que parecia não querer chegar.

– Foi este GRITO DE REVOLTA contra a desgraça, que se anunciava, que chegou ao ouvido de todos os Portugueses.

Foi este grito que bateu fundo na “Consciência Política Nacional”, e explica a presença no local dos principais representantes da Nação, incluindo o Senhor Presidente da República!

Em resumo Senhor Presidente da Câmara, foi o ser autêntico, o “não ser politicamente correto”, como se diz por aí, que fez ouvir a sua voz em todo o País.

E hoje à distancia dos dias, parece que tudo foi muito simples, pois bastou-lhe ser autentico e levantar a voz com a sua verdade que afinal era a verdade de todos!

E todos lhe ficamos muito gratos porque o entendemos, porque falou verdade, e mais uma vez demonstrou que só a verdade é revolucionária.

Pela parte que me toca como “Sampedrense dos quatro costados” separado da sua terra-mãe, volto a repetir publicamente o meu bem-haja.

Mas a minha memória recorda-me o que foi dito (não me recordo por quem , mas sei que foi alto responsável) que poucos dias depois afirmou:-“ANTES DO FIM DO ANO TEREMOS UM  PLANO NACIONA, EFICAZ PARA O COMBATE A ESTE FLAGELO NACIONAL.”

Certamente não foi com estas palavras, mas a intensão, ou certeza, era esta.

Por isso faço a seguinte e ingénua pergunta: – ESTE PLANO JÁ EXISTE? Onde se pode consultar?

Acreditem que não é provocação, mas desconhecimento total do que se está a passar. Eu, como Português, na posse de todos os meus direitos Constitucionais, (Seja lá isso o que for), quero saber o que se está a fazer neste sentido, e por tal peço que me digam onde consultar o articulado que certamente já existe já foi aprovado, na  Assembleia da República, ou noutro local com idêntica autoridade.

É que eu sou daqueles Sampedrenses que ficaram com grande admiração pela atuação do Senhor Presidente da Câmara, Sr. Victor Figueiredo, no Verão passado.

O Senhor Presidente, Victor Figueiredo, ganhou honras, adquiriu direitos, de admiração e respeito de muita gente do Concelho e não só. GANHOU-AS POR MÉRITO PRÓPRIO, dada a forma como atuou na desgraça, e na desgraça é que se conhecem os amigos, como diz o Povo.

Mas os “Direitos” trazem no mesmo embrulho “das honrarias” outra palavra associada:-Obrigações.

Por isso me atrevo a fazer-lhe a mesma pergunta:-O que é que está planeado para o nosso Concelho pela Câmara Municipal, no que respeita aos incêndios?

Atrevo-me, até a lembrar, que a Câmara Municipal de Arouca, em plena crise de incêndios, numa visão global dos prejuízos sofridos, fez afirmações cujo valor era de 150 milhões de Euros, senão estou em erro.

E nós como vamos de valores estimados dos prejuízos?

Decerto, que nada escapou ao vosso estudo de pormenor, quer no que respeita a valores envolvidos, quer no que respeita a atitudes necessárias à ajuda para fixação do homem à terra, que os viu nascer.

Toda a minha vida ouvi falar de plano com “aceiros” (que eu não sei bem o que seja!), pontos de água, para combate aos incêndios e um manancial de atitudes a tomar para os evitar. Contudo, estes elaborados planos, concebidos em gabinetes superespecializados, não têm trazido resultados palpáveis, visíveis pelo comum dos cidadãos! Na verdade, não têm tido benefícios visíveis aos olhos do cidadão comum.

Na perspectiva optimista de que tudo está estudado, dentro das limitações que as complexidades dos problemas impõem, atrevo-me a pedir que os divulguem pois podem ser exemplo para um País cuja cultura assenta mais no “desenrasca” do que num estudo pausado que vai levar anos a executar, mas que é urgente iniciar. Nós somos mais do tipo “para já e em força” do que “para já após estudo apurado”. Necessitamos de um plano bem estruturado para executar progressivamente durante anos e sempre adaptável a modificações necessárias que forçosamente irão surgindo. Será sempre um plano Incomensurável e Hercúleo, mas que tem que ser organizado e apoiado pela grande maioria. Acarreta legislação forçosamente complexa, mas que tem que ser simultaneamente de fácil execução, sem ferir o interesse dos proprietários. Como se sabe a maior parte da floresta é privada e muita está abandonada!

Como se vê esta solução, ou outra qualquer, acarreta complicações demoníacas, sendo necessário ouvir especialistas com conhecimento pratico da situação. Certamente que teremos atualmente em Lafões, muitos técnicos especialistas do sector agrícola, do direito, da economia, das finanças, etc., bem entrosados nos assuntos. Seria bom ouvi-los e atender aos seus conselhos, e meditar sobre a exequibilidade das propostas por eles formuladas.

Pretendo, com isto, chamar a atenção, para a urgência do problema, porque daqui a três ou quatro meses, os fogos estão aí de novo, se não se fizer nada, e por muito que se faça, neste momento, só podem ser atitudes minimizadoras que caminhem para um futuro com menos incêndios, baseados num plano pré-estabelecido.

Vamos a isto senhor Presidente, dê outro murro na situação, atire-lhes com a verdade, pois parece que só assim é que as coisas andam.

O Povo está à espera dessa atitude, e estou seguro que o apoia totalmente, seja qual for o impacto dessa “murraça”!

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