M. Guimarães da Rocha (Ed. 698)

Prometo que não vou falar sobre a situação na Grécia

Prometo que não vou falar sobre a situação na Grécia

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Prometo-vos que não vou falar da Grécia, esse pequeno País berço da “Civilização Ocidental”, coisa tão grandiosa, que eu já não sei bem o que é. O que eu sei é que o seu Povo actual está “sofrendo no pelo” as sobras dessa civilização e, já há demasiado tempo que vemos a fome instituída em Atenas, encoberta por muitas variantes da “Santa Casa da Misericórdia” local.

Instalaram no “Poder“ uma respeitável organização de extrema-esquerda, revolucionária, democrática, plena de novos conceitos filosóficos e, assente em base filosóficas pouco separadas dos extremos importados da Rússia próxima. Tem sido um “Idealismo lindo”, que a avaliar pelos resultados do referendo terá penetrado bem na Alma Ateniense.

Mas eu prometi que não ia dialogar sobre a Grécia actual, nem sobre a antiga, pois tenho plena consciência da minha grande ignorância e procuro fugir ao assunto a sete pés. Claro que não me posso desligar dos noticiários da televisão que mostram diariamente o que por lá se passa. Claro que me custa a compreender que a situação económica e financeira tenha chegado aqueles extremos. Será que era necessário deixar cair tudo daquela forma impensável, direi mesmo vergonhosa?! Inadmissível.

E lembrar-me eu, que este País recebe a maioria dos refugiados do Norte de África, que tentam fugir às bárbaras e primitivas guerras que outros Países, produtores de armamento, directa ou indirectamente, sob um pretexto de orientações religiosas/políticas provocam em África!

E lembrar-me eu que nesses países, com o mesmo pretexto pretensamente religioso, odiosamente se procuram apagar vestígios que outros deixaram na sua breve passagem sobre a terra. Vestígios reveladores de grandes civilizações, que nos antecederam e que deviam ser faróis de meditação positiva da passagem do Homem e das suas diferentes civilizações! Vestígios depois vendidos clandestinamente…no Ocidente!

E lembrar-me eu que neste momento a Marinha Grega possivelmente recolhe dezenas de refugiados que tentam escapulir à fome e à guerra que graça por todo o Norte de África, pondo em risco com aparente inconsciência, as suas vidas. Digo aparente porque eles sabem e sentem que já não têm nada mais a perder na vida, a não ser a própria vida!

E lembrar-me eu que no momento em que escrevo estas linhas se começam já a formar no centro de Atenas, cidade em paz e espelho do Ocidente, filas com muitos Atenienses, que esperam por um pedaço de pão e uma sopa !

E lembrar-me eu que a Grécia actual importa anualmente em bens essenciais, com valor superior a mais de 60 mil milhões de Euros, nomeadamente, fármacos combustíveis e alimentos vários, sem se entender exatamente a causa deste aparente desmando!

E lembrar-me eu que os Gregos tinham das maiores frotas de pesca do Mundo aí pelos anos 90(!) e que agora está reduzida a algumas embarcações!

E lembrar-me eu que esta frota de pesca foi praticamente abatida pelos “Fundos Comunitários “que largamente vinham “das Bruxelas “! Afirmava-se que daí vinha sempre a razão indiscutível e bem estudada das coisas, assente na honestidade das melhores cabeças pensantes do Continente, instaladas numa das maiores organizações burocráticas até hoje criadas:- A União Europeia (estou a referir-me á Grécia, não a outro País)!!!

E lembrar-me eu que os Gregos produziam ainda nos anos noventa do século passado, grande parte da sua alimentação, nos seus retalhados, secos e belos campos de cultivo!

E lembrar-me eu que foram praticamente conduzidos “pela EUROPA”, por razões financeiras, ao abandono desses campos de cultura minifundiária, nos quais produziam uma boa parte da sua alimentação, mas que segundo a U.E. eram pouco ou nada rentáveis!

E lembrar-me eu que esses Gregos devem estar, na sua grande maioria em Atenas, onde atualmente vive um terço da população do País em desordenamento urbanístico visível!

E lembrar-me eu que muita indústria desapareceu ou foi vendida a estrangeiros, por razões mais ou menos idênticas, com a “mesma base racional de apoio”!

E lembrar-me eu que o Porto de Pireu, com mais de dois mil anos de existência, coração das importações e exportações deste País, começou a ser privatizado há pouco mais de dois anos e a solução final parece que vai ser a sua venda a firma Chinesa, por incapacidades de gestão!

E lembrar-me eu que a Grécia teve uma das maiores indústrias navais do Mundo, sob a batuta do senhor Onassis! Lembram-se pelo menos das suas famosas festas e de com quem casou!

E lembrar-me eu da indispensabilidade da Grécia para o Ocidente, que a geografia impunha e a política alimentava, impondo um bom exército, marinha e aviação, com algumas cedências estratégicas…que se mantêm quase de igual dimensão no momento actual!

E lembrar-me eu das guerras que os gregos, há poucos anos mantiveram com a imensa Turquia, tendo sido quase forçados a comprar vasos de guerra (penso que aos Franceses), submarinos (penso que aos Alemães) aviões (penso que aos Americanos) e armas ligeiras e pesadas não sei a quem mais!

E lembrar-me eu como a NATO (OTAN) salientava a sua indispensabilidade por razões de posição geoestratégica, durante todo o longo período da guerra fria!

E lembrar-me eu que durante todo este longo período, sempre dei nota que as governações oscilavam entre sucessivos governos, mais ou menos comprometidos do PASOK e da Nova Democracia!

E lembrar-me eu de que estes partidos foram escolhidos em eleições normais, e eram genuinamente Gregos e Democráticos, de acordo com os conceitos constitucionais em vigor!

E lembrar-me eu que estes partidos governaram democraticamente o País desde 1974, sem fugirem á legalidade constitucional e com os votos dos cidadãos gregos!

E lembrar-me eu que foi também “democraticamente que passaram a fazer parte constituinte da União Europeia, sem eleições ou consulta popular”! (Penso que foi assim, e que outros Países seguiram o mesmo caminho.)

E lembrar-me eu que foi também sob o manto diáfano da democracia que começaram a fazer parte dos países do Euro, uma meta final indispensável á criação da verdadeira Europa!

E lembrar-me eu que durante este longo período…tantas e tantas coisas mais aconteceram!…e que no final os Gregos estão falidas!

Não creio nas balelas postas diariamente a circular que os Gregos são todos aldrabões e não gostam de trabalhar, etc. Basta de intrigas baratas vendidas nos ”jornais e nas Internetes” de origem mais que duvidosa. São um povo antigo, civilizado com as virtudes e os defeitos de todos os outros povos do chamado Ocidente! Fico sob Stress quando se pretende reduzir tudo a um “defeito genético social”, cientificamente ainda não descoberto, sob o pretexto de tentar explicar esta situação actual. A crise é grave e as cabeças pensantes desta Europa Moderna estão em Bruxelas a tentar resolver a situação criada. Nem tudo se explica porque os “Gregos são desonestos”?!

Mas mais um terceiro resgate e o valor da dívida dispara para cerca de 300 mil milhões de euros!.. E o GREXIT quanto vai custar? O que vai provocar? Mesmo que tudo corra ao sabor dos ventos quando é que os gregos vão poder pagar a dívida?.. E a quem?!

E aí é que a “porca torce o rabo”, pois todos intimamente sabem, que isto de criar uma “Europa de Tecnocratas” e á medida das suas teorias mentalmente estudadas e validadas, assentes em ricas e humanizadas retóricas, foge á realidade duma “Europa das Pátrias”! É que esta renovou o Mundo, até á poucos anos, e a mudança, vai trazer muitos engulhos, ao abanar os contrafortes de todas as construções capitalistas existentes.

Estamos numa fase de profundas mudanças, assente na tecnocracia pura e dura, onde os problemas se vão resolvendo á medida que vão aparecendo. Vão “empurrando com a barriga” a inexistência da base filosófica que dá consistência á realidade, com visão dum futuro onde a mudança será a constante dominante e a visão ditatorial o perigo.

A primeira assente na evolução tecnológica que tudo altera, desde a confecção “livreira”, à criação dum mundo novo da informação, com um realismo tal, que tudo vai absorver. A realidade virtual, vai destruir a autêntica realidade, porque é sempre possível a sua repetição, em máquinas que o futuro trará, onde a verdade vai ser servida com acesso a todos os cinco sentidos, tornando incapaz a dúvida metódica, por embotamento das células cerebrais humanas. Este vai ser um prato a ser servido aos tecnocratas, que o vão utilizar e sempre com a melhor das intensões.

A segunda preocupação será o prazer e a vontade discriminatória aparente, sempre sob a alçada, quase oculta, de alguém que orienta, pois tecnologia sem orientação, não existe, e mudança real impõem pensamento unificado, que terá sempre um rosto, mais ou menos oculto, agora no manto diáfano da realidade, que a tecnologia está a construir.

Mas deixemos isso, antes que pensem que eu tenho família Grega ou seja filiado no SYRIZA.

Pensem, isso sim que isto “É POLÍTICA MESMO”, política cozinhada por tecnocratas …sabedores!

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Redação Gazeta da Beira