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Entrevista

“Voltar a casa faz-nos sempre sentir bem, de uma forma que nós não sabemos explicar”

 Por estes dias, Pedro Giestas regressou a Lafões, o motivo é um novo projeto que abraçou na Jovouga. A Gazeta da Beira apanhou Pedro Giestas num desses ensaios e esteve à conversa com o ator. O novo espetáculo da Jovouga, o teatro amador, o regresso a Lafões e os projetos que tem em mãos são temas em destaque nesta entrevista.

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Gazeta da Beira (GB) – Este novo projeto com a Jovouga permitiu-lhe regressar a Vouzela e à região de Lafões. Como é regressar a casa?

Pedro Giestas (PG) – É sempre bom. As nossas casas, realmente, são os nossos ninhos. Voltar à origem, para mim, é sempre recentrar, por mais perdido que eu ande. Não me resolve os problemas, mas faz-me reencontrar comigo próprio. Isto parece um bocado poético, mas não é. Toda a gente tem essa sensação. Voltar ao sítio, voltar ao lugar do conforto e poder reentrar na vibração da nossa origem é sempre muito bom, faz-nos sentir bem, de uma forma que nós não sabemos explicar.

GB- Tem trabalhado, nos últimos fins-de-semana, intensamente, com o Grupo de Teatro da Jovouga. Para já, faz um balanço positivo?

PG-Sim, sempre! O que é importante é a disponibilidade de quem me quer receber. Eu já passei por alguns grupos que não queriam receber nada. Achavam que já sabiam tudo. Quando eu não quero aprender, não aprendo nada. Posso até ter o maior mestre à minha frente, se eu não estiver disponível para receber, não tem graça nenhuma e podemos dispensar os mestres. Agora, se queremos aprender, se estamos disponíveis, então a evolução é muito rápida. Foi o que aconteceu aqui na Jovouga. Nós de repente, em quinze dias, montamos um espetáculo. Mais quinze dias para ao atores decorarem o texto podia-se, praticamente, estrear o espetáculo.

GB- Em janeiro a Jovouga vai estrear o espetáculo no Centro de Artes e Espetáculos de Sever do Vouga. Para já, ainda só se conhece o nome: “Uma família dos diachos”. Pedro, o que é que o público pode esperar desta peça?

PG-Eu considero que se conseguiu criar uma nova dinâmica no grupo. As expectativas são muito grandes, vamos ter, agora, um período de amadurecimento, de apropriação do texto e das personagens em que o grupo tem que, realmente, decorar bem o texto, perceber bem todas as ideias que foram aqui encontradas e expostas. Penso que em janeiro as pessoas vão ter uma agradável surpresa e vão perceber que tipo de salto é que o grupo deu.

GB- O Teatro Amador sempre fez parte da sua carreira?

PG- Eu nasci no teatro amador, sempre fiz teatro amador. Houve um longo período que não tive esse contacto e depois, mais tarde, voltei a trabalhar com amadores. Com colegas de teatro, em espetáculos que havia amadores e profissionais, como ensaiador de grupos amadores… Ciclicamente foi tendo grupos em Vouzela, neste momento, tenho um grupo há dois anos em Palmela e agora este grupo aqui, na Jovouga. Durante muitos anos, Sempre tive contacto, num projeto em Póvoa de Lanhoso, nos últimos três anos em Fafe.

Este ambiente, ao contrário do que às vezes se pode imaginar apreende-se muito. Também se dá muito, mas também se apreende muito. Aquela pureza e ingenuidade do amador na sua abordagem ao teatro é rejuvenescedora para um profissional que tem tendência a cristalizar que acha sempre que os seus conceitos são invencíveis… Então, de repente, quando encontramos estas pessoas mais espontâneas, na sua abordagem, acabamos por aprender muito!

GB- Finalmente, neste momento, quais são os principais projetos que está a desenvolver? Sabemos que tem muito trabalho…

PG-Felizmente tenho tido muito trabalho. Eu tenho tido estes projetos fora de Lisboa. Continuo muito próximo do projeto Fafe- Cidade das Artes, montamos um espetáculo em maio que repusemos, agora, em outubro. Em janeiro, iremos para o Brasil com esse mesmo espetáculo. Estive, também, com um espetáculo na Companhia de Atores, no teatro Amélia Rey Colaço, com grande sucesso, chama-se: “As novas diretrizes em tempo de paz”. Recentemente, durante quinze dias, repus “A Visita” que é um espetáculo que eu faço já há alguns anos. Vamos estrear uma comédia em novembro que estará em cena até ao Natal. Para além disso, estou a desenvolver uma Oficina de Teatro, também no Rey Colaço e dou aulas de interpretação numa escola. É muito trabalho!

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