M. Guimarães da Rocha (Ed. 684)

Ela aí está, plena de força, em flor, mostrando toda a sua plenitude…A DEMOCRACIA

 

Ed683_DrGR--MESAVOTOComo eu gosto de a ver cheia de vida e saúde, penetrando diariamente no meu quotidiano, relembrando os meus direitos, os meus deveres, as minhas obrigações, para que ela se possa manter viva na plenitude da sua essência. É um refrescar de vida, o pulular de ideias aparentemente contrárias, ou contraditórias, que vivem lada a lado entrecruzando-se civilizadamente sem se entrechocarem. É a aceitação dos contrários e dos contraditórios, em discussão cheia, viva, duma plenitude total, onde todos têm que viver com as “velhas regras da confiança e aceitação dos opostos” para ser plena. É A VIVENCIA DEMOCRÁTICA EM TOTAL FLORAÇÃO.

São as eleições aí à porta, onde todos os Partidos Políticos procuram demonstrar as excelsas virtudes das suas ideias, velhas ou novas, no seu entender sempre as únicas, capazes de salvar o País do caos onde caiu, mesmo que esse caos seja a ”Europa ou a América”, onde a virtude da lei dos contrastes tem trazidos verdadeiros progressos à humanidade.

E são em verdadeiros festivais de cor e imaginação que todas estas ideias procuram e tentam romper para uma difusão total, às vezes um pouco ruidosas!

Com escaramuças linguísticas, jornalísticas e outras, mas já sem imposições e muito menos com agressividades que ultrapassam as palavras e ideias, para caírem na ”JUSTIÇA DE CARVALHAIS”!

Na minha idade é uma sensação indiscritível de bem-estar e contentamento, pelas regras de liberdade a que já chegamos, que traz a paz democrática e que corta veleidades totalitárias.

É que eu vivi ainda na “maravilhosa e temperada ditadura Salazarista”, forjada e implantada antes da segunda guerra mundial, por “cegos e surdos”, escondidos sempre atrás dum diploma legal, e protegidos por um sistema policial, que se recusaram a ver a marcha inexorável da evolução humana, e nos conduziram á guerra colonial que hoje todos procuram escamotear!

Mas isso são águas passadas e a sua evocação só servem para justificar o meu contentamento por uma vivência em DEMOCRACIA PLENA em pleno período eleitoral. É que eu sou um dos  “um milhão de soldados que andaram nessa Guerra Colonial”!

Gosto de observar os Partidos políticos nas suas tácticas e tentativas de vender as suas ideias:-

A “extrema-esquerda” revolucionária no seu léxico, aceita as regras sem pretender uma revolução armada, a não ser nas ideias e na fraseologia, convictos numa aderência total às mesmas, pela grande maioria dos nacionais. E tem sido um prazer velos defender em bases teóricas, lindas de morrer as suas ideias altruístas, belas e entusiasmantes. Não imaginam o deleite que para mim foi a discussão na Assembleia da República, do caso do Banco Espirito Santo! Cortaram a crista do petulante DDT (Dono Disto Tido), disso não há dúvida. Mariana Mortágua cortou cerce todas as veleidades de defesa, se é que existiam, com a pureza dos seus tenros anos e a segurança das suas bem estudadas ideias. Estudou bem a lição, e foi uma “catedrática nas intervenções”! Escutando na T.V. um amigo meu só dizia “TOMA E EMBRULHA”…e agora já está no domicilio, guardado , penso que sem pulseira, com se faz aos cães. Quem diria!

É pena que dum Bloco se tenham pulverizado em partidos demasiados pequenos para serem ouvidos! Podem definhar com a dispersão e é de lamentar, pois são uma voz crítica que faz muita falta na Assembleia.

O P.C.P. hierarquizado, rígido, tem mantido a verticalidade a que já nos habituou, defendendo Marx e Lenine, tendo esquecido muito, talvez com alguma tristeza, os fulgores totalitários da URSS e da China de Mao-Tze-Tung, do Vietnam de Ho Chi Min e de Cuba dos irmãos Castro…

A evolução das teorias base, sofreram algumas mutações evolutivas, durante mais de cem anos, mas não têm feito perder o entusiasmo eleitoral, dos que as defendem com toda a força das suas almas, convictos na sua difusão e procurando a vitória que lhes tem sub-repticiamente escapado.

É uma luta entusiástica, exuberante e muito honesta, que assenta na difusão das suas teorias políticas capazes de conduzir um Pais ideal à plenitude integrante de toda a teoria, assente em bases de aderência voluntaria e pacífica, que infelizmente não foi o apanágio de certos Países.

Mas é um prazer vê-los a difundir as suas ideias, desde a Festa do Avante aos comícios distribuídos por todo o país. São impecáveis nas suas organizações e a Festa do Avante tem sido um chamariz para todos, seja qual for o seu quadrante político.(Este ano tivemos “chatices” inexplicáveis e inesperadas)

O P. S., agora na oposição e com a espada de Démocles pairando por todo o lado, procura reunir forças, que são muitas, na defesa das suas posições de socialismo democrático.

Nota-se um esforço de agregação notável, assente na ideologia, como é natural, numa campanha que procura estender a todo o País, em comícios, reuniões e entrevistas polemizantes, na rádio e televisão.

O seu chefe partidário tem esbanjado o seu prestígio, com todo o esforço e muita imaginação, em todos os meios de comunicação. Tem a palavra fácil do jurista, ideias assentes, ambições bem definidas e muito entusiasmo e capacidade de trabalho. Parece que pela primeira vez em Portugal se vai ver a penetração da Internet na política, sob a batuta do Presidente do Partido. Vamos ver os resultados, mas penso que o futuro da propaganda com reais efeitos está aí, na Internet e seus variados programas.

A sua “pesada herança “ pode tirar-lhe alguma credibilidade, pois os nacionais dificilmente esquecem quem foi “Ministro de Sócrates”. Contudo, ninguém lhe aponta a mínima colaboração nas atitudes e factos que conduziram ao descalabro, e a sua imagem está impoluta.

O P.S.D. concorre de” braço dado” com o C.D.S. Pela primeira vez juntaram as forças para defenderem a suas posições políticas que no meu entender, teoricamente parecem quase divergentes.

É a junção da Social-Democracia com a Democracia Cristã, que se antecipa às eleições legislativas este ano pela primeira vez. Têm governado nestes últimos quatro anos com imensas dificuldades herdadas, que os forçaram a tomar atitudes assentes em legislações bem dolorosas, para todos os Portugueses.

Foram imposições “TroiKianas” que obrigaram a sacrifícios imensos e á venda de Empresas, possivelmente em situações de deficit monetário, que não deram “larguesa” a vendas bem negociadas e bem ponderadas.

Foram descalabros Bancários inconcebíveis, e outras situações duvidosas, que vão certamente conduzir à prisão de muitos culpados e que culminaram com a prisão preventiva há vários meses do próprio ex-primeiro-ministro!

Apresentam-se a eleições, debaixo da carga de todas estas acções, com a coragem de quem “cortou a direito” e com o ónus resultante dessa mesma atitude.

Mas será que tinham outras possibilidades? E é sobre esta dúvida metódica, que muitos se debruçam nos seus raciocínios e constatações diárias.

Há um facto que é de fazer notar:- A coragem e persistência do Governo, a que modernamente se chama “Resiliência”, e isto contou muito para a situação actual!

Como sabem em Portugal não existe Extrema-Direita e diz a maioria, que “não faz falta nenhuma”. Não tenho capacidade política para corroborar ou contrariar tal afirmação, mas há uma coisa que eu sei, é que ela existe e não é controlada, o que não me parece o mais recomendável.

Como acabámos de ver pelo grosso do cortejo partidário, a democracia está em forma e, duma maneira geral impõe a legalidade, e com total normalidade e aceitação, apesar das lacunas que todos apontam à Constituição, e isto é uma maravilha, para um país que só há quarenta anos é que vive em liberdade!

Termino com um “apelo ao voto de todos os Portugueses” estejam onde estiverem, para que todos continuemos a viver em democracia.Redação Gazeta da Beira