M. Guimarães da Rocha (Ed. 705)

OS FOGOS EM SÃO PEDRO DO SUL –2016

OS FOGOS EM SÃO PEDRO DO SUL –2016

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“Os incêndios em São Pedro do Sul, com origem em Arouca, têm nesta noite vários quilómetros de frente”.

– O PRESIDENTE DA CÂMARA, Victor Figueiredo olhando em seu redor, só via fogo e destruição por todo o lado. Em minutos tudo desparecia, tudo ardia. Os valores económicos, que eram o fruto das poupanças e investimentos de gerações, os valores tradicionais e culturais, que eram as heranças ancestrais, que só o tempo ou as evoluções sociais poderiam ir alterando, morriam consumidos pelas chamas. Todos os valores reais, que são os substratos do património de um “Povo” desapareciam consumidas pelo fogo. O Presidente da Câmara viu, e sentiu como ninguém, o aguilhão da desgraça com o fogo a forçar a passagem para a destruição total.

E numa atitude de coragem, recusou baixar os braços, e com a “prata da casa”, que pouco deveria ultrapassar os cento e cinquenta bombeiros, funcionários e voluntários, encetou uma luta desigual contra dezasseis quilómetros de frente de fogo, pois as circunstâncias impunham toda a rapidez de acção.

Sabia que necessitava de grandes apoios, com toda a urgência, e deitando fora a sobrecarga ideológica que a hierarquia política poderia impor, gritou bem alto a sua necessidade urgente de auxílio que teimava em não chegar.

Sentiu que o “doente” ia morrer, sabendo-se bem o diagnóstico e a terapêutica necessária para o impedir. Ia “morrer na praia”, e com a terapêutica preparada, pronta a utilizar ali mesmo ao lado…E os meios de comunicação relatavam constantemente a mesma desgraça que atacava os vizinhos do lado, ali em Arouca.

Será que alguém poderia admitir que a divisória Administrativa, entre Arouca e São Pedro do Sul seria suficiente para conter o fogo?!

Era necessário tomar medidas muito urgentes…mas o Comando Operacional, sediado no distrito de Aveiro não ouvia os apelos desesperados dos sampedrenses!

Dada a continuidade e a densidade da arborização que une ambos os concelhos, era uma “desgraça anunciada. Uma calamidade, que se iria abater sobre São Pedro do Sul “.

Compreendo e aplaudo a recção do Senhor Presidente da Câmara, que anteviu a desgraça, na medida em que conhecia bem o terreno e as gentes, e reagiu ao “esquecimento” das Autoridades de Protecção Civil.

…e confessa com tristeza:

– “ O fogo foi sempre pertença do distrito de Aveiro. No distrito de Viseu existiam outros incêndios. Foi numa altura em que havia imensos fogos nos dois distritos. A conclusão a que chego é que, sendo um fogo originário de Aveiro, e como São Pedro do Sul está na fronteira entre os dois distritos, houve esquecimento de ambas as partesacusou. “ O fogo deveria ser combatido a tempo e horas e isso não aconteceu.” Só na sexta-feira, quando tomou proporções gigantescas é que foi dada outra atenção”, lamentou.

O seu grito teve eco e compreensão Nacional, carimbada com a presença do senhor Presidente da República. Foi um grito sentido, de coragem e angústia, que a realidade impunha. Foi um verdadeiro grito da VERDADE, que ressaltava aos seus olhos. A VERDADE de quem tem responsabilidades, e sem meios suficientes, está a assumir, uma luta desigual.

Esse “desabafo” foi escutado em todo o Pais de tal forma, que chegou mesmo ao coração do embaixador dos USA em Portugal, que no dia em que escrevo, foi ver “in loco” as enormes sequelas deixadas pela passagem do fogo por São Pedro do Sul.

Os meios infelizmente chegaram tardiamente,…muito tardiamente para tão grande urgência. “A desgraça ultrapassou o admissível” e impôs reuniões ao mais alto nível.

Entretanto, o Sr. Primeiro-ministro afirma só ter registado até então, uma “ queixa fundamentada e sustentada sobre algo que necessita de inquérito” nos combates aos fogos de Verão: a mobilização de meios de resposta no início daquele incêndio. António Costa explicou ainda, que o problema foi suscitado por Victor Figueiredo Presidente da Câmara de São Pedro do Sul, e que foi na sequência dessa queixa que o “ Ministério da Administração Interna levantou um Inquérito”, para apurar o que é que correu mal!

Efectivamente, esclarece o Presidente da Câmara de S.P.S., Durante quatro dias estivemos efectivamente ali esquecidos. Pedi para que abrissem o inquérito e agora vamos ver quem poderá ter responsabilidades na matéria, porque o que se pretende é que aquilo que aconteceu em São Pedro do Sul, não volte a acontecer no País”.

“Contactada pelo PÚBLICO, a Autoridade Nacional da Protecção Civil, escusou-se a comentar estas declarações…”

Entretanto o “Presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves estimou em mais de 120 milhões de euros os prejuízos directos do incêndio…”

A periocidade deste quinzenário regionalista, não nos permite, estar em cima dos acontecimentos por muito vividos que eles tenham sido. O fenómeno dos fogos em São Pedro do Sul, dada a sua dimensão, trouxe para a ribalta Nacional a lamentável realidade. Todo o País ficou inteirado da dimensão da desgraça que os incêndios transportaram na sua inexorável marcha, quer através de reportagens televisivas, radiofónicas e jornalísticas ao nível nacional e internacional.

A fatalidade anual dos fogos obriga-nos a amadurecer as notícias e pensar nas inimagináveis consequências reais dos factos sucedidos, colocando-nos questões, para as quais não temos respostas. Questões que o Presidente, certamente já equacionou, e para as quais está certamente a tentar encontrar, com toda a urgência, soluções.

Quando este artigo sair já devemos ter estudos Camarários sobre a dimensão financeira do desastre, com cálculos de custos reais que deverão ser compensados com a maior brevidade.

Estou seguro, também, que já deve estar em elaboração final um “plano de recuperação” bem fundamentado, com a descriminação do pretendido, e a forma de o EXECUTAR COM URGENCIA. Esta calamidade, vai ser sem dúvida, o maior “factor de aceleração do despovoamento”, mas tem que ser encarada e transformada na “maior oportunidade para o repovoamento, e a melhoria de vida, e fixação á terra, dos habitantes da nossa montanha.”

Perante a sua valente “ousadia“ durante a calamidade que Vulcano impôs, e a autoridade real que forçosamente daí resultou, estou convicto que com uma boa equipa de trabalho, irá apresentar o problema a nível nacional, através da imprensa da rádio e da televisão, com base em conceitos inovadores, que irão fazer, não só uma verdadeira recuperação dos estragos, mas sobretudo apontar para uma evolução positiva e exequível, como travão á desertificação e suporte ao imparável impulso do tão sonhado desenvolvimento. Os Programas Europeus estão a necessitar da sua coragem e da imaginação de todos. (Lembro o Actual 20/20 e o programa específico para os fogos)

Há mais de quarenta anos que só ouvimos lamentações “e brilhantes reportagens durante a época de fogos “. Depois vem o Inverno, a “rentrée” política e tudo arrefece. De imediato assistimos ao silêncio que a vida impõe. A situação, não deve nem pode continuar assim!

No sentido de reverter esta situação, que de ano para ano se vem repetindo e agravando, espero que S. Pedro do Sul seja o pioneiro de uma verdadeira acção colectiva e que se estenda a todo o país, com mais força que a destruição levada a cabo pela praga incendiária.

Estou a prever uma equipa multidisciplinar, fazendo audições com todos os Presidentes das Câmaras vizinhas, “Partidos Políticos” locais, assim recolhendo todas as achegas, que vai estender a outras personalidades, e gentes de bem, que pelas Beiras abundam.

Prevejo tudo isto e muito mais, pois seguindo os passos do nosso Presidente da República, e com a autoridade política, que as posições assumidas num tempo de desgraças, lhe conferem, ninguém vai ter coragem para recusar todo o apoio seja qual for a sua posição ideológica.

Senhor Presidente, ao abrir a sua “Caixa da Verdade “ perante o inelutável “Deus Vulcano”, em pleno mês de Agosto, de 2016, o Senhor deu origem a um processo que tem que continuar, pois tem verdadeiros créditos e razões e obrigações para tal.

Vamos á luta com coragem, estudo, e muito sacrifício e labuta, que a vitória é a Verdade que esperamos.

 

Manuel Guimarães da Rocha

LISBOA 14 DE Setembro de 2016

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