Desta vez atrasei-me
Pois foi! Este artigo deveria ter saído há algumas semanas e o meu leitor teria podido debelar o problema atempadamente. Mas vá-se lá saber e eu esqueci-me! Até hoje! Hoje, porque me entrou pela sala adentro, um freguês a falar do prejuízo que tinha nos crisântemos. Vou pois falar de crisântemos, as flores dos mortos. Esta flor cujo nome de origem grega significa “flor de ouro (chrys-dourado, a cor original +anthemon-flor)”, é cultivada há mais de 2.500 anos na China. Os padres budistas levaram-na para o Japão, onde, pela sua semelhança com o sol nascente, acabou por se tornar um dos símbolos do país, sendo o trono imperial designado como o “trono do crisântemo”. À Europa chegou no no século XVII, e tem-nos encantado desde então. Como floresce coincidindo com o dia de Todos-os-Santos e não conhecendo, nesta época, concorrência capaz, acabou por ser a flor deste dia (dia grande para floristas e hortos). O contributo do crisântemo não se fica só pelo embelezar e aromatizar cemitérios e afins. Um dos mais populares insecticidas de todos os tempos resulta de um produto extraído desta planta- as piretrinas – obtidos da trituração de flores de algumas plantas pertencentes ao género Chrysanthemum (outrora Pyrethrum) sendo um dos mais antigos inseticidas conhecidos pelo homem. Pelas suas vantagens, as piretrinas foram sintetizadas em piretróides ,sendo o ácido crisantémico o primeiro a ser sintetizado. A síntese do ácido crisantémico abriu novos caminhos para a obtenção de piretróides sintéticos, nomeadamente o tão popular “Decis”. Com efeito, os piretróides foram descobertos a partir de estudos que procuravam modificar a estrutura química das piretrinas naturais, e, uma vez que apresentavam maior capacidade letal para os insetos, maior estabilidade à luz e calor, despertaram o interesse dos cientistas sendo considerados inseticidas seguros que raramente resultam em resíduos ou intoxicação e de baixa persistência no meio ambiente, limitando a probabilidade de aparecerem resíduos tóxicos em plantas ou alimentos. O único “senão” destes inseticidas será o serem inseticidais totais: eliminam todos os insectos, benéficos (sim minha senhora, também os há!) e prejudiciais (pragas), afectando a biodiversidade, um dos pilares fundamentais da agricultura racional.

Ainda assim, pelo que me dizia o freguês que mencionei no princípio, esta fabulosa planta também sofria de uma maleita, que a tornava comercialmente imprópria. Consistia este problema numas pústulas brancas que irrompiam das folhas, levando-as a secar. Diagnosticou-se a doença designada por “ferrugem branca do crisântemo”. Esta doença causada por um fungo do grupo das “ferrugens” é frequente. O fungo é espalhado pelo vento e havendo condições favoráveis de humidade e temperatura, como as de uma estufa fechada e abafada, cheia de plantas aconchegadas umas às outras, ou as criadas pelo hábito de atar, no campo, os pés em molhos de modo a evitar que tombem, a doença instala-se e manifesta-se. Começa por uns pontinhos amarelos nas folhas, que depressa evoluem para as pústulas visíveis na foto e de seguida a planta começa a secar e no cemitério já ninguém a quer comprar (rimou!). Se quer evitar este problema: -reduza a humidade das folhas (evitando regar por cima, aumentando o espaçamento entre plantas e arejando a estufa); vá observando as plantas para detetar os primeiros sintomas (pontos amarelos) nas folhas; remova (para dentro de um saco fechado) folhas atacadas e plantas velhas ou doentes e no final da cultura remova os restos para fora do local de cultivo, queimando-os ou compostando-os; Por último e conjugando-os com as práticas enunciadas atrás, utilize de forma preventiva fungicidas (Previnem e controlam o desenvolvimento da doença, mas não a removem quando já lá está) homologados. Encontram-se autorizadas várias especialidades (produtos fitofarmacêuticos) à base de bitertanol, penconazol, triticonazol, mancozebe e zirame.
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