A Estrela-de-Natal e o seu alegre companheiro

Jorge Sofia

26/12/2013 (Ed. 645)
Texto e fotos de
• Jorge Sofia*

A Estrela-de-Natal e o seu alegre companheiro

Estamos no Natal. Nesta altura muito é o verde que nos entra porta adentro – pinheiros e afins, musgos, azevinhos e ultimamente a Estrela de Natal ou poinsétia. Esta planta é originária do México, onde é espontânea, sendo o seu nome científico Euphorbia pulcherrima, que significa “a mais bela (pulcherrima) das eufórbias”. A planta era utilizada pelos povos indígenas do México para a produção de tintas usadas tanto em cosmética como para o tingimento de tecidos. A sua seiva era utilizada também como febrífugo. Ainda hoje se utilizam as poinsétias de brácteas esbranquiçadas para a produção de cremes depilatórias.

Agric-EstrelaNatal01É uma planta muito utilizada para fins decorativos, especialmente na época do Natal, devido às suas folhas semelhantes a pétalas de flores vermelhas. Como é uma planta de dia curto, floresce exactamente no solstício de Inverno que coincide com o Natal.

Hoje não vos vou maçar com doenças das plantas que fazem mal às plantas, porque isto de ser Natal revela o Bom que há em nós.Hoje falarei de como pelo menos uma doença das plantas pode ser útil ao homem e à planta, embora involuntariamente.

Efectivamente, aquilo que muitas pessoas julgam ser flores na Estrela-de-Natal são apenas brácteas modificadas que envolvem as”pseudo-umbelas” onde estão as pequenas flores, rodeadas por uma camada de tecido verde e uma glândula amarela que nasce apenas num dos lados da flor.

Desde que a planta veio da América do sul se verificou que algumas ramificavam de forma mais livre e produziam mais brácteas daí resultando plantas mais apetecíveis para o consumidor.

A enorme procura deste tipo de plantas levou a que se tentasse a sua propagação em laboratório, através da cultura de tecidos. De uma forma muito rápida, para que nos entendamos melhor, os botânicos cedo verificaram que muitas destas plantas quando cultivadas nestas condições (que saneiam muitas das doenças que vêm com as plantas) perdiam a maravilhosa proliferação de ramos e brácteas vermelhas, levando os cientistas a desconfiar que esta característica se devia algum “passageiro desconhecido” carregado por aquelas plantas.

Foi já no final dos anos 90 do século passado que os cientistas desconfiaram da acção de um microorganismo designado por fitoplasma (digamos que é um grupo de bactérias sem parede celular e portanto sem forma específica e que têm de viver dentro de plantas vivas – multiplicam-se exclusivamente nos tecidos condutores de seiva e dependem de insectos transmissores ou vectores para a sua propagação de planta para planta) que teria o condão de desencadear o desejado efeito. Através de técnicas biomoleculares, tão em voga graças ao CSI, foram isolados os ditos fitoplasmas que agora são administrados às poinsétias tornando-as no Centro de Mesa desejado por toda a dona-de-casa atarefada. Foi bom para nós porque o menu de vegetais natalícios diversificou da couve amarela-pinheiro-azevinho para a poinsétia e foi bom para a dita porque assim lhe asseguramos continuidade e reprodução. E para o comércio mundial onde se pensa que a cultura desta planta injecta nesta época 325 milhões de dólares. Nem tudo é mau.

Tenham um Feliz Natal.

Para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos, estamos disponíveis através do correio electrónico

jorge.sofia@drapc.mamaot.pt

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro