O Escaravelho das palmeiras

28/11/2013 (Ed. 643)
• Jorge Sofia*
• Fotos: Engª. Madalena Neves (Estação dos Avisos da Bairrada)

As palmeiras sempre foram motivo de admiração. Lembro-me de em pequeno estar a espreitar por cima do muro para a casa do “brasileiro” a admirar aquele toque de exotismo agigantado espécimen único naquelas paragens onde as maiores árvores eram os pinheiros e plátanos da praça. Toda a gente se lembrava e conhecia aquela palmeira. Uma excentricidade de alguém com saudades de outras paisagens e condomínio da passarada local. Passados vinte anos, toda a gente que em pequeno associava palmeira a exotismo e as desenhava nas folhas brancas da escola com quatro riscos verdes e um castanho, decidiu adquirir esse exotismo para a sua casa. Em breve Portugal se encheu de palmeiras. Naturalmente todos os “resorts” se florestaram de palmas e quanto mais crescidas melhor! Houve que ir buscá-las onde mais e mais barato as havia, o que implicou no nosso caso trazê-las do Egipto e com elas veio um passageiro indesejado –o escaravelho vermelho da palmeira, Rhynchophorous ferrugineus. Trata-se de um insecto de grande tamanho e cor avermelhada cuja fêmea põe 200 a 300 ovos em orifícios feitos com o rostro ou em feridas, na base das folhas ou no espique das palmeiras.

As larvas nascem até 5 dias depois e atacam as partes tenras, penetrando em direcção ao interior do espique (tronco), formando galerias e cavidades. Ao fim de 3 meses a larva desloca-se para a superfície da planta para construir o casulo de onde, três semanas depois sai o adulto. Imediatamente acasala, podendo permanecer na palmeira em que se desenvolveram ou voar para outras plantas. É capaz de voar longas distâncias. Podem encontrar-se todos os estados de desenvolvimento em simultâneo numa mesma palmeira. Os sintomas da sua presença são: coroa desguarnecida de folhas jovens no topo ou com aspecto achatado pelo decaimento das folhas centrais; folhas do topo caídas com sinal de desigual inserção; orifícios e galerias na base das folhas podendo conter larvas ou casulos com pupas e/ou adultos; folíolos roídos e desiguais; presença de orifícios na zona de corte das podas e restos de fibras.

 

 

 

Têm surgido focos desta praga um pouco por todo país. Se tem palmeiras e se lhes tem um grande carinho, pretendendo portanto preservá-las, deverá proceder do seguinte modo: em Palmeiras sãs ou sem sintomas deve podar só as folhas secas evitando podas excessivas, tipo “ananás”; efectue cortes lisos e não lascados; efectuar a poda, de preferência de Novembro a Fevereiro (período de menor actividade do insecto adulto); destruir os resíduos resultantes da poda por trituração, queima ou enterramento; caso seja necessário efectuar a poda de folhas verdes, nomeadamente por questões de segurança, a superfície do corte deve ser tratada ou selada com pasta cicatrizante com acção insecticida. Se desconfia que a sua palmeira já se encontra afectada, contacte-nos para que o possamos ajudar da forma mais adequada, quer para preservar a planta. Quer para evitar que o problema se espalhe.

Para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos, estamos disponíveis através do correio electrónico

jorge.sofia@drapc.mamaot.pt

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

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