Os Balaninos

14/11/2013 (Ed. 642)

Os Balaninos

• Jorge Sofia*

Se há coisa que me aborreça é, quando, depois do trabalho de escolher aquela castanha gorda, descascá-la e retirá-la sem pele, me apercebo que vem “premiada”. Apesar das novas tendências afirmarem que os insectos e larvas são uma inesgotável fonte de proteína barata, renovável e amiga do ambiente, eu, a menos que me apanhem desprevenido ainda não me encontro preparado para degustar tal acepipe!

Hoje trago-vos um dos problemas com que nos deparamos nos vários magustos, que começam a dar sabor à época – o balanino. Trata-se de um bichinho de aspecto patusco, como se depreende da foto, devido sobretudo ao seu rostro comprido e encurvado. Rostro é o nome que os entomologistas dão à tromba que lhe prolonga a cabeça e que lhe dá o seu nome científico – Curculio elephas (de gorgulho e elefante) e que contém as suas peças bucais, servindo de guia para perfurar os tecidos vegetais. Este insecto da família dos gorgulhos surge no souto no final do Verão coincidindo com o estado óptimo das castanhas para a postura. O insecto adulto alimenta-se durante uma semana após o que a fêmea inicia a postura colocando até 40 ovos no interior das castanhas. Após 40 dias de desenvolvimento as larvas, brancas, sem patas, de aspecto encurvado e cabeça negra, roem a casca da castanha e saem. O orifício de saída é um buraco redondo com aproximadamente dois a três mm de diâmetro. Assim que sai, a larva enterra-se no solo, aí evoluindo até adulto, que emergirá no final do Verão para iniciar novo ciclo. Os frutos atacados caem precocemente e naturalmente perderão todo o seu valor.

Não havendo controlo químico homologado para esta praga, o mais recomendado será o seu controlo, nos soutos infestados, mediante a remoção de frutos atacados e através do recobrimento do solo, por baixo da copa, com telas, colocadas no final do Verão. Estas coberturas irão dificultar a saída e consequente ataque dos novos adultos, irão facilitar a recolha das castanhas e irão impedir o enterramento das larvas que perpetuarão a praga no souto. Trata-se de uma solução que amenizará o ataque, através da diminuição do número de indivíduos. Há contudo que ter em consideração a capacidade de voo dos insectos adultos que os poderá transportar de outras localizações!

Já agora aproveito para falar de outra larva que também nos pode ficar presa no dentes durante o próximo magusto – o bichado da castanha (Cydia splendana) – Com um ciclo de vida semelhante ao do balanino, esta larva é filha de uma traça ou borboleta e não de um gorgulho! E o seu aspecto, assim com os estragos provocados são ligeiramente diferentes dos do balanino – A lagarta tem patas e falsas patas, a sua cor é rosada e deixa uma acumulação de “serrim” no interior do fruto.

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

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