Agricultura (Ed. 682)

A traça da uva

30/07/2015 (Ed. 681)
Texto e fotos de • Jorge Sofia*

A traça da uva

Ed681_tracaUVA-011Estou a escrever à hora de almoço e está-me a dar uma “traça”, que me lembrei de vos falar na traça-da-uva.

Em regra as traças voam geralmente ao fim da tarde e anoitecer, enquanto as borboletas, suas “parentas” o fazem mais de dia; As borboletas fecham as asas verticalmente, as traças horizontalmente; As traças pupam num casulo sedoso, enquanto as borboletas o fazem numa crisálida não sedosa.

A importância das traças prende-se com os estragos que as suas larvas provocam nos frutos ao alimentar-se deles. A traça-da-uva, cujos estragos se começam a notar nesta altura, tem, como todos os insectos, várias fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. Tem também várias gerações por ano, em regra três. As traças sobrevivem ao Inverno, nos seus casulos, saindo os adultos em meados de Março, mas só terão cachos para atacar em finais de Abril. Os primeiros ovos serão colocados ainda antes da floração, notando-se a presença da lagarta no cacho, porque ela forma uma teia que envolve uma pequena porção das flores. Esta primeira geração não tem grande importância, apesar do aparato. Por norma não preocupa o viticultor e não é tratada. Isto porque as perdas que causa quase não têm significado, face ao que não vingará na videira e por vezes, em castas de cachos muito fechados, a limpeza que fazem até melhora o seu arejamento. Estas lagartas evoluirão e darão origem a adultos 2ª geração, que irão provocar estragos de meados de Junho a finais de Julho. Estes estragos são pequenas perfurações no bago, que permitem às doenças (podre) a entrada no cacho, sendo por vezes necessário tratar contra esta geração. Aqui se vê a importância dos Avisos Agrícolas, que indicam a necessidade de tratar e o produto mais adequado. Se os avisos detectarem fortes ataques da 2ª geração logo no início, aconselharão um produto capaz de matar ovos e lagartas, permitindo assim um combate precoce e mais eficaz, face a um tratamento posterior mais “curativo” e mais ineficaz uma vez que quera praga quer os seus estragos já se encontram presentes. Utilizamos para a avaliação de risco de prejuízos a observação de 100 cachos e se dez tiverem estragos ou ovos, será necessário tratar. Se a vinha for num sítio fresco e sombrio, passa-se este valor para um ovo ou uma perfuração em 100 cachos.

Ed681_tracaUva-Ciclo-de-vidaComo a região do Dão é muito quente e seca, a 2ª geração passa desapercebida. O problema tem sido com meses de Agosto frescos e chuvosos em que a terceira geração se instala nos cachos maduros, induzindo o seu apodrecimento, Isto sem falar do alto valor proteico que os mostos conseguem alcançar…Afinal insectos são chicha!

Tratamentos? Assinem os avisos agrícolas e saberão quando tratar atempadamente e com o quê, que eu não faço caridades….

 

—————————————————————————————————————

Outros artigos

Os Otiorrincos
Profilaxia das doenças do lenho da videira
Mais uma praga, isto já parece o Egipto!
A Lei 26 para o uso racional dos pesticidas
Os ácaros
O pedrado da maçã
• A escoriose da videira

Os cavalos também se abatem e os eucaliptos não ficam atrás

As plantas afinal reagem, ou como o último a rir é o que ri melhor
Os vírus vegetais
Tratamento de Inverno
O Enigma da esfinge
• Antracnose do castanheiro
E agora?
Podridão cinzenta do Kiwi
A flavescência dourada
O bichado da noz
A cigarrinha verde
O chumbo dos pessegueiros e afins
Ser agricultor também requer lápis e papel!
Paletes de problemas…
Vespa das galhas do castanheiro
Às vezes o mal remedeia-se: A mineira-das-folhas-dos-citrinos
O olho de pavão
Hoje toca ao mirtilo
O xiléboro das fruteiras
O mistério das cenouras antropomórficas
O míldio ou águado dos citrinos
A Estrela-de-Natal e o seu alegre companheiro
A Gafa da azeitona
O Escaravelho das palmeiras
Os balaninos
Cancro do castanheiro causado por Cryphonectria parasitica (Murr) Barr.
A tinta do Castanheiro