A traça da uva
30/07/2015 (Ed. 681)
Texto e fotos de • Jorge Sofia*
A traça da uva
Estou a escrever à hora de almoço e está-me a dar uma “traça”, que me lembrei de vos falar na traça-da-uva.
Em regra as traças voam geralmente ao fim da tarde e anoitecer, enquanto as borboletas, suas “parentas” o fazem mais de dia; As borboletas fecham as asas verticalmente, as traças horizontalmente; As traças pupam num casulo sedoso, enquanto as borboletas o fazem numa crisálida não sedosa.
A importância das traças prende-se com os estragos que as suas larvas provocam nos frutos ao alimentar-se deles. A traça-da-uva, cujos estragos se começam a notar nesta altura, tem, como todos os insectos, várias fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. Tem também várias gerações por ano, em regra três. As traças sobrevivem ao Inverno, nos seus casulos, saindo os adultos em meados de Março, mas só terão cachos para atacar em finais de Abril. Os primeiros ovos serão colocados ainda antes da floração, notando-se a presença da lagarta no cacho, porque ela forma uma teia que envolve uma pequena porção das flores. Esta primeira geração não tem grande importância, apesar do aparato. Por norma não preocupa o viticultor e não é tratada. Isto porque as perdas que causa quase não têm significado, face ao que não vingará na videira e por vezes, em castas de cachos muito fechados, a limpeza que fazem até melhora o seu arejamento. Estas lagartas evoluirão e darão origem a adultos 2ª geração, que irão provocar estragos de meados de Junho a finais de Julho. Estes estragos são pequenas perfurações no bago, que permitem às doenças (podre) a entrada no cacho, sendo por vezes necessário tratar contra esta geração. Aqui se vê a importância dos Avisos Agrícolas, que indicam a necessidade de tratar e o produto mais adequado. Se os avisos detectarem fortes ataques da 2ª geração logo no início, aconselharão um produto capaz de matar ovos e lagartas, permitindo assim um combate precoce e mais eficaz, face a um tratamento posterior mais “curativo” e mais ineficaz uma vez que quera praga quer os seus estragos já se encontram presentes. Utilizamos para a avaliação de risco de prejuízos a observação de 100 cachos e se dez tiverem estragos ou ovos, será necessário tratar. Se a vinha for num sítio fresco e sombrio, passa-se este valor para um ovo ou uma perfuração em 100 cachos.
Como a região do Dão é muito quente e seca, a 2ª geração passa desapercebida. O problema tem sido com meses de Agosto frescos e chuvosos em que a terceira geração se instala nos cachos maduros, induzindo o seu apodrecimento, Isto sem falar do alto valor proteico que os mostos conseguem alcançar…Afinal insectos são chicha!
Tratamentos? Assinem os avisos agrícolas e saberão quando tratar atempadamente e com o quê, que eu não faço caridades….
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