Cancro do castanheiro causado por Cryphonectria parasitica (Murr) Barr.

24/10/2013 (Ed. 641)
• Jorge Sofia*

Cancro do castanheiro causado por Cryphonectria parasitica (Murr) Barr.

Cancro do Castanheiro- Cancro em castanheiro

Continuando nos achaques que afectam os castanheiros, por serem árvore e fruta da estação, hoje abordaremos uma doença de importação recente, mas que tem causado imensos problemas nos soutos e castinçais deste país – O cancro do castanheiro.

Importado da Ásia onde não causa estragos de grande monta, por os castanheiros locais serem pouco susceptíveis a esta doença, o cancro rapidamente alastrou aos Estados Unidos da América e Europa, causando forte destruição. É causado por um fungo – Cryphonectria parasitica – tendo sido detectado em Portugal pela primeira vez em 1989, pelo Prof. Carlos Abreu da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O fungo penetra no hospedeiro através de feridas, invadindo a casca e posteriormente o lenho. Devido à sua “agressividade”, invade muito rapidamente os tecidos do castanheiro, formando os chamados cancros (feridas na casca). Essa agressividade impede a normal cicatrização dessas feridas, que aumentam de dimensão rapidamente. Os cancros surgem no tronco, ramos e rebentos. O primeiro sintoma desta doença é um empolamento da casca que adquire uma coloração encarniçada, após o que greta e começa a descascar expondo a madeira e formando assim o cancro. Posteriormente na superfície daquele surgirão pequenas pústulas de cor alanrajada, sinal evidente da infecção. Os cancros, ao desenvolverem-se formam um anel que estrangula a circulação da seiva, levando à morte da parte do orgão situado acima do cancro. A acumulação de seiva, abaixo daquele, resultado da interrupção da circulação, promove a formação de rebentos imediatamente abaixo do cancro

O fungo desenvolve-se melhor a temperaturas entre 18 e 38º C, sendo disseminado principalmente na Primavera e Outono, por altura das chuvas que ajudam à libertação de esporos  (“sementes” do fungo), podendo a doença  também ser propagada através da enxertia de varas doentes em plantas sãs ou até disseminada por aves ou insectos.

Como estratégias de luta, recomenda-se que prevenindo o aparecimento da doença se utilize apenas plantas acompanhadas de passaporte fitossanitário, que na enxertia se use garfos de plantas sãs e em torno das quais não haja indícios de doença, se desinfecte cortes e enxertias com pastas fungicidas (mástiques de cicatrização ou pastas cúpricas).

Picnídeos… frutificações do fungo sobre a casca

Em soutos instalados, se a doença se manifestar recomendamos o arranque e queima das plantas muito afectadas, o corte do tronco ou pernadas até 20 cm abaixo da lesão, a raspagem até à madeira sã do cancro e desinfecção do mesmo com pastas cúpricas, queimando sempre todo o material vegetal removido.

Cryphonectria parasitica é considerado um organismo de quarentena, constando do nº 3 da alínea c) SECÇÃO II “Organismos prejudiciais existentes na Comunidade Europeia e importantes para toda a Comunidade Europeia” do ANEXO II PARTE A “Organismos prejudiciais cuja introdução e dispersão é proibida no interior do País e nos restantes Estados membros desde que estejam presentes em determinados vegetais ou produtos vegetais” do Decreto-Lei n.º 243/2009 constante no Diário da República, 1.ª série — N.º 181 — 17 de Setembro de 2009, pelo que a legislação europeia impede o transporte de castanheiros, a menos que considerados sãos, havendo sempre a necessidade de se fazerem acompanhar de um passaporte fitossanitário que o comprove.

Se se lembra das notas sobre nespereira, é altura de começar a prevenir o pedrado, aplicando produtos à base de cobre: inicie os tratamentos um pouco antes da floração, Repita-os à queda das pétalas e sempre que as condições climáticas e a evolução da doença o justificarem a intervalos de 2 a 3 semanas até início da mudança de cor dos frutos.

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro