Agricultura (Ed. 658)

O chumbo dos pessegueiros e afins

Ed656_100-0005_IMG_2Chumbo: soldadinhos de, grosso, no final do ano, causa de “saturnismo”, mas doença de plantas?! Estes fitopatologistas são ou demasiado imaginativos ou realmente falhos na área de atribuição de nomes.

Hoje cabe-me falar de uma doença que afecta pessegueiros em particular e prunóideas (abrunheiros, cerejeiras, damasqueiros, enfim frutas de caroço) em geral – A doença do “chumbo” – Que deve o seu nome à cor de chumbo (para quem não sabe, é cinzento metálico) que a folhagem adquire nas plantas infectadas. Esta cor resulta da morte das células da página superior das folhas, por acção de toxinas libertadas por um fungo. As células mortas, vazias do seu conteúdo, funcionam como pequenos espelhos, reflectindo a luz solar o que confere à folhagem o aspecto atrás referido. Também, nas árvores infectadas, ao podar ramos afectados se nota um escurecimento do interior da madeira.

Esta doença é, lamentavelmente, comum a muitas espécies de árvores e arbustos e não só às aparentadas com o pessegueiro. Para além dessas, também kiwis, macieiras, choupos, loureiros, salgueiros, eucaliptos, roseiras e um “eu-sei-lá-que-mais” de espécies vegetais podem ser afectadas por esta doença. A sua causa reside num fungo, de sua graça científica Chondrostereum purpureum, que facilmente se espalha das árvores doentes para as sãs. Nas árvores fortemente atacadas é frequente divisarem-se sobre o tronco frutificações daquele fungo, de onde emanarão novas contaminações. Estas processam-se com tempo frio e húmido. As frutificações do fungo libertam esporos que irão contaminar feridas de poda ou quaisquer outras feridas que as árvores possuam.

Esta doença matará a árvore numa fase mais adiantada. Mas enquanto não mata mói, diminuindo drasticamente a produção de fruta ao afectar a função fotossintética. Uma vez destruída a capacidade de sintetizar da árvore, todo um processo de senescência da planta se vai implantar permitindo a acção de outras doenças, em que tudo conjugado resultará na morte da planta e de todas as demais que esta terá infectado.

Como podemos parar este problema? Pincele as feridas de poda e todas as demais feridas com uma pasta cúprica (1litro de água para 1kg de oxicloreto de cobre, ou afim), imediatamente após as fazer; elimine os ramos afectados até encontrar madeira sã, logo às primeiras manifestações da doença e acima de tudo compre apenas plantas certificadas, porque é na enxertia que muitas vezes esta doença é transmitida e a Inspecção Fitossanitária controla não só os viveiros, como as árvores de onde são retiradas as borbulhas, assegurando assim a qualidade do produto final.

Para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos, estamos disponíveis através do correio electrónico

jorge.sofia@drapc.mamaot.pt

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

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Redação Gazeta da Beira