Agricultura (Ed. 650)

O olho de pavão

13/03/2014
Texto e fotos de • Jorge Sofia*

O olho de pavão

Ed650_Agric-OlhoPavaoEd650_Agric_CicloVida-olhopavaoOuve-se hoje em dia que Portugal já é autossuficiente em azeite, milagre que não acontecia desde os anos sessenta do século passado. E não só, somos autossuficientes, como o azeite se apresenta na sua maioria de boa qualidade e paladar agradável. Tudo isto se deve a novas plantações, utilização de variedades adequadas a cada região, melhor colheita e processamento da azeitona e também aos devidos tratamento fitossanitários que muito tenho advogado aqui. Agora que o tempo melhorou e que a Oliveira se prepara para entrar em produção é altura de nos precavermos contra outro inimigo típico desta época: O Olho de Pavão. Que nome singular! Este senhor saiu-nos um poeta! Nada disso! Este nome é sugerido pela mancha que um fungo Spilocea olivarum provoca nas folhas da oliveira. Nesta altura, as folhas começam a ficar ligeiramente amareladas, notando-se ao perto a formação de manchas aureoladas na superfície da folha, que vagamente fazem lembrar o desenho em forma de olho que se vê na cauda dos pavões. Estas folhas irão dessecar e cair ao solo enfraquecendo a capacidade fotossintética da árvore e consequentemente a sua capacidade produtiva. Muitas vezes os frutos também são tocados por esta doença. A instalação e actuação do fungo são favorecidas humidade relativa próxima dos 100%; neblinas e nevoeiros; folhas molhadas durante elevado número de horas e por temperatura entre 10 – 25 º C (ótimo entre 18 e 21º C), situações frequentes agora, no início da Primavera. Outras condições que favorecerão o desenvolvimento da doença serão o historial favorável do olival e da região; o uso de variedades sensíveis; o excesso de vigor (adubação azotada) das árvores; copas fechadas provocando arejamento deficiente; compassos apertados (intervalo entre árvores). Dos trabalhos realizados na Estação de Avisos do Dão verificou-se que nas condições da nossa região, a variedade cobrançosa aparenta ser tendencialmente mais sensível à doença que a variedade galega e que esta última tolera bastante bem a doença.

Como já foi referido, é esta a altura propícia para executar os primeiros tratamentos para esta doença uma vez que as oliveiras se encontram no início vegetativo. Recomenda-se a partir desta altura e até ao aparecimento dos botões florais, sempre que esteja prevista a ocorrência de precipitação, a proteção preventiva do seu olival com um produto à base de cobre.

Para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos, estamos disponíveis através do correio electrónico

jorge.sofia@drapc.mamaot.pt

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

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Redação Gazeta da Beira