Ser agricultor também requer lápis e papel!

29/05/2014 (Ed. 655)
Texto e fotos de • Jorge Sofia*

Ed655_DSC05729Estamos em plena época de tratamentos e eu verifico que muitas vezes, apesar do tratamento atempado com o produto bem recomendado, o resultado fica aquém do esperado. Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento é necessário conhecer o Débito do Pulverizador, isto é, a quantidade de calda que gastará por unidade de superfície, isto é em litros por hectare. Quando este valor é desconhecido é necessário calibrar o pulverizador. Para tal, proceda da seguinte forma:

  1. Encha o depósito do pulverizador com água.
  2. Pulverize uma área cuja dimensão conheça.
  3. Meça a água que gastou voltando a encher o depósito.
  4. Divida a quantidade de água que gastou, em litros, pela área que tratou, em metros quadrados, e multiplique esse valor por 10000 (um hectare tem 10000 m2).
  5. O resultado obtido corresponde ao débito do pulverizador em litros por hectare.
  6. Proceda à preparação da calda ajustando a concentração de produto ao débito do pulverizador.
  7. Para a preparação da calda tenha em consideração a dose do produto a aplicar num hectare e não a concentração indicada por 100 litros de água. Isto é, se no rótulo do produto disser que deve aplicar 2 Kg por hectare e se tiver de pulverizar um hectare, deve gastar os dois kg de produto, independentemente da quantidade de água que gastar (por exemplo, se gastar apenas 400 litros de água por hectare, deve diluir nesses 400l os 2kg de produto).

Chamo a atenção para este facto, porque muitos aplicadores ao verem a concentração (quantidade de produto por 100 litros de água) se limitam a aplicar a quantidade de produto para 400litros, ou seja em vez de aplicarem os referidos 2kg aplicam apenas 800 gramas diminuindo francamente a eficácia do tratamento fitossanitário!

As concentrações e/ou doses indicadas nos rótulos dos produtos, são o resultado de vários anos de ensaios e estudos profundos, pelo que devem ser integralmente respeitadas.

Na maior parte dos casos, nomeadamente nos fungicidas e nos inseticidas, indicam-se as Concentrações de Uso, isto é, a quantidade de produto para 100 litros de calda. Esta é a concentração indicada para pulverizações a “alto volume” (gastando muita água), tomando como referência a aplicação de 1000 litros de calda por hectare. Quando se pretende utilizar volumes de calda diferentes, a concentração de produto deve ser ajustada, por forma a distribuir a mesma Dose (quantidade de produto por unidade de área tratada).
Noutros produtos e, particularmente, no caso dos herbicidas é indicada apenas a Dose por hectare, uma vez que estes se destinam a ser aplicados numa determinada área. Neste último caso a pressão de aplicação deve ser muito baixa e a quantidade de água a menor possível para evitar a lavagem do herbicida.

MISTURAS: A ORDEM DE INTRODUÇÃO

Ao preparar caldas mistas a ordem de introdução dos PRODUTOS FITOFARMACÊUTICOS deve atender ao tipo de formulação, seguindo a ordem indicada no quadro:

Produtos específicos 1 – Doses inferiores a 100 g de grânulos (WG)
2- Saquetas hidrossolúveis (WSB)

Sólidos

3- Outros grânulos dispersíveis (WG)
4- Pós molháveis (WP)

Líquidos

5- Adjuvantes de compatibilidade
6- Suspensões concentradas (SC)
7- Suspo-emulsões (SE)
8- Emulsão óleo em água (EW)
9- Concentrados para emulsão (EC)
10 – Soluções concentradas (SL)
11- Outros adjuvantes (óleos, molhantes…)

 

Em todos os casos é indispensável que se tenha atenção a:

  • Recomendações específicas para cada produto;
  • Verificar com os fornecedores ou fabricante a compatibilidade entre os produtos;
  • Doses preconizadas para cada produto.

Para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos, estamos disponíveis através do correio electrónico

jorge.sofia@drapc.mamaot.pt

* Engenheiro, Técnico Superior da Estação de Avisos do Dão / Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

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Redação Gazeta da Beira