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Do sonho a um negócio de sucesso, 19 anos de lutas

Para além de criar emprego, empresa apoia a produção local

Do sonho a um negócio de sucesso, 19 anos de lutas

Cecília Godinho é o que se pode chamar de uma mulher de armas. Há 19 anos decidiu criar o seu próprio negócio. Anos depois continua no mesmo ramo, com o entusiasmo do primeiro dia e com a ambição de procurar novos desafios. Empresária de sucesso, dirige a empresa Distripedro, detentora da marca Intermarché, em S. Pedro do Sul. Em conversa com a Gazeta da Beira, Cecília Godinho fala-nos da crise; da importância dos produtos autóctones e do comércio local. Uma história de sucesso que damos a conhecer.

cecilia

Alentejana de gema, muito cedo emigrou para França onde cresceu, estudou, casou e teve um filho. Vivia bem, mas longe… o desejo de voltar para o seu país sempre acompanhou Cecília Godinho. “Portugal é o meu país é aqui que pertenço”, explica. Regressou a Portugal assim que pôde, já com um projeto em mente: criar um negócio próprio. Não foi preciso muito tempo para tornar o sonho realidade. Em 1995, pelas mãos de Cecília Godinho, nasce, em S. Pedro do Sul o supermercado que hoje todos conhecemos. 19 anos depois, o balanço não podia ser mais positivo. “Adoro o que faço, conheço bem os clientes gosto de estar em contacto direto com eles.”

Recursos humanos são pedra basilar do sucesso

O supermercado que Cecília Godinho dirige emprega, atualmente 40 pessoas. Uma equipa de que fala com orgulho, na qual, muitos estão desde o primeiro dia. “Gosto de manter os meus colaboradores, apostamos muito na formação e só desta forma é que pode dar frutos, além disso, os clientes gostam de ver sempre as mesmas caras é isso que faz a nossa força”, garante a gerente.

Cecília Godinho defende que ter os Recursos Humanos motivados é um dos segredos para o sucesso e esse é sempre um dos seus objetivos. Uma relação de proximidade que ultrapassa uma mera relação profissional. “Não pode haver aquela barreira entre funcionário e poder paternal, não, nós sabemos que estamos no mesmo barco e temos que remar todos para o mesmo sentido”, defende.

Ser mais teimoso que a crise

“A crise está cá, faz-se sentir, mas não podemos ser pessimistas, temos que pensar sempre no dia de amanhã”. É assim que Cecília Godinho encara a crise, com determinação. Muito mudou, nestes anos, mas o segredo é continuar em frente e ser mais teimoso que as adversidades, mesmo que se tenham que reinventar conceitos. “Nestes anos em que se instaurou a crise eu tive que aprender novamente a trabalhar, antes as pessoas chegavam e sabiam que produto iam comprar, hoje em dia, já não é assim, as pessoas pensam mais, têm que fazer contas… por isso tivemos que nos adaptar, hoje em dia, temos preços para todos os porta-moedas”.

Com a crise Cecília Godinho não diminuiu o número de funcionários. Para a empresária a prioridade são sempre os ordenados. “Temos muitos encargos, mas a minha maior preocupação é o pagamento dos ordenados”.

“Somos mais um comércio local de que uma grande superfície”

A marca é conhecida a nível nacional, mas, como garante Cecília Godinho, há muito de regional neste supermercado. “Somos mais um comércio local do que propriamente uma grande superfície”. No supermercado há sempre lugar para os produtos autóctones. Os ovos da Casa do Aido, a famosa broa da Padaria de Santa Cruz da Trapa, os produtos naturais do concelho têm lugar nas prateleiras deste supermercado.

“Quando nos instalamos num local tentamos integrar-nos é por isso que, também trabalhos com os pequenos produtores e agricultores da zona”, explica a gerente, que garante ter a porta aberta a todos os produtos. Como acrescenta, “uma vez, duas senhoras trouxeram o seu feijão-verde para vender aqui, agora com as castanhas também temos muitas da região… claro que, são muitas vezes pequenas quantidades, mas é uma forma de poderem ganhar algum dinheiro”.

Por estas e por outras, Cecília Godinho considera-se parte do comércio local. “Somos mais que um repositório nacional, a nossa loja tem muitas especificidades da região, aliás, somo uma empresa com sede em S. Pedro do Sul. Nós deixamos tudo aqui”!

A empresária recusa a teoria que este supermercado, de maiores dimensões, possa “matar” as pequenas lojas. Antes pelo contrário, ajuda a deixar a riqueza em S. Pedro do Sul. Como defende, “quando abrimos este supermercado, há 19 anos, nunca quisermos prejudicar o comércio tradicional. O que nos apercebemos é que as pessoas iam fazer as pequenas compras no comércio tradicional, mas que, as compras da semana e do mês iam fazê-las a Viseu, nas grandes superfícies. Como assegura Cecília Godinho, este supermercado procura competir com as grandes superfícies de Viseu, os pequenos comércios continuam com o mesmo mercado. “Queríamos que as pessoas em vez de se deslocarem a Viseu para fazer as compras do mês, ficassem aqui, em S. Pedro do Sul”.

Uma mulher de negócios 

Muitos são os supermercados com o nome Intermarché no país, poucos são os liderados por mulheres. Cecília Godinho sabe que é uma exceção, nada que a incomode. “Os homens não têm mais carácter que as mulheres, somos capazes, estamos ao mesmo nível e por vezes até os ultrapassamos, defende.

 

 

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Redação Gazeta da Beira