Destaque (Ed. 655)

A gastronomia: história, autenticidade e progresso

Confraria Gastronómica de Lafões, há 18 anos a promover a região

A gastronomia: história, autenticidade e progresso

ed655-p05_GastronomosFaltam poucos meses para a Confraria Gastronómica de Lafões fazer 18 anos. A 20 de dezembro de 1996 nasceu com o propósito de “defender e divulgar o rico património gastronómico da região”. Anos passaram e a luta continua atual e necessária. Atualmente são já setenta confrades, cresce o número, ao mesmo tempo que cresce a vontade de dar visibilidade à Confraria e de desenvolver a região. A Gazeta da Beira esteve à conversa com o Grão-Mestre, João Oliveira, que nos falou da missão da Confraria em prol do desenvolvimento da região.

 

A Gastronomia Lafonense é rica e são muitos os produtos que a Confraria defende, desde hortícolas, frutícolas, sementes, carnes e doçarias… de uma forma geral, tudo o que nasce por estas terras. Mas há baluartes. A Vitela de Lafões e o Cabrito da Gralheira, cuja autenticidade é já reconhecida a nível europeu, uma vez que são dois produtos de Indicação Geográfica Protegida, ocupam o lugar de mais destaque, segue-se o Frango do Campo; a Sopa Seca de Alcofra, o Escoado de Manhouce, o Bacalhau com Batatas no Borralho, do Restaurante Luciana em Sejães; os Caçoilinhos do Vouga de São Pedro do Sul, o Pão-de-ló de Sul e os Pastéis de Vouzela. Sabores que levam história e autenticidade a quem prova e que são decisivos para o progresso da região. “a gastronomia é uma fonte de atração de turistas e de desenvolvimento local”. Defende o Grão-Mestre que assegura que a Confraria está a trabalhar em conjunto com as autarquias com o objetivo de “desenvolver ações de divulgação das potencialidades a nível turístico, cultural e gastronómico.

Os objetivos da Confraria são, segundo João Oliveira, “a investigação do património gastronómico da região de Lafões, nos seus diversos aspetos: receituário, cozinha tradicional, cozinheiros, pesquisa e inventário das antigas casas de comida, produtos regionais e outros aspetos que permitam a reconstituição histórica da arte culinária na região até aos tempos atuais. Bem como a defesa da autenticidade da gastronomia da região e respetivas tradições e a divulgação e promoção, a nível regional, nacional e internacional da gastronomia lafonense”. Tendo em conta estes princípios são muitos os projetos que a Confraria quer abraçar.

 

A Carta Gastronómica e outros projetos

Desde a sua fundação, que a Confraria tem como um dos objetivos prioritários a elaboração da Carta Gastronómica da Região de Lafões. Os trabalhos vão já adiantados, tudo indica que a obra possa ser lançada ainda no final do outono. Como relata João Oliveira, “neste momento, a história da alimentação da região está pronta e já realizámos o levantamento das receitas e recolhemos diverso material relacionado com o tema. Estamos em fase de selecionar das 183 receitas as mais representativas da nossa cozinha. A fase seguinte será confecionar os pratos e fotografá-los o que levará algumas semanas”. Para o Grão-Mestre esta carta será “muito mais que um livro de receitas” esta obra “vai ser uma publicação de grande valor cultural e gastronómico que compila os sabores e os saberes da região”. Como defende, a Carta Gastronómica, “constituirá o registo histórico, de valor científico, da memória dos nossos avós que deixaremos aos vindouros no que respeita ao receituário, à cozinha tradicional, aos alimentos associados a festividades religiosas e pagãs, à relação entre  arte popular e  a gastronomia, à pesquisa e inventário de locais e práticas relacionadas com gastronomia”.

As ambições da Confraria são muitas mais. Como acrescenta o Grão-Mestre, “A Confraria pretende tornar-se numa entidade promotora da gastronomia e da cultura da região e um interlocutor válido junto dos poderes instituídos e das forças vivas da região. Pretendemos tornar Lafões como um destino turístico”. Para isso já começaram a trabalhar. Como conta João Oliveira, “acabamos de dar um grande passo: As Confrarias foram desafiadas pela Federação das Confrarias Portuguesas a realizarem vídeos das suas regiões para poderem ser passados nos voos da TAP, com quem tinham assinado um protocolo. A nossa Confraria aceitou o desafio e, com a ajuda preciosa da Câmara Municipal de Vouzela, realizámos um vídeo promocional de cinco minutos da região de Lafões.  Recebemos a notícia de que esse vídeo foi validado pela TAP e que vai emitido. Só falta fazer o protocolo de cedência”.

Os símbolos da Confraria

São muitos os símbolos da Confraria. Símbolos que transparecem a história, a tradição e a cultura de Lafões que a Gazeta da Beira dá agora a conhecer:

Comecemos pelo traje: um capa azul, com golas e punhos de cor bordeaux, chapéu azul-escuro com fita bordeaux. A insígnia, por sua vez, é compostas por um colar nas cores vermelha e amarela, que sustentam uma medalha que tem gravado o brasão do Concelho de Lafões e no verso os brasões dos três Concelhos que constituem a região – Vouzela, S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades.

Segue-se a bandeira, o símbolo máximo da confraria, cujo manuseamento é realizado de acordo com regulamento específico e o Pendão que representa a Confraria em cerimónias de menor importância protocolar definidas pela Direção.

O medalhão é de prata para os confrades fundadores, dourado para o Grão-mestre e de estanho para os outros confrades; O Confrade Grão-mestre nas cerimónias públicas definidas em regulamento faz uso do Bordão Confrádico (símbolo do Poder).

Finalmente, importa fazer referência ao distintivo (brasão), uma peça honorífica destinada a homenagear pessoas ou entidades relevantes na divulgação da gastronomia lafonense.

 

XVII capítulo da Confraria (caixa)

No passado dia 10 de maio, como a Gazeta da Beira já fez referência, realizou-se o VXII capítulo da Confraria “a festa maior” já que, como relata João Oliveira, “é um momento de afirmação perante a comunidade, é uma festa de convívio e de confraternização alargada”. Neste evento estiveram presentes “vinte e duas confrarias e muitos amigos”. Foram entronizados dois confrades honorários Pedro Giestas e Marisa Matias e 13 novos confrades efetivos. “Um reforço para a confraria com gente capaz e dinâmica, que acredita que a região precisa de ser continuamente divulgada, que é necessário preservar o nosso património cultural, paisagístico e arquitetónico, que é fundamental valorizar e preservar os produtos endógenos que possuímos e que nos distinguem de outras regiões”, garante o Grão-Mestre.

—————————————————————————————————————————-

Mais artigos

A Rainha de Valadares
Projeto universitário aproximou a arte dos reclusos
• O homem atrás da câmara
Vitela certificada, uma aposta na qualidade
Pastel de Vouzela – Vouzelenses querem salvaguardar as origens dos seus produtos
Cantigas com alma
Bolsa de terras um exemplo de sucesso
Um retrato de Sever do Vouga
Centro de Emprego Dão Lafões têm novo director adjunto
Concerto de Natal memorável, muito aplaudido pela população

Redação Gazeta da Beira