A gastronomia: história, autenticidade e progresso
Confraria Gastronómica de Lafões, há 18 anos a promover a região
A gastronomia: história, autenticidade e progresso
Faltam poucos meses para a Confraria Gastronómica de Lafões fazer 18 anos. A 20 de dezembro de 1996 nasceu com o propósito de “defender e divulgar o rico património gastronómico da região”. Anos passaram e a luta continua atual e necessária. Atualmente são já setenta confrades, cresce o número, ao mesmo tempo que cresce a vontade de dar visibilidade à Confraria e de desenvolver a região. A Gazeta da Beira esteve à conversa com o Grão-Mestre, João Oliveira, que nos falou da missão da Confraria em prol do desenvolvimento da região.
A Gastronomia Lafonense é rica e são muitos os produtos que a Confraria defende, desde hortícolas, frutícolas, sementes, carnes e doçarias… de uma forma geral, tudo o que nasce por estas terras. Mas há baluartes. A Vitela de Lafões e o Cabrito da Gralheira, cuja autenticidade é já reconhecida a nível europeu, uma vez que são dois produtos de Indicação Geográfica Protegida, ocupam o lugar de mais destaque, segue-se o Frango do Campo; a Sopa Seca de Alcofra, o Escoado de Manhouce, o Bacalhau com Batatas no Borralho, do Restaurante Luciana em Sejães; os Caçoilinhos do Vouga de São Pedro do Sul, o Pão-de-ló de Sul e os Pastéis de Vouzela. Sabores que levam história e autenticidade a quem prova e que são decisivos para o progresso da região. “a gastronomia é uma fonte de atração de turistas e de desenvolvimento local”. Defende o Grão-Mestre que assegura que a Confraria está a trabalhar em conjunto com as autarquias com o objetivo de “desenvolver ações de divulgação das potencialidades a nível turístico, cultural e gastronómico.
Os objetivos da Confraria são, segundo João Oliveira, “a investigação do património gastronómico da região de Lafões, nos seus diversos aspetos: receituário, cozinha tradicional, cozinheiros, pesquisa e inventário das antigas casas de comida, produtos regionais e outros aspetos que permitam a reconstituição histórica da arte culinária na região até aos tempos atuais. Bem como a defesa da autenticidade da gastronomia da região e respetivas tradições e a divulgação e promoção, a nível regional, nacional e internacional da gastronomia lafonense”. Tendo em conta estes princípios são muitos os projetos que a Confraria quer abraçar.
A Carta Gastronómica e outros projetos
Desde a sua fundação, que a Confraria tem como um dos objetivos prioritários a elaboração da Carta Gastronómica da Região de Lafões. Os trabalhos vão já adiantados, tudo indica que a obra possa ser lançada ainda no final do outono. Como relata João Oliveira, “neste momento, a história da alimentação da região está pronta e já realizámos o levantamento das receitas e recolhemos diverso material relacionado com o tema. Estamos em fase de selecionar das 183 receitas as mais representativas da nossa cozinha. A fase seguinte será confecionar os pratos e fotografá-los o que levará algumas semanas”. Para o Grão-Mestre esta carta será “muito mais que um livro de receitas” esta obra “vai ser uma publicação de grande valor cultural e gastronómico que compila os sabores e os saberes da região”. Como defende, a Carta Gastronómica, “constituirá o registo histórico, de valor científico, da memória dos nossos avós que deixaremos aos vindouros no que respeita ao receituário, à cozinha tradicional, aos alimentos associados a festividades religiosas e pagãs, à relação entre arte popular e a gastronomia, à pesquisa e inventário de locais e práticas relacionadas com gastronomia”.
As ambições da Confraria são muitas mais. Como acrescenta o Grão-Mestre, “A Confraria pretende tornar-se numa entidade promotora da gastronomia e da cultura da região e um interlocutor válido junto dos poderes instituídos e das forças vivas da região. Pretendemos tornar Lafões como um destino turístico”. Para isso já começaram a trabalhar. Como conta João Oliveira, “acabamos de dar um grande passo: As Confrarias foram desafiadas pela Federação das Confrarias Portuguesas a realizarem vídeos das suas regiões para poderem ser passados nos voos da TAP, com quem tinham assinado um protocolo. A nossa Confraria aceitou o desafio e, com a ajuda preciosa da Câmara Municipal de Vouzela, realizámos um vídeo promocional de cinco minutos da região de Lafões. Recebemos a notícia de que esse vídeo foi validado pela TAP e que vai emitido. Só falta fazer o protocolo de cedência”.
Os símbolos da Confraria
São muitos os símbolos da Confraria. Símbolos que transparecem a história, a tradição e a cultura de Lafões que a Gazeta da Beira dá agora a conhecer:
Comecemos pelo traje: um capa azul, com golas e punhos de cor bordeaux, chapéu azul-escuro com fita bordeaux. A insígnia, por sua vez, é compostas por um colar nas cores vermelha e amarela, que sustentam uma medalha que tem gravado o brasão do Concelho de Lafões e no verso os brasões dos três Concelhos que constituem a região – Vouzela, S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades.
Segue-se a bandeira, o símbolo máximo da confraria, cujo manuseamento é realizado de acordo com regulamento específico e o Pendão que representa a Confraria em cerimónias de menor importância protocolar definidas pela Direção.
O medalhão é de prata para os confrades fundadores, dourado para o Grão-mestre e de estanho para os outros confrades; O Confrade Grão-mestre nas cerimónias públicas definidas em regulamento faz uso do Bordão Confrádico (símbolo do Poder).
Finalmente, importa fazer referência ao distintivo (brasão), uma peça honorífica destinada a homenagear pessoas ou entidades relevantes na divulgação da gastronomia lafonense.
XVII capítulo da Confraria (caixa)
No passado dia 10 de maio, como a Gazeta da Beira já fez referência, realizou-se o VXII capítulo da Confraria “a festa maior” já que, como relata João Oliveira, “é um momento de afirmação perante a comunidade, é uma festa de convívio e de confraternização alargada”. Neste evento estiveram presentes “vinte e duas confrarias e muitos amigos”. Foram entronizados dois confrades honorários Pedro Giestas e Marisa Matias e 13 novos confrades efetivos. “Um reforço para a confraria com gente capaz e dinâmica, que acredita que a região precisa de ser continuamente divulgada, que é necessário preservar o nosso património cultural, paisagístico e arquitetónico, que é fundamental valorizar e preservar os produtos endógenos que possuímos e que nos distinguem de outras regiões”, garante o Grão-Mestre.
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Redação Gazeta da Beira
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