Destaque (Ed. 650)

Vouzelenses querem salvaguardar as origens dos seus produtos

Vouzelenses querem salvaguardar as origens dos seus produtos

Ed650_pastelA Associação dos Pasteleiros de Produtores do Pastel de Vouzela vão registar a marca. O processo já está em andamento, está a ser conduzido pela Associação Qualifica e tem o apoio do Município. Um passo importante para a valorização do produto e de Vouzela a nível nacional e para distinguir de forma clara os originais das réplicas. O Pastel de Vouzela, em destaque na Gazeta da Beira.

• Patrícia Fernandes

É um doce conventual que tem passado entre gerações. Uma base folhada finíssima com recheio de gema de ovo fazem a receita de sucesso, herdada e cuidadosamente guardada pelos únicos três produtores dos pasteis de Vouzela.  Uma receita deliciosa, com tradição e identidade que faz do  pastel de Vouzela um dos cartões de visita do concelho.

Um produto único que, nessa condição, iniciou o processo do registo da marca. O pedido já foi efetuado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial e deve estar concluído dentro de um mês e meio. Este é um passo que, segundo o Presidente da Câmara, Rui Ladeira, é determinante para “a afirmação da marca, não só no contexto local, mas, também, no contexto nacional”. Como referiu o autarca, “esta é uma marca muito afirmada e diferenciadora. Com a logo marca que está associada a este registo da marca, qualquer caixa de pastel de Vouzela que não tem essa chancela não é verídica e não é fidedigna”.

Uma forma de, como acrescenta Ana Soeiro da Qualifica, associação que lidera o processo, “dar outra força e visibilidade ao pastel”. Para além de garantir a qualidade do produto, como acrescenta Ana Soeiro, “por exemplo em Lisboa, há quem venda produtos que dizem ser pastéis de Vouzela que, quando provamos, verificamos que não têm nada que ver com os originais, não prestam para nada e assim o produto perde a reputação e deixa de ter valor”.

 

Os produtores e os segredos dos pastéis

Depois do registo ser aprovado, a marca pastéis de Vouzela só vai poder ser usada pelos três produtores vouzelenes. Um selo de qualidade que os produtores veem com bons olhos.

Joaquim Rodrigues já produz o pastel de Vouzela “há mais de 40 anos”, baseado numa receita que herdou da sogra que, “seguramente deve ter mais de 70 anos”. Uma receita antiga que tem passado de geração em geração. Atualmente, Joaquim Rodrigues conta, para além da ajuda da esposa, com a colaboração de um filho que garante, deste modo, a continuidade da receita. Para este produtor este registo é um passo importante. Como referiu à Gazeta da Beira, “é uma forma de diferenciação do produto, de garantirmos a sua qualidade, de valorizarmos a nossa produção e, também, a nossa terra. Vouzela é muito conhecida pelos seus pastéis”.

Os irmãos Miguel e Vítor Correia também apostaram nos pastéis. A receita já está na família há mais de 20 anos e há quase 10 que os produzem. Há alturas que chegam a produzir mais de 40 dúzias que são levadas, por intermediários para todo o país. Como explica Miguel Correia à Gazeta da Beira, este registo é uma forma, deste produto, “ficar nas suas origens que são a vila de Vouzela”.

“É com minúcia” que Fernando Cardoso produz os pastéis de Vouzela, desde o início da década de 90. A receita foi-lhe dada em segredo por uma pessoa amiga e, até hoje, mantém em segredo a confeção dos pasteis que fazem as delícias de todos. Este registo é para o produtor “uma maneira de

salvaguardar o produto, para que Pastel de Vouzela não seja ludibriado”. Como explica Fernando Cardoso, “muitas das vezes as pessoas só se preocupam em vender barato, esquecem-se da qualidade”.

 

Outras iniciativas para a promoção do Pastel

Aliado ao processo de registo, Rui Ladeira promete divulgar os Pastéis de Vouzela, assim como todo  os produtos autóctones do concelho. Como referiu, “ estamos a efetuar um trabalho de valorização dos nossos produtos,  para isso, importa apostarmos na sua divulgação nos vários espaços promocionais gastronómicos, à semelhança do que foi feito no XANTAR e do que agora está a ser feito no BTL, Feira Internacional do Turismo, em Lisboa”.

Para Ana Soeiro, a seguir ao registo nacional, se os produtores assim quiserem, importa avançar para o registo em todo o espaço europeu”.

Os Pastéis de Vouzela fazem parte da identidade da terra e dos que nela habitam. Um doce conventual guardado em segredo entre gerações, que leva o nome de Vouzela ao mundo. Um sabor único que em breve vai ter marca registada.

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