DESTAQUE (ed. 654)

A Rainha de Valadares

A laranja, um fruto cheio de potencialidade e dinâmica

Ed654_Destaque-FLARRecentemente, entre os dias 1 e 4 de maio, Valadares dinamizou mais uma Feira da Laranja. Esta iniciativa que vai já na XIII edição trouxe a Valadares centenas de pessoas e conseguiu escoar a totalidade do fruto. Numa altura em que a Laranja merece destaque na região, a Gazeta da Beira quis saber o que é que este fruto tem de especial; quis saber quais as suas potencialidades e que caminho deve seguir a Laranja no futuro. A Rainha de Valadares apresentada pelos seus conterrâneos.

O microclima de Valadares, que proporciona estações mais amenas, aliado à proximidade da Serra do Caramulo, (daí ser também conhecido por “Laranja Caramelada”), dá a este fruto, características excecionais. Nada melhor do que os especialistas para nos falarem desta laranja que se distingue pela cor, textura e sabor. Como explica José Pereira Rodrigues, produtor há 20 anos, “Em Valadares a Laranja dá-se muito bem, é um bom produto, é muito saudável já que tenho o cuidado de priviligiar a agricultura biológica”. A Laranja de Valadares, por norma tem a casca muito fina e é muito fresca e suculenta. Caso para dizer que, desta vez, “as aparências não enganam”. Como acrescenta Alcina Pereira, Presidente da Cooperativa Mimos,. “A Laranja de Valadares é uma laranja com sabor a laranja”. Um sabor genuíno que não tem passado despercebido ao longo dos anos.

A Laranja, Valadares e a economia

Ed654_LaranjasLaranja e Valadares são dois nomes indissociáveis. De facto, este fruto vem, desde há muitos anos, contribuindo para o crescimento da economia local. Como refere o Presidente da Junta de Valadares, Pedro Soares, “Quem conhece a freguesia sabe que o seu microclima faz com que a laranja seja uma riqueza e uma potencialidade para a freguesia. Desenvolve-se bem a cultura dos citrinos. Desde há muitos anos, é uma forma de melhorar a economia dos agricultores e, consequentemente, da freguesia”.

Nos últimos 20 anos, contudo, tem havido um decréscimo de produtores. À semelhança do que se verifica no nosso país, fruto das políticas europeias de então, foram muitos os que abandonaram as terras. Como explica Pedro Soares, “Nos últimos 20 anos, tem havido um decréscimo de produtores, há terrenos abandonados, há laranjais que não foram renovados; logo, há menos quantidade de produção de citrinos”.

Valadares, contudo, quer lutar contra a maré e aumentar o seu laranjal, já que atualmente o produto é completamente escoado. Como garante o Presidente da Junta, “Na freguesia temos pessoas com muito ainda para dar na agricultura que vão escoando os seus produtos em alguns certames pelo concelho e depois, têm já alguns clientes fixos. Houvesse mais produção, mais condições havia. Era importante haver nova produção, novos produtores, novos projetos novas ideias”. Aumentar a quantidade, mantendo a qualidade, é o objetivo. Isto, aliado “a muita imaginação e dinâmica” podia levar a Laranja a outros voos. Como acrescenta o autarca, A Laranja é um fruto muito versátil: “Mais do que um complemento à refeição, há muitas outras ideias que podem surgir à volta dos citrinos”. Doces, licores, sumos são só alguns caminhos que podem ser viabilizados no futuro.

Para Pedro Soares, seria importante uma política estratégica a nível nacional que valorizasse a agricultura. Como explica: “falamos em diversas áreas e potencialidades da região, mas o que é o turismo sem a agricultura? O que é o turismo sem outros serviços? Se as nossas paisagens foram abandonadas, se não forem bem cuidadas não pode haver turismo. As pessoas podem até visitar o nosso concelho, a nossa região, a nossa freguesia, mas se não tivessem contacto com a população, se não houver algo mais, se isto se tornar um deserto, não pode ser aliciante.”

A mesma opinião tem José Pereira Rodrigues, que escoa a totalidade das laranjas, cuja produção média anual, ronda uma tonelada e “só não aumenta a  área de cultivo porque lhe faltam meios para isto”. Como defende o produtor, “as pessoas querem produzir cada vez mais e melhor, mas o Ministério da Agricultura não está atento àquilo que o Interior produz”.

Enquanto se anseia por novas políticas por parte do Governo Central, internamente avança-se com projetos para dinamizar a Laranja. A Feira da Laranja que, de dois em dois anos é feita em Valadares é um dos exemplos, mas há mais. Como anuncia o Presidente de Junta, “estamos a tentar criar uma dinâmica, através do associativismo e da comunidade em geral. Durante o ano, temos várias feiras, convívios caminhadas, concertos…” Uma agenda cultural vasta que pode ser visitada online através da pagina da Junta de Valadares, na internet.

A Rota da Laranja que deve ser apresentada já no próximo mês de junho é só mais um dos projetos que quer conciliar o Turismo e a Agricultura. Como adianta o autarca, “vai ser um percurso municipal que vai ligar vários pontos turísticos”. Uma infraestrutura dotada de sinalização que vai ajudar os turistas a conhecer as potencialidades do “Laranjal de Valadares”. Com acrescenta Pedro Soares, é uma forma de “as pessoas desfrutarem da nossa freguesia, conhecer a nossa realidade, os nossos citrinos e a nossa forma de receber. Um percurso planeado, que emerge entre paisagens cuidadas, o que pode ser uma “mais-valia para a economia local”.

O Papel da Cooperativa

A Mimos, Cooperativa Agrícola de Serviços e Artes de Valadares, surgiu  na freguesia com o objetivo de apoiar a cultura da Laranja, dividida em inúmeros minifúndios, no projeto de comercialização. Como explica a Presidente da Direção, Alcina Pereira, este projeto nasceu com a missão de “lutar contra a desertificação e o abandono dos campos, incentivar os agricultores já existentes, chamar novos agricultores e criar novos postos de trabalho”. Atualmente, a Mimos tem já 50 cooperantes que partilham a vontade de levar a Laranja mais longe. Como acredita a dirigente, a cooperativa vai no bom caminho; nesta fase, o objetivo é “angariar novos compradores e avançar com várias iniciativas para a promoção da Laranja”.

 

 

Feira de Valadares esgotou as Laranjas

Os objetivos da Festa eram claros. Como refere Pedro Soares, para além “de proporciona momentos de convívio” o objetivo era “escoar os produtos e levar o nome da freguesia e do concelho a outras fronteiras”. Expectativas superadas. Quatro dias de convívio, animadas por diversas e variadas iniciativas em que Valadares foi visitada por centenas de pessoas e em que as Laranjas esgotaram.

Para Joaquim Rodrigues, “desde que a Feira começou, esta foi, sem dúvida, das melhores edições do certame”. Como referiu, “Vendi tudo o que tinha, só no domingo vendi mais de 300kg”.Também a Presidente da Mimos se mostra satisfeita com os resultados positivos da Festa, uma iniciativa que conseguiu dar a conhecer a Laranja a mais pessoas. Como defende, “as pessoas que visitam, passam a palavras a outras que depois também querem vir visitar”. Um ciclo de crescimento que leva o sabor da Laranja de Valadares cada vez a mais paladares.

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Redação Gazeta da Beira