Destaque (Ed. 648)

Bolsa de terras um exemplo de sucesso

Em Sever do Vouga, projeto vai ser alargado a todo concelho

• Patrícia Fernandes

Ed648-BolsaTerras_jovemAgricultorTudo começou em abril do ano passado, num projeto comum da AGIM, do Município, do Espaço Visual e da Fundação Bernardo Barbosa. Nasceu a Bolsa de Terras, uma iniciativa que disponibilizou terrenos com potencial, até então desaproveitados, para o cultivo de mirtilos. O repto foi aceite, logo na primeira sessão da Bolsa de Terras foram atribuídos cerca de 70% dos terrenos disponíveis. A procura foi tanta que todos os terrenos já foram entregues. Esta procura, maior que a oferta, fez a Bolsa de Terras dar um novo passo, muito em breve, este projeto vai ser alargado a todo o concelho de Sever do Vouga. Em entrevista à Gazeta da Beira, Sofia Freitas, coordenadora da Agim, fala na Bolsa de Terras, no projeto de alargamento e nas potencialidades da agricultura no concelho, no contexto atual.

 

Vinte e uma explorações, vinte e um postos de trabalho diretos e entre trezentos a quatrocentos postos de trabalho sazonal em tempos de colheitas ou de podas, são estes os números que fazem da Bolsa de Terras, em Sever do Vouga, um projeto de sucesso. O projeto surgiu em abril de 2013, na sequência de, como conta Sofia Freitas, “uma visita de estudo promovida pela AGIM e a empresa Espaço Visual, na qual tivemos oportunidade de visitar a plantação de mirtilos mais antiga do país, que fica localizada na Fundação Bernardo Barbosa de Quadros – Quinta do Linheiro, e podemos constatar o potencial desta quinta, com aproximadamente 40 hectares que se encontravam subaproveitados”. Neste momento, como explica Sofia Freitas, coordenadora da Agim, “foram definidos os investimentos a realizar em cada exploração, estruturados os projetos e submetidas as candidaturas ao PRODER, encontrando-se unicamente por submeter três candidaturas, sendo uma delas, resultado da atribuição realizada há aproximadamente 15 dias”. Prevê-se que já em setembro estes projetos possam arrancar no terreno.

O alargamento

Ed648-BolsaTerras_bolsa-terrasDestaqueTendo como principio que “toda a gente tenha acesso a terra”, este projeto, que começou na freguesia de Rocas, vai agora alargar-se a todo o concelho. Como adianta Sofia Freitas, foram muitos os motivos que impulsionaram este alargamento, sendo que “o potencial de terras disponíveis para serem arrendadas e explorada para a agricultura; a crescente procura de terrenos; a vontade de aumentar a área agrícola útil, principalmente no que toca à cultura de pequenos frutos; o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da economia local; a contribuição para a diminuição do risco de incêndios e o empenho dos parceiros da Bolsa de Terras de Sever do Vouga na prestação de serviços a proprietários e candidatos à obtenção das terras; foram só alguns dos argumentos”.

Para isso, já foram estabelecidos contactos com as Juntas de Freguesias e Conselhos de Baldios que se mostraram muito recetivos ao projeto. No passado dia 18 de fevereiro foi assinado um protocolo de cooperação. Como relata Sofia Freitas, “este processo de alargamento pressupõe, neste fase, a cooperação com várias entidades, nomeadamente Juntas de Freguesia e Conselhos de Baldios, para o apoio na divulgação e promoção deste processo em cada freguesia do concelho para que mais facilmente se consiga identificar, angariar terrenos privados que se encontram devolutos e que possam ser colocados na bolsa, bem como a explicação personalizada aos proprietários sobre o interesse público da cedência das terras e as vantagens da utilização da Bolsa de Terras de Sever do Vouga”.

A Bolsa de Terras foi aberta a todo o concelho, mas também a outras culturas. Os interessados em apostar na agricultura, como explica a coordenadora da AGIM, “neste processo de alargamento, podem candidatar-se para a instalação de  qualquer tipo de cultura, desde que tenha viabilidade, ser-lhes-á exigido pela AGIM que façam prova da garantia de escoamento dos produtos que pretendem cultivar”. Todos estes projetos vão ser alvo de candidatura ao programa PRODER.

Uma agricultura com futuro

Os tempos mudaram, e as terras ficaram vazias e sem exploração, os tempos voltaram a mudar e o regresso ao setor primário é, muitas vezes, a melhor forma de enfrentar o futuro. Como relata Sofia Freitas, “o regresso à agricultura é, atualmente, vista por uma grande parte dos jovens como uma solução face à dificuldade que possuem em encontrar trabalho”. Uma solução alternativa que pode ser um negócio lucrativo. Como acrescenta a coordenadora da AGIM, “a aposta em atividades agrícolas tais como os pequenos frutos, exercida de forma profissional, ou seja, em que o produtor está a tempo inteiro na atividade ou em tempo parcial, mas assumindo o princípio de que faz a operação certa na hora certa, são lucrativas. Assim, desde que assumidas do ponto de vista empresarial, as atividades agrícolas têm tudo para serem um sucesso e uma excelente fuga à crise”.

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