DESTAQUE (Ed. 657)

Advogado faleceu no passado dia 20, com 83 anos

• Patrícia Fernandes

Morreu um dos nomes mais ilustres de São Pedro: Jaime Gralheiro que completaria, no próximo mês de julho, 84 anos. O advogado e dramaturgo estava internado há cerca de uma semana, na sequência de um infeção intestinal, numa clínica em Aveiro, onde acabou por falecer. O último adeus, foi na sua casa: O cineteatro Jaime Gralheiro, onde esteve em câmara ardente, depois, partiu para o cemitério de S. Tiago, em Viseu, onde foi cremado. 

Ed657_JaimeGralheiro_IMG_0177Há nomes eternos e Jaime Gralheiro é um deles. Advogado, dramaturgo, encenador e político, este natural de São Pedro do Sul deixou obra em áreas distintas e marcou o seu nome na história. O município de São Pedro do Sul decretou dois dias de Luto Municipal que quiseram manifestar apreço “pelo Homem e Dramaturgo cuja imagem se projetou no País e no exterior”… Como justifica Vítor Figueiredo num despacho, “foi para este Município um privilégio ter entre os seus conterrâneos um dos maiores expoentes da dramaturgia nacional, (para além de mui ilustre advogado), destacando-se ainda o exercício do cargo de Presidente da Comissão Administrativa Municipal, logo após o 25 de abril de 1974”. No passado 25 de Abril, o mesmo executivo tinha prestado homenagem a Gralheiro, atribuindo o seu nome ao Cineteatro Sampedrense. Também a Assembleia Municipal de Vouzela aprovou por unanimidade um voto de pesar pela morte de Jaime Gralheiro, no passado sábado dia 21 de junho.

Ninguém parece ter ficado indiferente à notícia deste falecimento. A morte do advogado e dramaturgo foi notícia nos mais diversos meios de comunicação regionais e nacionais. Presentes nas cerimónias fúnebres, através de comunicados, nas redes sociais, foram muitos os que quiseram prestar a última homenagem a Jaime Gralheiro.  O Partido Comunista Português, de qual Gralheiro era militante, faz referência a um “cidadão interveniente, advogado de causas, artista profícuo e político de convicções, pela forma íntegra como pautou a sua vida, é um exemplo de exercício pleno da cidadania merecedor do reconhecimento público”. O PCP fala de um homem que “muito jovem colocou todo o seu saber, inteligência e determinação ao serviço dos valores em que acreditava:de um homem e de uma sociedade livre, justa, fraterna e solidária”.

Já a Balflora recorda a sua luta pelos Baldios. Como refere em comunicado, “Faleceu o homem, mas fica o seu legado de grande defensor dos povos dos baldios, dos agricultores e populações rurais, e que sempre se bateu pelos mais desfavorecidos”. Com duas publicações que refletem criticamente sobre a questão dos baldios, Jaime Gralheiro, “foi defensor dos agricultores na luta contra o corte da vinha americana ou produtor direto, em defesa dos pequenos agricultores e rendeiros, dos povos dos baldios em lutas contra a ocupação das serras, foi um dos impulsionadores e colaboradores na criação da Confederação Nacional da Agricultura – CNA, na participação e colaboração com esta organização em diversos encontros dos baldios no Distrito e também no país, a quem os povos dos baldios devem a sua grande frontalidade e destreza na defesa dos seus bens comunitários” acrescenta a Balflora.

Também a Sociedade Portuguesa de Autores relembrou um dos seus associados, desde fevereiro de 1964 e seu cooperador desde Maio de 1977, tendo sido vice-presidente da mesa da Assembleia Geral nos anos 90 do século XX. “Ao longo de uma vida longa e activa, Jaime Gralheiro publicou dezenas de peças de teatro, depois de se ter estreado em 1949 com a publicação do texto “A Feia”. A sua obra foi várias vezes premiada e em 1978 foi considerado o autor português mais representado do ano. A obra dramática de Jaime Gralheiro, homem de princípios, convicções e palavra firme e clara foi frequentemente representada por companhias profissionais e amadoras. Destacou-se ainda, a partir de 1975, como encenador de uma boa parte das suas peças de teatro”. Sublinha a SPA que acrescenta: “Na hora da partida, Jaime Gralheiro deixa no meio teatral e artístico português uma muito grata lembrança e sobretudo em todos quantos na SPA com ele conviveram e com ele se bateram pela defesa do direito de autor”.

 A última entrevista com a Gazeta da Beira

A última entrevista que a Gazeta da Beira fez a Jaime Gralheiro, foi aquando da comemoração dos 40 anos do 25 de Abril. O advogado recordou todo o processo que culminou no dia da Revolução dos Cravos, “o mais feliz da sua vida” e lamentou o Estado atual do país. Como referiu, “O sistema antes do 25 de Abril é isto que temos agora. Menos uma coisa que é importantíssima: que é a liberdade. De resto… Tínhamos esta fome, tínhamos este aperto, tínhamos esta falta de perspetivas, tínhamos uma guerra e não tínhamos liberdade. Neste momento, não temos guerra e temos liberdade, mas do ponto de vista social não verificamos diferenças: as pessoas a passarem mal, a ter que comer na sopa dos pobres, a ter que andar de mão esticada…”

—————————————————————————————————————————-

Mais artigos

Vinho Chão do Vale conta com 24 mil litros e quer aumentar a produção
A gastronomia: história, autenticidade e progresso
A Rainha de Valadares
Projeto universitário aproximou a arte dos reclusos
• O homem atrás da câmara
Vitela certificada, uma aposta na qualidade
Pastel de Vouzela – Vouzelenses querem salvaguardar as origens dos seus produtos
Cantigas com alma
Bolsa de terras um exemplo de sucesso
Um retrato de Sever do Vouga
Centro de Emprego Dão Lafões têm novo director adjunto
Concerto de Natal memorável, muito aplaudido pela população

Redação Gazeta da Beira