Edição 716 (27/04/2017)
Guia turístico do Parque Natural Vouga Caramulo – Vouzela foi apresentado a 15 de abril

O Município de Vouzela e a editora Foge Comigo! Apresentaram no passado sábado, dia 15 de abril, o guia turístico “Vouzela – Parque Natural Local Vouga Caramulo”, uma publicação de promoção do concelho, dos seus agentes económicos e também do primeiro parque natural de gestão local do país.
Na apresentação participaram o presidente da turismo centro de Portugal, Pedro Machado, o responsável pela editora Foge Comigo? Armando Carvalho e o presidente da Câmara Municipal de Vouzela, Rui Ladeira.
“O guia turístico do Parque Natural Vouga Caramulo – Vouzela resulta de um trabalho de dois anos que envolveu os agentes económicos e que estruturou, de forma profissional, tudo o que existe e é visitável no concelho, seja de carro, a pé ou de bicicleta”, explicou na ocasião Rui Ladeira.
Rui Ladeira sublinhou que o Parque Natural Vouga Caramulo, criado recentemente e que representa 60% do concelho de Vouzela, foi o cenário para este projeto, atendendo ao facto de se tratar de um “produto diferenciador no contexto nacional”.
No que respeita ao património natural, o autarca exemplificou que no concelho estão situadas “três das árvores mais velhas identificadas no país”, existindo também a Reserva Botânica de Cambarinho, com a sua enorme mancha de loendros.
“Tudo isto é englobado com o restante património, com o alojamento e com a restauração, com o objetivo de o turista poder, durante vários dias, fruir das mais diversas atividades”, acrescentou.
Pedro Machado, presidente da Turismo Centro de Portugal, recordou que Portugal não é mais um destino de sol e praia. “Hoje há uma nova realidade, com a procura crescente por destinos mais sustentáveis e ambientalmente mais protegidos. Este é um destino que segue esta tendência e seguramente que no médio prazo será mais competitivo que só os destinos de sol e praia”, defendeu.
O guia tem um custo de 15 euros e está à venda em todo o país.
Cem anos da primeira escavação na Anta da Lapa da Meruje

• António Faustino Carvalho
A 29 de março de 2017 completou-se um século desde as primeiras escavações na Anta da Lapa da Meruje, empreendidas por Amorim Girão, pioneiro da arqueologia vouzelense e descobridor do seu megalitismo. Porém, desde então pouco mais se fez e a sua monografia de 1921, “Antiguidades Pré-Históricas de Lafões”, é ainda hoje a obra maior da arqueologia da região. Os megálitos de Vouzela foram caindo no esquecimento da comunidade científica enquanto o estudo de dólmenes em municípios vizinhos conhecia importantes desenvolvimentos.

O arranque em 2016 de um projeto de investigação arqueológica promovido pela Câmara Municipal de Vouzela tem no estudo daquela importante anta um dos seus grandes objetivos. Construída há seis mil anos, no período neolítico, apresenta um potencial ainda enorme e encerra muitas incógnitas. A sua arquitetura funerária não está bem esclarecida. O corredor parece ter sido acrescentado em época indeterminada e, junto à entrada, o declive mais abrupto da mamoa sugere a existência de um átrio, um espaço exterior onde então se teriam realizado rituais hoje impossíveis de recuperar. Achados similares noutros locais sugerem que aqui se encontrarão vestígios de fogueiras e oferendas às divindades, enquadradas por uma arquitetura própria. Os mortos depositados no interior terão sido acompanhados de diversos objetos, como potes em cerâmica, machados em pedra, arcos e flechas e adornos pessoais feitos em minerais então considerados preciosos. Como num templo, as paredes ostentam representações de símbolos de uma religiosidade entretanto desaparecida cujo estudo abre portas para o conhecimento das mentalidades destas gentes.
Na própria localização da anta, entre o litoral atlântico e o planalto beirão, palco de um dos mais imponentes conjuntos megalíticos nacionais, reside a importância muito singular que o megalitismo vouzelense assume a outra escala: como testemunho de interligação cultural e de passagem de pessoas e bens. O achado em 2016 de pontas de seta em sílex, ao que tudo indica oriundo do Ribatejo, é já um indicador dessas relações longínquas.
A recuperação da Lapa da Meruje para o conhecimento científico e para usufruto cultural dos vouzelenses e de quem nos visita, o que se prevê aconteça no final do projeto, será também valorizar e homenagear a dedicação que o seu primeiro estudioso nutria pelo Saber e pela sua terra.
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