ATUALIDADE (ED. 654)

Manhouce uma aldeia viva

Manhouce uma aldeia viva

• Patrícia Fernandes

Ed654_ManhouceNos próximos dias, espera-se em Manhouce milhares de pessoas. O motivo é a primeira edição da Feira de Vitela que arranca já na próxima sexta-feira, dia 16 e se prolonga até domingo, dia 18. Para além de promover um dos produtos mais ricos de Lafões: a vitela certificada, esta iniciativa que abrir portas para o futuro de Manhouce. A Gazeta da Beira esteve à conversa com os intervenientes da festa e conta em primeira mão o que se pode esperar desta primeira edição.

Há muito que em São Pedro do Sul se sonhava com um festival que promovesse a vitela de Lafões, agora é, finalmente uma realidade. A primeira feira está a chegar e são muitas as expectativas. Como refere o vice presidente do Município, Pedro Mouro, com este evento, para além de “promover a vitela e todos os produtos endógenos” pretende-se “dar a conhecer mais as nossas aldeias e as nossas serras por forma a potenciar todo o turismo gastronómico e etnográfico”.

Fazer do interior uma oportunidade

Ed654_VitelaComo adianta o vereador, a escolha de Manhouce deve-se ao facto de esta ser a freguesia com mais produtores da Vitela Certificada (recorde-se que, atualmente, o concelho de São Pedro do Sul produz cerca de 70%), mas, também, pelo objetivo do município na promoção do interior. Como acrescenta Pedro Mouro, “queremos valorizar as aldeias e quem nela se fixam e criam riqueza, queremos, efetivamente, combater a desertificação. No futuro a feira continuará a ter sede em Manhouce, pode, contudo, ter a participação de “outras freguesias, quem sabe de outros concelhos”.

Esta é portanto uma feira que quer abrir as portas para o futuro, este tipo de iniciativas pode trazer riqueza para a freguesia. Como defende Ângela Abreu, Coordenadora do CLDS+,“A etnografia, a paisagem são recursos que podem ser transformados para ter valor económico e estes eventos demonstram isso mesmo. Depois tem que haver um outro trabalho, a continuação da articulação e auto organização dos habitantes e o desenho de uma estratégia para os próximos investimentos nestes locais”.

A mesma opinião têm o Presidente da Junta. Para Carlos Laranjeira. “Manhouce tem muito para oferecer, alguns aspetos estão, contudo, fechados a sete chaves e considero que estas iniciativas contribuem para abrir essas portas. Este é um passo importante para trazer novos turistas à serra e com eles, também novos negócios para a freguesia”.

De facto Manhouce é uma freguesia cheia de potencialidades e merece esta festa. Como explica Isabel Silvestre, “Manhouce merece esta festa e muitas mais, principalmente nesta altura em que a serra veste o seu fato de gala roxo e dourado”. Como acrescenta a madrinha da feira, “há várias fontes onde os visitantes podem beber, importa comungar dos saberes, das tradições, das vivências, das canções das gentes das serras, importa conhecer a beleza natural dos montes, é importante que todos subam à serra e fiquem connosco”.

O que se pode esperar da Feira?

Os visitantes da feira, para além de poderem provar uma vitela com qualidade que, como garante, Carlos Laranjeira “até sem tempero é boa” podem testemunhar “a genuidade das gentes de Manhouce”. Como adianta Ângela Abreu, “os visitantes vão poder conhecer os trilhos de Manhouce e sentir o pó dos seus caminhos nos pés (Trail Running); contactar com o património etnográfico e cultural desta região “ao vivo e a cores”; ver os melhores espécimen de Raça Arouquesa de perto; comprar produtos de qualidade e artesanato representativos de todo o concelho de S. Pedro do Sul”.

Boa comida, boas compras, boa música e muito empenho de uma freguesia que quer ser uma aldeia viva. As grandes protagonistas desta iniciativa têm sido “as gentes de Manhouce” unidas em prol de um mesmo objetivo: a Terra. Como garante o Presidente da Junta, “Toda a gente está motivada e feliz, todos estão a colaborar.”. Como acrescenta Ângela Guimarães, este é “um evento em Manhouce e com as pessoas de Manhouce. As associações foram mobilizadas, articularam-se e vão promover um cortejo etnográfico; reproduzir cenas campestres durante o evento; mostrar o seu património numa exposição; fazem parte da programação cultural… Este trabalho de articulação e participação é muito importante e leva os residentes a ter uma perspetiva diferente daquilo que têm e que muitas vezes desvalorizam, mas que efetivamente pode ter valor económico”.

Para esta feira há ainda outra novidade. O município está a oferecer transporte gratuito das Termas e do Centro da Cidade para Manhouce. Uma iniciativa que vai continuar no futuro. Como avança Pedro Mouro, “na época alta, vai haver autocarros das Termas até à cidade, uma forma das pessoas comprarem no nosso comércio e conhecerem o nosso centro histórico”. Conclui.

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Redação Gazeta da Beira