Atualidade (Ed. 664)

Incêndio do Caramulo está a ser julgado em Vouzela

Reconstituição do crime deixa Tribunal mais perto da verdade

Os últimos dias têm sido decisivos para apurar a verdade. No passado dia 14 de outubro, houve uma reconstituição do crime. Por sua vez, Fernando Marinho, um dos acusados, já admitiu o seu envolvimento, embora o colega, Luís Patrick continue a negar. Várias testemunhas ouvidas em Tribunal dão consistência à acusação.

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Na Secção de Proximidade de Vouzela, os últimos dias têm sido marcado pelo julgamento do Incêndio do Caramulo, que deflagrou em agosto de 2013. Luís Patrick e Fernando Marinho respondem, em coautoria, por um crime de incêndio florestal, de quatro homicídios qualificados e de 13 de ofensa à integridade física qualificada. Sobre o primeiro recai ainda a acusação de condução sem qualificação legal.

 A reconstituição

Juízes, jurados, advogados e elementos do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR… no total, 40 pessoas subiram, no passado dia 14 de outubro, à Serra do Caramulo, na tentativa de reconstruir a noite fatídica de 20 de agosto de 2013.

Um GNR numa “scooter” bege (tal como a que, alegadamente, os suspeitos terão usado na noite do crime) foi a “personagem principal” que encenou todo o processo. Ficou comprovado que a pequena mota que em que os dois jovens seguiam no dia do incêndio consegue subir a serra pelo estradão, mesmo que, às vezes, tivessem que andar com ela a mão. Esta evidência coincide com o testemunho de Fernando Marinho que anteriormente, em colaboração com as autoridades, terá feito o mesmo percurso.

A confissão de Fernando Marinho

A reconstrução foi feita com base na investigação da GNR, mas, também, no testemunho de Fernando Marinho, que confessou ser o autor do incêndio de Silvares. Como disse em Tribunal, incitado pelo colega, terá ateado “cinco ou seis fogueirinhas”. Segundo o acusado, terá sido Luís Patrick a atear os outros dois incêndios: Alcofra e Meruge.

Como relatou Fernando Marinho, os dois seguiram pela Serra, depois de terem estado a consumir bebidas alcoólicas com alguns amigos na praia fluvial de Alcofra. As versões dos dois acusados não coexistem. Luís Patrick continua a afirmar-se inocente.

 Testemunhas dão força a acusação

No passado dia 13 de outubro, o adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Vouzela disse ter visto duas pessoas a descer a serra numa mota pequena, na noite de 20 para 21 de agosto, quando já combatia as chamas em Nogueira de Alcofra.

No mesmo dia, duas testemunhas confessaram ter sido contactadas por Luís Patrick que lhes terá pedido, para dizer, caso a polícia perguntasse, que tinham estado com os acusados na noite do crime. As duas jovens faziam parte do grupo de amigos que habitualmente se encontrava à noite na praia fluvial de Alcofra.

Fogo de Alcofra foi o que causou as mortes

Já na semana passada, a Polícia Judiciária e a GNR confirmaram que as mortes ocorridas no Caramulo foram provocadas pelo incêndio de Alcofra. A defesa de Luís Patrick ainda tentou contrariar esta afirmação, alegado que as mortes poderiam ter sido resultado de algum reacendimento. António Campos, mestre do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR foi perentório, os incêndios não se tocaram. Como explicou, o Fogo de Alcofra avançou em direção a Tondela; o de meruge queimou menos de um hectare de terreno e foi rapidamente extinto pelos bombeiros, já o de Silvares alastrou em direção à Penoita.

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Redação Gazeta da Beira