Cultura (Edição 830)

• Carlos Alberto Paiva / Fotos Ana Rosa e Hugo Carvalhal

Edição 830 (30/06/2022)

Poltrona

‘Stou sentado na poltrona

Desta minha covardia,

A curtir tão bela sorna

Como há muito não fazia.

 

Há cortejos, procissões,

Tudo é festa ao meu redor.

Indif’rente aos foliões,

Levo a vida bem melhor.

 

Mesmo sendo Carnaval,

Me mantenho assim lúgubre;

Se há corso sem igual,

Para mim, tem de ser fúnebre.

 

Não encontro distracção

Neste mundo que o valha,

Já é muita a emoção:

Não mexer nem uma palha.

 

Vi no chão da avenida

Uma nota ali sozinha

E só não colhi a dita

Para não partir a ‘spinha.

 

Meu Amor, não apareças,

Hoje então não pode ser,

Não me venhas com promessas,

Com trejeitos de prazer,

 

Vem apenas quando passe

Tão soturna nostalgia,

Ao cair o meu disfarce,

Sem saber que o trazia.



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