AGIM quer espalhar a marca: “Sever do Vouga capital do Mirtilo” pelo mundo

Nova coordenadora da AGIM em entrevista exclusiva

Nova coordenadora da AGIM em entrevista exclusiva

AGIM quer espalhar a marca: “Sever do Vouga capital do Mirtilo” pelo mundo

Há cerca de um mês e meio em funções, Sandra Santos dá uma grande entrevista à Gazeta da Beira. Depois de cerca de 8 anos, liderados por Sofia Freitas, em que a AGIM trilhou o caminho do sucesso, a nova coordenadora da AGIM defende uma aposta na continuidade. Em conversa com o Jornal, Sandra Costa fala-nos dos principais desafios desta associação. O futuro das fileiras do Mirtilo, o sector primário e a promoção do concelho de Sever do Vouga em destaque nesta entrevista.

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Gazeta da Beira (GB): Foi convidada para ser a nova coordenadora da AGIM, porque aceitou o desafio?

Sandra Santos (SS):Sobretudo por isso mesmo, por ser um desafio! Já conhecia bem a “mecânica” da AGIM, sempre acompanhei tudo bem de perto e sabia que estava num bom caminho, naquilo a que foram os objetivos definidos. Conhecer bem a equipa também foi um sinal de que realmente podemos fazer um bom trabalho, essencialmente, em prol de Sever do Vouga e da Fileira dos Pequenos Frutos, por todas estas razões e por toda a confiança depositada pela direção da AGIM, abracei o desafio.

GB: Neste momento, quais são os principais desafios e projetos da AGIM?

SS: Os desafios são constantes. Queremos continuar a apostar na fileira dos pequenos frutos e ao mesmo tempo promover ações que apoiem desde o produtor ao comercializador. Queremos ainda promover o consumo dos pequenos frutos em Portugal, nomeadamente continuar a apostar na associação já existente do mirtilo a Sever do Vouga, como capital deste fruto.

Os projetos passam por isto mesmo. Por um lado pela fileira, por outro Sever do Vouga, apostar no setor primário e tudo o que o possa envolver, como o apoio à transformação de produtos.

O Plano de Atividades da AGIM será apresentado em Novembro e muitas novidades terá! Há sempre uma certeza que acompanha os nossos desafios: a experiência que já detemos permite-nos ser ambiciosos!

GB:O novo quadro comunitário é, com certeza, uma das prioridades da Associação. O que é que está a ser feito neste sentido?

SS: É mesmo! Estamos atentos e a acompanhar toda a informação que vai sendo libertada pelos responsáveis. Preocupa-nos em acompanhar os nossos clientes e apoiar no que vai sendo possível. Logo que tenhamos toda a informação necessária sobre o novo quadro, pretendemos organizar uma ação de divulgação, para que assim possamos captar cada vez mais empreendedores no que se refere ao setor agrícola.

A comercialização, transformação do fruto, desenvolvimento rural, entre outros, são temas a que também estamos atentos, pois queremos diversificar a nossa área de apoio no que se refere a este tema.

GB:A campanha passada foi marcada pelo “alarme” de uma situação de crise no sector dos Mirtilos. A Mirtilusa, por exemplo, disse publicamente estar a ter grandes dificuldades para escoar o produto. Finda a campanha, que balanço podemos fazer? Os números superam a anunciada crise no início da campanha? Ou confirmaram-se as piores expectativas?

SS: A campanha do mirtilo começou com preços muito baixos, mas foi melhorando gradualmente e terminou bem, com o mirtilo a atingir preços bastante aceitáveis.

Foi um ano atípico, ditado pelas condições climatéricas em Portugal e nos outros países da Europa, que se refletiu nos preços não apenas do mirtilos mas de muitas outras frutas. Podemos mesmo dizer que a baixa de preços foi transversal a quase todo o setor hortofrutícola nacional.

Contudo, os comercializadores de pequenos frutos já estão habituados a estas oscilações de preços, que são cíclicas, e, regra geral, os preços verificados, ficando longe dos praticados no ano passado, não foram de modo algum catastróficos para o setor, tendo mesmo sido escoado todo o mirtilo produzido.

GB: Para o ano de 2015 que papel poderá ter a AGIM para que a Campanha traga bons resultados para os agricultores e ultrapasse os números de 2014.

SS: O aumento da produção do mirtilo em Portugal vai ser uma realidade constante ao longo dos próximos anos, fruto das inúmeras plantações que estão a surgir em todo o país. Para se ter uma ideia, atualmente Portugal produz cerca de 400 toneladas anuais de mirtilo, concentradas em Sever do Vouga e concelhos limítrofes e em Grândola. Estima-se que, nos próximos cinco anos, se atinjam as 10 mil toneladas anuais de mirtilo produzidas em Portugal em resultado dos cerca de mil hectares deste pequeno fruto que estão a ser plantados. Isto representa um aumento de 2.500%!

O papel da Agim será o proporcionar as condições necessárias para que todos os agentes desta fileira possam fazer um trabalho de reconhecida qualidade, que seja proveitoso para todos. Isso passa por continuar com ações de formação, encontros de produtores, de comercializadores e de técnicos, em suma, dotar todos os “players” da fileira do mirtilo de todo o conhecimento técnico necessário a um bom desempenho.

Outro ponto importante – e sobre o qual a Agim tem vindo a insistir e continuará a faze-lo – é acerca da necessidade que produtores e comercializadores do país têm em se associarem e das inúmeras vantagens que daí advêm. Temos que tomar consciência que somos uma gota no oceano do mercado global e que cada um por si será cada vez mais difícil alcançar os resultados desejados. Todos devemos ter consciência que, na fileira dos pequenos frutos, como em qualquer outro ramo de atividade, a união faz a força.

GB: Que estratégia a AGIM vai seguir para promover a marca “Sever do Vouga Capital do Mirtilo” a nível nacional e internacional?

SS: A AGIM quer colocar a marca espalhada pelo mundo, através de ações muitos específicas que iremos revelar à medida que vão sendo aprovadas e executadas. É uma marca forte e que deve ser explorada ao máximo, faz todo o sentido.

GB: Os mirtilos têm sido bastante importantes para o concelho. Não só em termos agrícolas, mas também turísticos e de promoção do concelho. Recentemente foi anunciada a possibilidade de criar a “Mirtilândia”. Concretamente, que benefícios pode trazer este novo espaço para a AGIM e para Sever do Vouga?

SS: De facto, a Câmara Municipal de Sever do Vouga está a pensar em avançar com um projeto relacionado com a cultura do mirtilo, uma atividade bastante importante para a economia do concelho e o maior e melhor embaixador do nome de Sever do Vouga por todo o país e mesmo no estrangeiro. A criação de um espaço temático ou um museu dedicado ao mirtilo é, sem dúvida, uma excelente ideia que virá proporcionar a visita de mais visitantes ao concelho que virão em busca deste novo polo de interesse sobre este pequeno fruto. Este futuro projeto irá contribuir, com toda a certeza, para a afirmação de Sever do Vouga como Capital do Mirtilo. Sendo um projeto municipal, a Agim mostra toda a disponibilidade para participar no que a edilidade bem entender, seja com o seu conhecimento técnico, seja com material para o seu acervo ou mesmo para uma eventual parceria.

GB: Relativamente à Bolsa de Terras qual é o ponto de situação. Quantos agricultores já avançaram com o projetos e quantos é que ainda podem vir a avançar?

SS: A Bolsa de Terras começou com 20 novos produtores que ocuparam uma área de cultivo de 30 hectares em terrenos da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros, nas freguesias de Rocas do Vouga e Silva Escura. Posteriormente alargámos a Bolsa de Terras a todo o concelho, pois verificámos que a procura de terrenos por parte de jovens agricultores foi manifestamente superior à oferta disponível. Assim sendo, houve uma reabertura da Bolsa com terrenos privados que já foram atribuídos.

Muito em breve pretendemos ter mais quatro parcelas disponíveis, sendo que de momento temos quase todas as candidaturas em análise e estimamos que parte dos resultados surja até ao fim do ano.

GB: Com esta medida a produção de mirtilos deve aumentar progressivamente nos próximos anos. Quais os números atuais e que estimativa pode fazer?

SS: Sever do Vouga produz atualmente cerca de 150 toneladas de mirtilos. Estima-se que este número aumente substancialmente nos próximos anos graças não só ao projeto Bolsa de Terras como também à evolução dos pomares, que com o passar dos anos, naturalmente, produzem mais, podendo mesmo vir a triplicar o número de toneladas anuais. Trata-se de uma realidade que acompanha a tendência nacional onde também se verifica uma enorme expansão no cultivo do mirtilo.

GB:O sector do Mirtilo pode chegar a um ponto de saturação? Ou ainda é rentável apostar neste setor?

SS: No mercado global, a produção nacional de mirtilo representa menos de 0,01%. Somos uma gota no oceano.

Também o mercado nacional tem uma grande margem para crescimento, tem é que ser bem trabalhado.

Apostar na qualidade é fundamental, para isso é necessário muita dedicação e apoio técnico. Parece-me que só assim o produtor terá uma boa rentabilidade.

GB: Agora que assumiu a coordenação onde é que gostava de levar a AGIM. Ou seja, quais são as suas ambições a curto e a médio prazo para esta associação?

SS: AGIM como associação de referência, essencialmente na fileira dos pequenos frutos e no que se refere ao apoio ao concelho de Sever do Vouga, naquilo a que são as suas competências.

Quero associar a AGIM ao desenvolvimento do sector primário, desde o apoio ao pequeno produtor à divulgação do seu produto a nível internacional.

As ideias são muitas, as apostas e os desafios também. Vamos trabalhar, é uma certeza!

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Redação Gazeta da Beira