Fauna e Flora de Lafões (Ed. 822)

• Nuno Campos*

Edição 822 (24/02/2022)

O Ralo (Gryllotalpa sp.)

Quis partilhar convosco o quão curioso é identificar um som nas noites calmas e menos frias que vão surgindo agora com o início da Primavera, festejadas pelas centenas e centenas destes animais fantásticos: os grilos-toupeira, aqui na nossaq zona conhecidos como “ralos”.

Muita gente nunca viu nenhum, mas quem trabalha no campo conhece-os perfeitamente e, geralmente não gosta deste animal fantástico, porque o atribuem a destruição das plantações.

O aspeto deste ser, mais parece algo saído de um filme de ficção científica. Está completamente adaptado à vida no sub-solo, mas não é muito difícil encontrá-lo à superfície da terra. O “ralo” não gosta nada de ser apanhado por mãos humanas, e defende-se com uma mordida.

Os ralos pertencem ao género Grillotalpa que se pode traduzir por grilo-toupeira, como é conhecido em vários países, por passarem a vida a escavar túneis com as patas dianteiras.

São castanhos e têm o corpo coberto por uma fina camada de pêlo. Apenas os adultos têm asas podendo deslocarem-se nas noites quentes de Verão. Na cabeça possuem peças bucais muito desenvolvidas e antenas curtas. As patas dianteiras além de servirem para escavar, servem também para defender os seus territórios.

Os machos podem medir entre 3,5 a 4 cm e as fêmeas entre os 4 e os 5 cm

Em finais de Julho, as fêmeas põem entre 100 a 350 ovos numa espécie de ninho com 6 a 10 cm de diâmetro, a uma profundidade de 30 a 40 cm, escavados por elas mesmas. Esses ovos eclodem após 20 dias necessitando de muita humidade e ficam sob a guarda da mãe durante as primeiras 2 a 3 semanas. As larvas passam por 2 fases no seu primeiro ano de vida. As ninfas começam a desenvolver-se a partir da Primavera seguinte e por vezes a sua fase de desenvolvimento pode ir até ao terceiro ano.

Os machos também escavam galerias mas com a finalidade de funcionarem como amplificadores para se poderem fazer ouvir até à distancia de uns 600m, atraindo assim fêmeas solitárias, interessadas em “namorar”… que podem ter muito que caminhar .

Hibernam durante o Inverno dentro dos túneis que podem estar até a 1 metro de profundidade, retomando a sua actividade com a chegada da Primavera.

É um insecto omnívoro, nada preocupado com dietas especiais. Come minhocas, larvas de insectos, mas também tubérculos e rizomas de plantas hortícolas e ornamentais, assim como beterraba, batata, mas também melão, abóbora, girassol, morango, cereais. No entanto têm uma importante função no ecossistema, e ajudam à permeabilização e arejamento dos solos.

Devido aos seus hábitos alimentares, acaba por ser perseguido pelos agricultores que fazem lavras profundas para destruir as suas galerias, aplicam produtos químicos e iscos com veneno. É tremendamente errado!

Além do homem também tem outros inimigos como os mamíferos insectívoros, formigas, ácaros e algumas aves, como é o caso do estorninho, gralhas, gaios, pegas, peneireiros, mochos e corujas.



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