FAUNA e FLORA de LAFÕES (Ed. 814)

• Nuno Campos*

Edição 814 (28/10/2021)

Salamandra-de-Pintas-Amarelas

Foto de Nuno Campos

Estes dias chuvosos de Outono são uma das melhores alturas para procurarmos salamandras-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra). É nesta fase que estes anfíbios estão a sair dos seus esconderijos para procurar parceiros e reproduzirem-se.

A melhor altura para os encontrar é ao anoitecer, uma vez que estes anfíbios são animais de hábitos nocturnos, estando mais ativas do Outono até Maio, com o objetivo de encontrar parceiros. Nestas noite, o mais provável é encontrar salamandras solitárias à procura de parceiro.

Muitas vezes, os machos ficam parados, de cabeça erguida, à procura de sinais olfativos das fêmeas mais próximas. Esta estratégia, ainda que eficaz no mundo das salamandras-de-pintas-amarelas, acarreta sérios riscos de atropelamento…

Quando se encontram, começa o ritual de acasalamento (terrestre). O macho coloca-se debaixo da fêmea, entrelaçando as caudas, até libertar o seu espermatóforo, que a fêmea recolhe com a sua cloaca. A seguir, as fêmeas dirigem-se para os charcos.

As fêmeas de salamandra-de-pintas-amarelas não põem ovos; dão à luz entre 20 a 40 larvas já com guelras, nas águas calmas dos charcos. É aqui que as pequeninas salamandras vão acabar a sua metamorfose.

A salamandra-de-pintas-amarelas é capaz de um feito incrível: Quando há pouca água e não há condições ideias para libertar as suas larvas, este anfíbio tem a capacidade de se adaptar. Então, as pequeninas salamandras terminam toda a metamorfose ainda dentro da barriga da mãe, e não na água do charco. Quando nascem, ainda que em menor número, já parecem miniaturas dos adultos.

Os padrões das pintas amarelas podem ser bastante variáveis e podem ajudar a distinguir subespécies diferentes em Portugal. Por exemplo, pode encontrar salamandras mais amarelas do que pretas e outras com pintas vermelhas.

É também conhecida como a salamandra-de-fogo, pois havia quem pensasse erradamente que ela vive no fogo. Isto porque esta espécie se esconde entre os troncos que eram levados para as lareiras, acabando por fugir quando era ateado fogo, parecendo que nasciam das chamas.

As salamandras podem medir cerca de 20 cm (no Sul de Portugal já se encontrou uma com 25,3 cm!) e podem viver até aos 20 anos. Em cativeiro podem chegar aos 50 anos de idade.



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