FAUNA e FLORA de LAFÕES (Ed. 821)

• Nuno Campos*

Edição 821 (10/02/2022)

O LOBO IBÉRICO – Canis lupus

Ações de sensibilização para produtores pecuários ou gente interessada em saber mais sobre a espécie presente no nosso território

O LOBO IBÉRICO – Canis lupus Foto de Armindo Ferreira ©

Descrição: Espécie em perigo de extinção que se encontra protegida por leis nacionais e comunitárias. Possui cabeça volumosa, de aspeto maciço, com orelhas rígidas e triangulares, relativamente curtas e pouco pontiagudas. Os olhos são frontalizados, oblíquos, em relação ao focinho, e cor de topázio. No focinho, apresenta uma região mais clara, em tons branco sujo, que parte obliquamente da garganta até ao ângulo externo do olho. Os membros são fortes e robustos, com uma coloração entre o castanho e o bege, internamente, e o castanho e o ocre, externamente. Exibe faixas longitudinais negras na superfície anterior dos membros dianteiros, sendo a característica que distingue esta subespécie. O dorso é marcado por uma lista negra, que se estende do pescoço à cauda. O tronco exibe uma pelagem de coloração castanho-amarelado.

Habitat: Áreas montanhosas (generalista na seleção de habitat dependendo essencialmente da disponibilidade de alimento e níveis de perturbação).

Onde encontrar em Lafões: Serra da Arada, Serra do Arestal e Serra de São Macário, mas também no vale, das freguesias de Santa Cruz da Trapa, Carvalhais, Serrazes…

Estatuto de Conservação:

Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal – Em Perigo

Diretiva Habitats (Anexo B-II, B-IV e B-V)

Convenção de Berna (Anexo II)

Prejuizos e compensações: Um dos fatores que mais contribui para a existência de conflitos entre as comunidades rurais e a presença do lobo, são os prejuízos que estes causam nos rebanhos. Em Portugal, esta situação é particularmente evidente, em virtude da escassez das presas naturais do lobo, os cervídeos silvestres. Como resultado, este predador alimenta-se quase exclusivamente de animais domésticos. Esta situação conduz à intolerância face ao lobo e à sua perseguição pelas comunidades rurais, o que colocou esta espécie em perigo de extinção no nosso país.

Em virtude desta ameaça, foi elaborada uma lei específica para este predador, a Lei de Protecção do Lobo Ibérico (Lei 90/88 e Dec-Lei 139/90). Como uma das medidas para a conservação deste predador, a lei determina o pagamento de indemnizações aos criadores de gado pelos prejuízos atribuídos ao lobo. Este pagamento é efetuado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, em toda a área de distribuição do lobo, através das Áreas Protegidas responsáveis pela comprovação das situações de predação após reclamação dos criadores de gado.No entanto, a referida medida não é suficiente, pois trata-se de uma medida passiva, que não irá contribuir para diminuir a causa dos conflitos. É necessário o desenvolvimento de medidas práticas que contribuam efetivamente para reduzir a predação nos animais domésticos e minimizar os prejuízos económicos resultantes. A aplicação de sistemas de produção e de proteção do gado que sejam compatíveis com a conservação dos predadores ameaçados de extinção é pois uma condição essencial para que a coexistência com o homem seja uma realidade. Com o reconhecimento da importância da conservação da biodiversidade, torna-se necessário o desenvolvimento de uma produção agrícola e pecuária que tenha em consideração a conservação do meio ambiente. Enquanto a União Europeia subsidia a produção animal em moldes tradicionais e a recuperação das raças autóctones, também apoia o desenvolvimento de estudos e de medidas que permitam a recuperação de espécies ameaçadas, como o lobo.

Cão de gado e cercas: Como método de proteção o cão de gado destaca-se pela sua utilização generalizada e capacidade de adaptação às diferentes situações de pastoreio e de maneio tradicional do gado. Contudo, a correta utilização destes cães tem vindo a diminuir, o que contribui para o aumento do número de prejuízos. O desinteresse pelos cães de gado, na sua função original, conduziu também à diminuição do número de exemplares de cada raça, o que está a contribuir para o aumento do grau de consanguinidade e para a diminuição da variabilidade genética das raças, com consequências negativas na viabilidade individual e nas características reprodutoras, como a fertilidade e a fecundidade. Nas últimas décadas, a utilização dos cães de gado tem sido recuperada, ou introduzida, em vários países por todo o mundo, por constituir uma forma prática e eficaz de diminuir os prejuízos económicos resultantes dos ataques causados pelos predadores, especialmente em regiões onde estes se encontram ameaçados, como é o caso do lobo na maior parte dos países Europeus.Esta parece ser uma boa solução para reduzir os conflitos que podem resultar entre a produção pecuária e a presença do lobo, aumentando a tolerância para com este último grande predador da nossa fauna e permitindo a sua conservação para as gerações futuras.

Ações de Sensibilização: No mês de Fevereiro irão ser realizadas diversas sessões de esclarecimentos por parte do Biólogo Dário Hipólito, no concelho de Arouca, Castro Daire e São Pedro do Sul de modo a informar a população sobre o lobo-ibérico e as ferramentas existentes ao dispor dos agricultores e produtores de gado para uma melhor coexistência entre todos.

Para já são estas as sessões confirmadas, estamos a tentar chegar a todas as freguesias que tenham ou não tenham presença de lobo-ibérico!
Se a sua freguesia não se encontra nesta lista poderá deslocar-se a uma freguesia vizinha ou aguardar.

Ficam os contactos para duvidas sobre estas ações.

Esperamos por todos!



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