
• Nuno Campos*
Edição 820 (27/01/2022)
O Corvo-marinho-de-faces-brancas
• Fotos de Horácio Ribeiro
Em Lafões, surge principalmente ao longo do Rio Vouga
O corvo-marinho está presente em todos os continentes à exceção da América do Sul e da Antártida. As populações que nidificam no norte e no centro europeusinvernam sobretudo nos países do sul da Europa, tanto na costa atlântica como na mediterrânica. Desde 2007 que alguns casais nidificam na albufeira de Alqueva. Em Portugal, ocorre principalmente de setembro a abril, frequentando sobretudo o litoral, mas também o interior. Parte da população invernante no nosso país deverá ter origem nos países banhados pelo Mar do Norte.
Em Lafões, surge principalmente ao longo do Rio Vouga, mas também em alguns rios afluentes, pequenos diques ou barragens, a presença desta aves tem sido cada vez mais uma constante. Esta ave possui uma silhueta preta, de bico e cauda compridos, a voar à superfície da água ou com as asas abertas a secar ao sol, rapidamente nos diz que estamos na presença de um corvo-marinho.
A espécie é abundante como invernante no litoral do Continente
Conservação
Globalmente, esta espécie regista uma tendência favorável de crescimento. O corvo-marinho está na origem de conflitos com o Homem um pouco por toda a Europa, incluindo Portugal. Esta espécie é acusada por piscicultores e por pescadores de causar um impacto negativo sobre as populações de peixes. Embora em certos casos estas acusações possam ser justificadas, no nosso país, a predação sobre espécies de peixes com valor comercial parece ser ainda pouco importante

Evolução Populacional
Nos últimos 30 anos a população invernante tem aumentado de forma continuada em Portugal, possivelmente devido ao aumento do habitat disponível e sobretudo ao crescimento das populações do norte e centro europeus. A espécie é abundante como invernante no litoral do Continente, nomeadamente nos estuários do Tejo e do Sado e na Ria Formosa, sendo também relativamente comum em algumas zonas do interior. Em 1981 a população invernante foi estimada em 1000 indivíduos, no início da década de 1990 em 8000 a 10 000 indivíduos e em pouco mais de 15 000 indivíduos em janeiro de 2013. As estimativas mais recentes devem pecar por defeito, pois atualmente há muitos corvos-marinhos a invernar em ribeiras do interior que não são alvo de censos sistemáticos. No entanto, e ao contrário do que se possa pensar, não estão ainda em sobrepopulação, apesar dos conflitos existentes, sobretudo por parte dos pescadores.

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