EDITORIAL (Ed. 646)

A maré está a levantar-se

A maré está a crescer. Levantou-se no município de São Pedro do Sul, quando alguns pensavam perpetuar-se no poder, usando ameaças para quem os afrontasse, “concursos dirigidos” e donativos de seis mil euros para amigos.

A maré levanta-se por todo o país.

As manifestações contra o governo, durante a fase de discussão do Orçamento de Estado para 2014, alargaram-se a todos os sectores da sociedade e atingiram uma escalada inédita em Portugal.

O dia da aprovação do OE pela maioria governamental na Assembleia da República, coincidiu com inúmeros protestos nas ruas e à porta da AR: manifestantes exigiram demissão do governo. No Porto, a greve dos transportes deixou a cidade paralisada, no IC19 uma marcha lenta com buzinão foi a forma escolhida para o protesto, os taxistas de Lisboa juntaram-se também à porta do Parlamento.

Até a Confederação Nacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas convocou os seus associados para uma manifestação. As microempresas representam a esmagadora maioria do tecido empresarial português, empregavam, em 2011, 42% dos trabalhadores do sector empresarial, de acordo com dados publicados na passada segunda-feira pelo Eurostat. Estão a ser destruídas. Os neoliberais dizem, felizes, que é a “destruição criativa”.

Juntas, as microempresas e as pequenas e médias empresas (PME) representavam 99,8% das sociedades (95% eram microempresas e 4,9% eram PME), totalizando cerca de 831 mil das 832 mil empresas que o gabinete estatístico contabiliza em Portugal. Dão emprego à maioria das famílias portuguesas.

Ao mesmo tempo, os Ministérios da Economia, da Saúde, do Ambiente e das Finanças, em Lisboa, foram ocupados em protesto contra os cortes previstos pelo Orçamento de 2014.

ortuguês, empregavam, em 2011, 42% dos trabalhadores do sector empresarial (…) Juntas, as microempresas e as pequenas e médias empresas (PME) representavam 99,8% das sociedades (95% eram microempresas e 4,9% eram PME), totalizando cerca de 831 mil das 832 mil empresas que o gabinete estatístico contabiliza em Portugal. Só 0,1% do total (cerca de 832 sociedades) eram grandes empresas.»

Dias antes, foi a greve dos magistrados do Ministério Público, contra a degradação dos seus vencimentos e a redução de pessoal, que atingiu 90% de adesão. Três associações de militares fizeram um protesto simbólico, dentro dos quartéis, contra os cortes orçamentais; o Conselho de Reitores das universidades cortou relações com o Governo e, no mesmo dia, a manifestação dos estudantes exigiu a demissão do governo.

Em Lisboa, a maior manifestação se sempre das forças de segurança subiu as escadarias da Assembleia da República e exigiu a demissão do governo.

Facto inédito é também o facto de um ex-presidente da República exigir a demissão do presidente da República por não ser capaz de fazer cumprir a Constituição.

Foi na aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, que o ex-presidente considerou que as privatizações são a venda do país a retalho, e os cortes nas pensões põem o Estado Social em causa.

Este governo, com a ânsia de bem servir o capital financeiro, está a destruir a economia real.

———————————————————————————-

Mais editoriais

Ranking das escolas ou ranking social?
Inaceitável pressão da União Europeia sobre o Tribunal Constitucional de Portugal (Editorial Ed. 641)
Editorial (Ed. 640)