Fernando Carneiro fala do futuro de Castro Daire
Fernando Carneiro, depois de vencer indiscutivelmente nas urnas, inicia um novo mandato com confiança reforçada em Castro Daire. Apologista de uma política de proximidade, na qual, as pessoas são a base central, Fernando Carneiro promete o mesmo rigor nas contas do município, a mesma vontade de trazer novos investimentos e a mesma perseverança, a que já habituou os castrenses, na luta pelos serviços públicos. Neste novo mandato, Fernando Carneiro tem um novo desafio, foi, recentemente, eleito para vice-presidente da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões, sendo o primeiro político castrense a ter lugar neste organismo regional.
Em entrevista à Gazeta da Beira, Fernando Carneiro fala dos projectos para Castro Daire e para a região Dão-Lafões e da sua vida enquanto autarca.
Gazeta da Beira- Nas eleições autárquicas de Setembro passado foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Castro Daire. Os resultados foram muito expressivos. O PS ganhou com uma maioria a rondar os 54%, mais 10% do que no passado ato eleitoral e mais 18% do que o segundo partido mais votado (PSD). Perante este cenário, como é que inicia este segundo mandato? Qual é o significado que dá a estes valores?
Fernando Carneiro- Perante este cenário de maioria absoluta expressiva e expressa nos resultados eleitorais, inicio o segundo mandato com a mesma determinação, o mesmo rigor e trabalho para atingir o objectivo principal que é trazer o bem e a qualidade vida aos castrenses. É muito bom e reconfortante ver a manifestação de confiança e esperança expressa nos resultados eleitorais, é um orgulho e estimulo para mim, para a equipa que lidero, para os elementos da lista da assembleia municipal bem como das várias equipas que concorreram às atuais 16 freguesias do concelho. Perguntam-me qual o significado que dou a estes valores? O primeiro significado é que os castrenses apreciaram e gostaram mesmo muito o trabalho concretizado nos primeiros 4 anos, o meu primeiro mandato, o segundo significado é a confiança total que depositaram em mim, na equipa que lidero e nas pessoas que se envolveram na campanha eleitoral para a continuação do mesmo trabalho, o terceiro significado, assumo por inteiro a responsabilidade, expressa nos resultados eleitorais, de continuar a percorrer o caminho que está traçado.
GB – Quais os principais desafios e quais as principais metas a que se propõe no mandato que agora se inicia?
FC– Depois de no meu primeiro mandato ter feito o saneamento económico e financeiro do Município, reduzindo substancialmente a divida, é fundamental neste mandato continuar com o mesmo rigor no controlo das finanças do município. Outro grande desafio é aproveitar todas as verbas disponíveis para o concelho através do overbooking do QREN bem como de todas verbas destinadas ao município no próximo quadro comunitário, CRER 2020. Uma grande meta deste mandato é a requalificação de várias ETARs do concelho.
GB– Neste novo mandato foi eleito para o cargo de vice-presidente da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões. Qual a importância desta eleição para Castro Daire? Na linha da frente desta comunidade quais são, segundo o seu ponto de vista, as prioridades para a região?
FC– É uma grande honra para o Município de Castro Daire e também uma grande honra e orgulho pessoal, pois foi pela primeira vez reconhecido a nível regional o trabalho desenvolvido por um político castrense. A principal preocupação da CIM Viseu Dão Lafões neste momento é conseguir concretizar todo o investimento do atual quadro comunitário (QREN) e lutar por todas as verbas no próximo Quadro Comunitário, CRER 2020, para fomentar o desenvolvimento de todos os 14 municípios que compõem esta comunidade.
GB – Enquanto Presidente da Câmara de Castro Daire tem lutado para manter os serviços públicos no concelho. Qual é o ponto de situação? O Que é que o município pensa fazer, no futuro, para contrariar estas medidas do poder central?
Tudo tenho feito para que a administração central não faça o encerramento dos serviços públicos essenciais para que os castrenses tenham o mesmo tratamento que os habitantes das localidades onde o poder central não prevê o seu encerramento. Atualmente estou à espera de uma reunião com a Sra. Ministra da Justiça, quanto aos outros serviços públicos estamos atentos. Se o poder central continuar com o propósito de encerrar estes serviços, aos municípios “contemplados” por esta decisão só resta serem unidos e solidários na luta pelos direitos dos seus munícipes.
GB– Ao longo da campanha eleitoral sempre reforçou que a sua grande prioridade eram as pessoas. Que medidas concretas está o município a desenvolver no âmbito da acção social? O Enxoval do Bebé, o Gabinete de Apoio ao Reformado e o Cartão Viver+ são para continuar? Até então, que efeitos práticos tiveram estas medidas em Castro Daire?
FC– Sim, a minha grande prioridade são as pessoas e essencialmente as pessoas mais desprotegidas, como são as crianças, os desempregados, os podres, e os idosos. A acção social tem-se desenvolvido em 3 grandes eixos, a Acção Social Escolar, a Melhoria Habitacional, a Loja Social que distribui bens essenciais pelas pessoas carenciadas. O Enxoval do Bebé é para continuar e a partir de Janeiro deste ano o valor foi reforçado para 750€ por criança natural de Castro Daire, nesta medida temos vários efeitos práticos, como o apoio essencial nos primeiro meses de vida, apoio à natalidade e por fim sabermos qual a taxa de natalidade que existe no município, uma vez que a maioria das crianças do concelho nasce fora do concelho e antes desta medida eram registados com a naturalidade de onde nasciam. O Gabinete de Apoio ao Reformado foi uma excelente medida, além da utilidade demonstrada pela afluência dos reformados obrigados pela primeira vez a entregar o IRS, foi noticiada pela comunicação social como um exemplo excelente para resolver os problemas das pessoas, claro que é para continuar reforçado com novas valências como pedir a isenção de IMI, e mantê-lo aberto todo o ano para a resolução de problemas que preocupam esta facha etária. O Cartão Viver+ é para continuar, e o regulamento de atribuição irá ser reformulado para atingir todas as pessoas com o grau de carência elevado com as seguintes valências: Viagens gratuitas nas carreiras públicas durante todo o ano; comparticipação na factura dos medicamentos; acesso aos tratamentos Termais nas Termas do Carvalhal; Acesso às Piscinas Municipais; entre outras…
GB– As Termas do Carvalhal, o Rio Paiva e a Serra do Montemuro dão a Castro Daire grande potencialidade turística. Quais as medidas que o município está a desenvolver neste sentido?
FC – Nas Termas do Carvalhal foi feita a requalificação da envolvente termal, foi ainda feito o projeto para a requalificação e ampliação do Balneário Termal. O rio Paiva está a ser objeto de construção de uma praia fluvial no Lodeiro. Neste novo quadro comunitário estão previstas mais 3 praias fluviais. Estão a ser desenvolvidos novos percursos pedestres que serão inaugurados durante este ano e é nosso objetivo continuar a melhorar o troço concelhio do Caminho Português Interior de Santiago. A requalificação do Solar dos Mendonça vai permitir ao Município instalar neste espaço o novo Centro de Interpretação Montemuro e Paiva. O Município de Castro Daire assinou também recentemente a Carta Europeia de Turismo Sustentável para o território das Montanhas Mágicas (Território dos sete Municípios que constituem a ADRIMAG). A CETS é um instrumento que estabelece, de uma maneira concreta, os princípios do turismo sustentável nas Áreas Protegidas e Classificadas e como se podem aplicar no território. Tem sido elaborada em Áreas Protegidas e Classificadas Europeias juntamente com empresários turísticos e outros atores locais.
GB – A requalificação e a ampliação do balneário termal seria uma mais-valia para o município? A candidatura ao Quadro Europeu CRER 2020 já foi efectuada?
FC– Quanto às termas do Carvalhal que com tão boas acessibilidades quase podemos dizer que se encontram às portas da Europa, daí termos reconhecido o potencial turístico desta estância termal e apostado num projeto de renovação e ampliação do Balneário Termal atual, projeto esse que já se encontra aprovado e irá ser candidatado já no próximo quadro comunitário.
GB– O Festival da Água e Aventura, o qual foi aprovado no mandato anterior, já tem data marcada? Em que moldes vai ser efectuado?
FC – O Festival de Água e Aventura será realizado durante o ano de 2014. Este festival consiste na realização de várias atividades desportivas capazes de cativar participantes nacionais e internacionais. Promovido pela ADRIMAG em conjunto com os sete Municípios este Evento que se pretende venha a contribuir significativamente para a projeção interna e externa do território abrangido pelas serras de Montemuro, Arada e Gralheira e da riqueza, diversidade e qualidade dos seus recursos naturais (hídricos, geológicos, florísticos, faunísticos…), bem como das atividades desportivas, hard e soft, que é possível praticar nestes espaços, em contato direto e em perfeita harmonia com a natureza, observando os princípios básicos da sua proteção e conservação. Com esta iniciativa pretende-se também valorizar e promover os recursos endógenos, especialmente os naturais ligados à montanha e à água, criando um novo instrumento de promoção e divulgação do território, valorizando o que de melhor temos para oferecer em termos de património natural. Desta forma estaremos também a dinamizar a economia local e mais concretamente as empresas ligadas à indústria do turismo;
GB– Relativamente à área do empreendedorismo, um dos objectivos que traçou para este novo mandato foi a criação de uma zona industrial entre Cela e Lamas, um gabinete de apoio ao empreendedor e uma incubadora de empresas. O que é que já foi feito neste sentido? Que outras medidas estão pensadas para combater o desemprego?
FC – Espero que todos estes objectivos sejam cumpridos durante o atual mandato, aproveitando as verbas do novo quadro comunitário para o financiamento. Para combater o desemprego estamos a pensar no incentivo às pequenas e médias empresas que se queiram instalar no município e sejam uma mais-valia para a criação de postos de trabalho. Terão da parte da Câmara Municipal condições vantajosas para o fazer, como cedência de lotes a preços baixos, apoio ao nível das infraestruturas energéticas e de projetos de financiamento bem como ao nível dos licenciamentos, isenções (totais ou parciais) e reduções de taxas ou impostos
GB – Que efeitos práticos está a ter o dia do munícipe? A proximidade com os castrenses é um dos seus valores enquanto presidente da Câmara? Como é que pretende efetivar essa proximidade?
FC– O dia do munícipe, ou como nós o chamamos, dia do idoso, é um dia por excelência dedicado ao convívio e partilha dos reformados. Quando falam desse dia é com grande alegria e satisfação que o faço, uma vez que é um dia ansiosamente esperado pela população mais idosa. Neste dia o Presidente da Câmara não é Presidente da Câmara, é o amigo Fernando, assim sou tratado por quase todos os participantes deste convívio, quer sinal de mais proximidade? Quer valor maior da proximidade de um autarca e dos seus munícipes? Temos ainda como sinal de proximidade o dia de atendimento ao munícipe, instituído por mim no início do primeiro mandato.
GB – A nível de contas, no último mandato, Castro Daire deu um grande “salto” no ranking dos municípios mais bem geridos. Em quatro anos foram pagos cerca de 4 milhões de euros em dívidas. Atualmente, podemos considerar que o município já tem as contas equilibradas? Para este novo mandato qual é, neste âmbito, o objectivo?
FC– Durante este último mandato, não só reduzimos as dívidas a fornecedores como o prazo médio de pagamento. Podemos afirmar neste momento que não temos pagamentos em atraso calculados ao abrigo do LCPA (Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso) ou seja com prazo superior a 90 dias, mesmo sem recorrer ao PAEL (Programa de Apoio à Economia Local). Tivemos que alinhar toda a nossa estratégia com as imposições legais que surgiram nestes últimos tempos na sequência de um cenário de crise e dos respetivos programas de ajustamento. Como objetivo pretendemos continuar com este comportamento de cumprimento, tentando explorar ao máximo as oportunidades resultantes da abertura do novo quadro comunitário. Somos um Município com um nível de receita própria relativamente baixa, as transferências do Orçamento de Estado todos os anos têm sofrido cortes logo a realização dos nossos projetos, muitos deles de investimento elevado, depende da destreza da negociação dos financiamentos comunitários. Quanto às dívidas de médio e longo prazo também sofreram uma diminuição em mais de 2 milhões de Euros.
GB– Um das frases centrais da sua campanha foi “futuro com confiança”. Qual é o futuro
deste concelho?
FC – Sempre e agora, o que nos deve preocupar é o futuro, e foi isso que eu quis transmitir aos castrenses, que esperassem um futuro com confiança. Futuro para os problemas sociais, futuro para os problemas estruturais, futuro para o crescimento e desenvolvimento harmonioso do concelho. Podemos resumir que o futuro de Castro Daire está nas suas gentes e nas forças vivas incorporadas nas associações de solidariedade social, na associação empresarial e comercial, no comércio e indústria, vitais para a identidade de um concelho. Bem como nas associações culturais e recreativas, associações desportivas, na valorização dos nossos recursos endógenos, na valorização do nosso património.
Fernando Carneiro, em perfil
Para si, qual é o papel de um autarca? O que é que o motiva?
O único e autêntico papel de um autarca é servir. Pondo nesse serviço toda a dedicação, rigor, seriedade e respeito por quem serve. Resumindo posso dizer que esse serviço é um bem público que se deve transformar numa melhor qualidade de vida para os seus munícipes e sua região.
A política e a vida pública são uma profissão ou é uma vocação?
É uma vocação. Para que os objectivos sejam alcançados, o autarca tem que ter a vocação de servir e estar sempre disponível para o outro.
Principais dados bibliográficos
Data de Nascimento: 11 de Setembro de 1947
Local de Nascimento: Lamelas, Castro Daire
Percurso Sócio-Cultural
Sócio Fundador da Associação Desportiva e Recreativa de Lamelas
Presidente da Casa do Povo de Castro Daire
Presidente da Assembleia da Cooperativa
Percursos académico e profissional
Curso de Filosofia (8º ano) Seminário Maior de Lamego
Abril de 1970 a Abril de 1973 – Alferes Miliciano
Abril de 1971 a Abril de 1973 – Guerra Colonial no Norte de Angola (Dembos)
1974 a 2009 – Funcionário Público da Segurança Social
1976 a 1979 – Secretário da Junta de Freguesia de Castro Daire
1989 a 2001 – Membro da assembleia municipal de Castro Daire
2001 a 2009 – Vereador do executivo Municipal
2009 até ao presente – Presidente da Câmara Municipal
• Patrícia Fernandes
• Fotos de: Portal AuToCaRaVaNiStA (www.autocaravanista.pt.vu)
——————————————————————————————————-
Na edição anterior (edição 645)
Mais artigos:
Comentários recentes