Uma aposta na continuidade

Em início de mandato, Rui Ladeira fala dos projectos futuros para Vouzela

Já há vários anos, desde de 2005, que Rui Ladeira está à frente dos destinos de Vouzela. Primeiro, enquanto Presidente da Assembleia, depois, a partir de 2009, como vereador e, agora, como Presidente da Câmara. Natural de Vouzela, Rui Ladeira não esconde o amor à Terra e a vontade de a fazer crescer. Em entrevista à Gazeta da Beira, o novo presidente da Câmara de Vouzela, fala-nos dos projectos para o novo mandato e da sua vida enquanto político.

Gazeta da Beira (GB)- Tomou posse no passado mês de Outubro, contudo, já estava na Câmara Municipal, como vice-presidente. O seu mandato é uma aposta na continuidade? Quais os principais desafios e quais as principais metas a que se propõe no mandato que agora se inicia?

Rui Ladeira (RL)- A minha experiência como autarca entre 2009 e 2013, permitiu-me conhecer melhor o meu município e o funcionamento da Câmara Municipal. Este mandato será em boa parte um mandato de continuidade porque considero que o concelho durante os últimos 12 anos, sob a liderança do Dr. Telmo Antunes, apresenta maior equidade, maior coesão e um significativo salto na qualidade de vida das pessoas.

O concelho apresenta progressos inegáveis em quase todos os setores. Na ação social, na educação, no desporto, no desenvolvimento rural, nas acessibilidades e mobilidade, na rede de equipamentos municipais, nas novas tecnologias da informação e da comunicação, no turismo, no ambiente, etc. Vouzela é um concelho mais equilibrado e mais justo.

A equipa que lidero irá continuar a trabalhar em prol do Município de Vouzela, dando continuidade ao que vem sendo feito e impondo naturalmente o nosso cunho pessoal em várias matérias e setores.

O programa que apresentamos aos eleitores Vouzelenses assenta em quatro pilares fundamentais: 1) Desenvolvimento económico; 2) Desenvolvimento Social, educação e cultura; 3) Valorização dos recursos naturais e ambiente; 4) Turismo.

 

GB- Vouzela na última década perdeu muita população. Estamos a falar de números muito superiores aos do distrito e aos da Região. O que é que está ser feito para conseguir atrair mais população para Vouzela? Como é o município pode contrariar as medidas do Governo Central que ditaram e ditam o encerramento de vários serviços públicos?

RL-Vouzela não é caso único, à excepção do concelho de Viseu, todos os outros concelhos do distrito (bem como a esmagadora maioria dos concelhos do interior de Portugal) perderam população nos últimos 10 anos. Sem criação de emprego não é fácil fixar a população. Estamos a trabalhar de forma a propiciar investimentos que fomentem a criação de emprego em diversas áreas, desde o setor agrícola, ao florestal, comércio, indústria ou serviços.

Vouzela perdeu o serviço de atendimento permanente (SAP) no Centro de Saúde e os serviços do Ministério da Agricultura, todos encerrados na gestão nacional do Partido Socialista. Sempre estivemos contra e sempre nos manifestaremos contra qualquer perda de serviços ou da qualidade dos serviços em Vouzela. Defenderemos sempre Vouzela, qualquer que seja o partido que esteja no governo. Para nós VOUZELA ESTÁ SEMPRE EM PRIMEIRO. Os habitantes de Vouzela têm de dispor dos mesmos serviços (com qualidade) dos habitantes de Lisboa. Nós também pagamos impostos.

 

GB – Estão pensadas, por exemplo, algumas medidas de incentivo à natalidade?

RL-Os incentivos que pretendemos disponibilizar assentam sobretudo em 2 níveis: Incentivos à atracão e fixação de população (por exemplo: disponibilização de espaços para construção a custos reduzidos), fomentar ainda a criação de postos de trabalho e reforçar os incentivos municipais (redução de taxas e licenças, melhorar os apoios na ação social escolar e as bolsas de estudo).

 

GB – No seu discurso de tomada de posse falou em várias medidas concretas para aumentar o investimento em Vouzela e para criar mais postos de emprego. O que é está a ser feito?

RL – O desenvolvimento económico é uma das nossas prioridades. Todos os dias procuramos investidores para o concelho, já tendo chegado a princípios de acordo com alguns empresários para se fixarem em Vouzela e Queirã. Por outro lado, as infraestruturas da Zona Industrial de Queirã desenvolvem-se a bom ritmo, esperando que se encontram concluídas no 1.º trimestre de 2014.

Também para 2014 iremos criar o Balcão do empreendedor / investidor.

 

GB  – Qual é o ponto de situação da incubadora de empresas, do melhoramento das Zonas Industriais de Campia, Queirã e Vouzela e o que é está a ser feito para atrair mais investidores? Oliveira de Frades mostrou-se disponível para dar terrenos na ZI, isto seria também uma boa opção para Vouzela?

RL – A Câmara já assinou um protocolo para a incubadora de empresas e decorrem estudos e contactos com diversas entidades (Associações empresariais, instituições de ensino superior, etc.) para o seu arranque formal. Estamos também a aferir o melhor local para a sua localização (Zona Industrial do Monte Cavalo ou no centro da Vila nas instalações que adquirimos à Banda de Vouzela).

Dependendo do investimento e da mais-valia para o Município, a Câmara Municipal de Vouzela dará todas as condições aos investidores para se instalarem no Concelho, que podem passar pela cedência de lotes a preços muito apelativos, apoio ao nível de projetos de financiamento, apoio ao nível dos licenciamentos, isenções ou reduções de taxas ou impostos.

 

GB – Como já admitiu, Vouzela tem um grande potencial turístico. Quais as linhas gerais traçadas para dinamizar o turismo? Neste âmbito Vouzela vai no bom caminho? O que há ainda a fazer?

RL – Não há dúvida. O potencial turístico de Vouzela é enormíssimo e este pilar não pode ser dissociado da estratégia de desenvolvimento que temos para o concelho, nomeadamente mas matérias relacionadas com o património, o desporto, a cultura, ambiente, etc.

Contudo, para o setor do turismo destaco a criação de uma área protegida de gestão local que visa a promoção e a preservação do património natural aliada à criação de valor; a Ecopista do Vouga, os desportos de natureza (centro de BTT, parapente, paramotor, escalada, orientação, etc.), o Caminho de Santiago e a valorização do património e dos recursos endógenos do concelho.

Destaco também os vários investimentos privados que forma e estão a ser feitos um pouco por todo o concelho, nomeadamente ao nível do alojamento local e turismo rural. São fundamentais para a estratégia de desenvolvimento que traçamos.

 

GB – Agora que se celebra os 100 anos da linha do Vale Vouga, disse que quer criar uma ecopista. Há já apoios para o projeto? Falou numa versão “low-cost”, concretamente, em que moldes é que vai ser efectuada, qual o troço em que se vai concretizar, quais os custos, e qual a importância deste investimento para o município?

RL – O grande projeto da Ecopista do Vale do Vouga, que vai desde Viseu, passando por São Pedro do Sul, Vouzela, Oliveira de Frades, Sever do Vouga, Albergaria e Águeda encontra-se concluído e a ser concretizado será uma mais valia não só para o concelho mas também para a região e atrevo-me a dizer para o país. É um investimento superior a 7 milhões de euros que só poderá ser concretizado com o recurso a fundos comunitários.

A versão “low-cost” de que falei visa dotar o canal das condições mínimas para se poderem fazer caminhadas ou circular de bicicleta em segurança. O troço em que pensamos investir é entre Vouzela e as Termas de São Pedro do Sul e com um custo na ordem dos 60 mil euros, os quais poderão ser parcialmente financiados.

 

GB – A Reabilitação Urbana de Vouzela é uma das prioridades do município. É para avançar mesmo sem o apoio da QREN? Com que meios? O município tem meios para suportar este investimento, ou estamos aqui também a falar de uma versão “low-cost”?

RL – A Requalificação Urbana da Vila de Vouzela é uma das prioridades do nosso programa e será executada com ou sem apoio do QREN. Dependendo deste apoio será executada de uma só vez ou de forma faseada de acordo com as disponibilidades orçamentais da Câmara Municipal. A Câmara já apresentou duas candidaturas que não foram aprovadas, esperamos que à terceira seja de vez.

 

GB – Este investimento é vital para o comércio local? No futuro, quais as perspectivas para o comércio local, atualmente em dificuldades?

RL – É um investimento muito importante para o comércio local, que atravessa uma conjuntura económica muito complicada. Acreditamos que com a sua concretização se conseguirão atrair muitas pessoas e daí melhorar as perspectivas para o comércio local, que também poderão/deverão adaptar-se às novas realidades.

 

GB – Com a crise, as dificuldades da população aumentam. Que medidas de acção social e de solidariedade é que o município está a tomar para apoiar as classes mais desfavorecidas? O cartão do idoso já está disponível? Quais as suas vantagens?

RL – Entendemos que o desenvolvimento social deverá estar sempre nas nossas prioridades. A prova dessa preocupação é o reforço do orçamento 2014 para as questões sociais de forma substancial, nomeadamente no alargamento do apoio à habitação, criação da loja social e do cartão do idoso. Este cartão direcionado para os seniores visa apoiá-los nas infraestruturas e serviços municipais, medicamentos, comércio local e transportes.

 

GB – A Assembleia Municipal de Vouzela, neste momento, tem o mesmo número de deputados entre PS e PSD (tendo, naturalmente, o Presidente da Assembleia voto de qualidade na maioria das decisões) isso poderá trazer alguns constrangimento para o futuro de Vouzela? Os partidos serão mais importantes que o município de Vouzela?

RL – A Assembleia Municipal de Vouzela é composta por pessoas de valia, responsáveis e que querem o melhor para Vouzela. À semelhança de Assembleias anteriores vamos trabalhar em conjunto para o desenvolvimento do concelho, encontrando plataformas de entendimento e de consensos sempre em busca do desenvolvimento, do crescimento e da afirmação de Vouzela. Cada partido dará os seus contributos e não acredito que venham a haver constrangimentos para o futuro de Vouzela.

 

GB – Falou, também, no seu discurso de tomada de posse que “Vouzela tem futuro”, qual é o futuro deste concelho?

RL – O futuro de Vouzela são as suas pessoas e as suas forças no movimento social, empresarial e associativo. Vouzela além do seu riquíssimo legado histórico, paisagístico e a sua localização no panorama regional e nacional, permite alavancar o potencial que é necessário para as próximas décadas. Queremos materializar a estratégia de desenvolvimento que preconizamos e que apresentamos aos Vouzelenses. Passa pela criação de emprego e consequente fixação de pessoas, pelo apoio às pessoas mais desfavorecidas, pela existência e manutenção de serviços e infraestruturas de qualidade, pela valorização do património existente, pela valorização dos nossos recursos endógenos, etc. Será pela sua conjugação que Vouzela se afirmará e terá futuro.

 

Rui Ladeira, em perfil

Como e porque é que entrou para o PSD?

Desde cedo envolvi-me nos movimentos associativos e também nos movimentos políticos da JSD. Tive nessa altura algumas referencias de pessoas, pensamentos ideológicos e também projetos  de desenvolvimento com que me identificava.

Para si, qual é o papel de um autarca? O que é que o motiva?

Ser autarca é, sobretudo, estar disponível para resolver ou ajudar a resolver os problemas dos munícipes. Ter a visão e oportunidade de tomar as melhores iniciativas para criar riqueza e bem- estar. Para isso é fundamental também estabelecer parcerias com as forças vivas associativas, empresariais ou institucionais. É determinante estar preparado para dar resposta às necessidades de quem confia em nós, de quem precisa de nós.

Ser autarca é, no fundo, saber gerir as expectativas da população.

Motiva-me, particularmente, a possibilidade de poder fazer a diferença na vida das pessoas, de poder contribuir para a melhoria das condições de vida de quem reside no nosso concelho.

A política e a vida pública são uma profissão ou são uma vocação?

Para mim a política é estar ao serviço das pessoas, construir, ajudar e servir os interesses dos nossos concidadãos.

 

Principais dados bibliográficos

Data de nascimento? 21 agosto 1974

local de nascimento – Vouzela

Como dirigente ao nível profissional:

• Fórum Florestal – Estrutura Federativa da Floresta Portuguesa

• Federação de Produtores Florestais de Portugal

• Federação de Produtores Florestais de Portugal

• Cooperativa 3 Serras de Lafões

• ADRL

 Ao nível sócio-cultural:

• Centro Social de Cambra

• Associação Cultural e Recreativa de Cambra – Vouzela

• Associação de Caça e Pesca de Cambra.

Licenciatura em Engenharia Agronómica – Ramo Florestal.

De 2009 a 2013, Vice presidente da CM Vouzela e vereador dos pelouros da Protecção Civil; Juventude; Desporto; Ambiente; Desenvolvimento Rural; Planeamento e Urbanismo; Obras Particulares e Municipais;

2005 a 2009, Presidente da Assembleia Municipal de Vouzela

2001 a 2009, Empresário (sócio-gerente) – Castanea sativa, Lda – Empresa de prestação de serviços técnicos nos sectores agrícola, florestal e jardinagem.

2005-2008, Coordenador Local na instalação do Parque Eólico do Caramulo

2005-2009, Perito avaliador regional e local de prédios rústicos.

1998 -1999, Professor de Ciências Naturais na EBI Campia

• Patrícia Fernandes