
• Nuno Campos*
Edição 816 (25/11/2021)
Biodiversidade e Pastoreio Extensivo… Dos Auroques às Arouquesas!

Homens e bovinos mantêm uma relação ecológica mutualista milenar, desde as primeiras etapas da invenção da agricultura, há mais de 10 500 anos. O auroque – o boi selvagem ancestral representado nas gravuras de Foz Côa –, entretanto extinto, sobrevive no genoma dos bovinos atuais.
No sistema d pastoreio extensivo usado na nossa raça Arouquesa, os bovinos deambulam livremente (não estão fechados em alojamentos), e vivem do que o monte ou a agricultura lhes dá (palhas, feno, grãos arbustos e raízes silvestres). Mantêm, por isso, os comportamentos alimentares, de manada, reprodutivos (ex. cobrição, parto e amamentação) ou de defesa do ancestral selvagem. E graças à perturbação pela herbivoria (pastoreio), está garantida a persistência das plantas que coevoluiram com os bovídeos que migraram para ocidente, vindos das planícies asiáticas a norte dos Himalaias, há cerca de 15 milhões anos.
Quem não consegue admirar a beleza destes incríveis animais?


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