S. PEDRO DO SUL MUDOU
Rescaldo Autárquicas 2013

– Oliveira de Frades, Vouzela e Castro Daire votaram pela continuidade
– Abstenção, brancos e nulos cresceram
O terramoto eleitoral em S. Pedro do Sul foi o principal facto político em Lafões resultante das eleições autárquicas do passado dia 29 de setembro. O PS, com Vitor Figueiredo à frente, é o vencedor e consegue por fim ao consulado do PSD que durava há 12 anos. Adriano Azevedo, anterior vice-presidente do município e cabeça de lista do PSD, não conseguiu a presidência da Câmara Municipal e arrastou o partido que governava o concelho desde 2001, para uma acentuada derrota eleitoral, também na Assembleia Municipal.

Caso tivesse sido António Carlos Figueiredo, o presidente cessante, a encabeçar a lista do PSD não se sabe se o resultado teria sido diferente. Porém, impedido de se recandidatar pela Lei de Limitação de Mandatos, a disputa pela sucessão de António Carlos Figueiredo deu origem a uma divisão na Concelhia do PSD entre Adriano Azevedo e José Sousa, só resolvida pela intervenção da Distrital de Viseu a favor do então vice-presidente, em detrimento do líder da Concelhia.
A aposta do aparelho do PSD acabou por se revelar fatal. Adriano Azevedo não foi capaz de resolver a fratura no seio do PSD de S. Pedro do Sul. José Sousa acaba por apresentar uma lista à Câmara, através de uma lista de cidadãos, que arrecada 732 votos e contribui para a vincada perda eleitoral do PSD em S. Pedro do Sul, apesar de não conseguir a sua própria eleição.
Vitor Figueiredo, o surpreendente vitorioso da noite eleitoral em Lafões, foi eleito pelo PS para presidente da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, com maioria absoluta na Câmara e Assembleia Municipal. Ganhou cerca de 2400 votos em relação a 2009, enquanto o PSD perdeu mais de 2600 votos. BE e CDU valeram juntos pouco mais de 2% na Câmara e de 5,5% na Assembleia. Sofreram claramente com a forte bipolarização entre PSD e PS e com a voragem do “voto útil” em Vitor Figueiredo por parte de quem queria uma mudança na governação municipal.
Oliveira de Frades e Vouzela: a continuidade das maiorias PSD

Nada de novo em Oliveira de Frades, a não ser que a vitória passa a ser da coligação PSD/CDS. Luís Vasconcelos (PSD) volta a ganhar as eleições com maioria absoluta e a correlação de forças com o PS mantém-se, 4 vereadores para 1. Na Assembleia Municipal a coligação PSD/CDS absorve o anterior deputado municipal do CDS.
BE e CDU reforçam-se pelo aumento significativo de votação em relação às anteriores autárquicas, mas não o suficiente para elegerem representantes para os órgãos municipais. Para a CM atingem, no somatório das duas forças de esquerda, mais de 6,5% e para a AM ultrapassam os 7%. O Bloco de Esquerda, com Mário Pereira à frente, na primeira vez que apresenta candidatura à Câmara passa a ser a terceira força política no concelho de Oliveira de Frades com perto de 4% dos votos validamente expressos.

Em Vouzela o PSD alcança de novo a maioria absoluta, mas com novo protagonista: Rui Ladeira, o eleito presidente da Câmara Municipal. O PS sai derrotado, com uma perda de quase 400 votos em relação a 2009, mas mantendo o número de vereadores e ganhando o deputado municipal que no anterior mandato tinha sido eleito pelo CDS.
De facto, o CDS e a CDU são as forças que mais perdem, ficando ambas claramente atrás do BE. O Bloco, que apresenta pela primeira vez uma candidatura à CM, encabeçada por Marco Mendonça, assume-se como a terceira força política em Vouzela.
Castro Daire: maioria PS reforça-se

Fernando Carneiro, do PS, renova o seu mandato como presidente da Câmara Municipal de Castro Daire, desta vez com mais quase 700 votos do que em 2009. PSD e CDS, que se candidataram em listas separadas, perdem no conjunto perto de mil votos para a Câmara e um deputado municipal. Na CM, PS mantém os seus 4 vereadores, tal como o PSD também assegura os mesmos 3 lugares na vereação. A CDU observa um ligeiro aumento de votação, mas fica longe de conseguir qualquer eleito para os órgãos municipais.
Descontentamento e/ou alheamento aprofundam-se
Um dado significativo destas eleições é o crescimento da abstenção, bem como dos votos brancos e nulos. Sem prejuízo de uma análise mais aprofundada deste fenómeno, não será exagero retirar, desde já, que esta situação se traduz por um crescente alheamento da vida democrática local, podendo concluir-se que manifesta igualmente uma forma de protesto ou de descontentamento em muitos casos.
Não pode deixar de ser tido em conta que este forte crescimento da abstenção e dos votos brancos e nulos acontece no chamado “período da Troika”, com um agravamento das condições económicas e sociais da maioria dos portugueses, em particular dos setores sociais mais fragilizados.
Este fenómeno teve uma dimensão nacional e expressou-se de forma também muito aguda nos concelhos de Lafões, com os maiores valores relativos a acontecerem em Oliveira de Frades, onde os votos brancos atingiram 3,7% e os nulos chegaram aos 2,6%. A abstenção foi maior em Castro Daire, com perto de 40% dos eleitores a não irem às urnas.
Distrital de Viseu
PSD assume que resultados das autárquicas ficaram “aquém das expetativas”
Em conferência de imprensa no dia seguinte às eleições autárquicas, o líder da Distrital de Viseu do PSD, Mota Faria, assumiu que o partido no distrito ficou “aquém das expetativas”.
A Distrital de Viseu tinha definido como objetivo para as eleições autárquicas “manter as 15 câmaras” presididas pelo PSD no distrito. Contudo, o PSD apenas venceu em 13 dos 24 municípios do distrito, tendo perdido câmaras tradicionalmente social-democratas como S. Pedro do Sul, Santa Comba Dão, Carregal do Sal, Penalva do Castelo e Nelas, em Dão Lafões, tendo conquistado no norte do distrito, na região Douro Sul, os pequenos concelhos de Tarouca e Tabuaço.
Recorde-se que em S. Pedro do Sul a Distrital do PSD interveio para determinar a opção por Adriano Azevedo para encabeçar a candidatura ao município, ao invés da escolha da Concelhia que se tinha decidido por José Sousa.
A maior derrota aconteceu a sul do distrito de Viseu, o que cria agora ao PSD uma “situação complexa” na Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões e que Mota Faria não escondeu. Das 14 autarquias que formam a CIM, nove passam a ser geridas pelo PS e cinco pelo PSD. Desta forma o PSD perderá a liderança da CIM Viseu Dão Lafões, presidida por Carlos Marta (PSD), presidente da Câmara de Tondela.
Mota Faria anunciou a convocação de uma assembleia distrital “em breve” para analisar os maus resultados do PSD no distrito de Viseu.
BREVES DAS AUTÁRQUICAS
Concelho monocolor
Mais do que Oliveira de Frades, Pampilhosa da Serra é um concelho com um executivo absolutamente monocolor. Pampilhosa da Serra foi o concelho que registou a maior discrepância nos resultados dos partidos mais votados: o PSD obteve mais de 83% dos votos e compôs o único executivo municipal sem oposição no país. Oliveira de Frades também registou uma grande diferença nos resultados: a coligação PSD/CDS-PP teve 71,42% dos votos (4.125), com quatro vereadores, uma diferença superior a 55% do PS, que elegeu um vereador, com 15,72% dos votos (908).
Brancos e nulos
Os votos brancos e nulos constituem, no seu conjunto, a 3ª força política em Viseu. Dos 89 mil inscritos nestas autárquicas, quase 10% dos eleitores viseenses optaram pelo voto em branco ou nulo. Esta forma de expressão eleitoral cresceu exponencialmente relativamente às últimas autárquicas. Para o escrutínio final e respetiva atribuição de mandatos, os votos brancos e nulos não entram nas contas.
Fernando Seara votou em Viseu
Fernando Seara, que encabeçou a lista do PSD/CDS-PP/MPT à Câmara de Lisboa, votou em Viseu, na secundária Alves Martins, e disse à saída da assembleia de voto que sempre acompanhou o pai e agora continuará a fazer o mesmo com a mãe, que está sozinha em Viseu.
Cavaquistão menos laranja
O antigo Cavaquistão continua em tons laranja, mas a mancha rosa alastrou. O PS conquistou cinco câmaras ao PSD (Carregal do Sal, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, Nelas e São Pedro do Sul). Já os sociais-democratas roubaram Mortágua, Tabuaço e Tarouca aos socialistas.
PS não respeita Lei da Paridade em Castro Daire
De acordo com informação divulgada na página da internet da Comissão Nacional de Eleições (CNE), o Partido Socialista apresentou oito listas em que não respeita a Lei da Paridade, sete das quais em Castro Daire (à câmara municipal e a seis freguesias). A lei, de 2006, prevê que as listas tenham uma representação mínima de 33,3 por cento de cada um dos sexos e que não tenham mais que dois candidatos do mesmo sexo seguidos.
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