Vitor Barros
HOMENAGEM a José Mendes Barros
Concretizou-se no passado 6 de setembro, a homenagem ao Dr. José Mendes Barros, iniciada no feriado municipal com a entrega à Viúva, Dr.ª Graça Barros, de uma maquete da que viria a ser a placa agora descerrada nos balneários do estádio municipal por ela própria e pelo Presidente da Câmara Municipal, Vitor Figueiredo.
A homenagem constou de uma pequena cerimónia de evocação do Dr. José Mendes Barros, em que usaram da palavra o Presidente da Assembleia Municipal, o Presidente da Câmara Municipal, a Dr.ª Graça Barros e o Presidente da Direção da Académica, Dr. José Eduardo Simões. Seguidamente o Presidente da União Desportiva Sampedrense entregou à Viúva uma camisola da UDS, com o n.º 8 e com o nome de José Barros. Prenda idêntica seria ofertada pelo Presidente da Académica. O Dr. José Mendes Barros nasceu em São Pedro do Sul no dia 8 de agosto (mês 8) de 1939, facto que inspirou a inscrição daquele algarismo em ambas as camisolas.
Terminada a cerimónia, teve lugar um jogo de futebol entre os sub-23 da Académica e a UDS, a que se seguiu um jantar num restaurante local.
À noite nas Termas atuou o grupo de Fados de Coimbra – Pardalitos do Mondego, que colheu grandes aplausos, fruto de uma boa performance.
A homenagem, sugerida à Assembleia Municipal e à Câmara Municipal por um grupo de ilustres sampedrenses residentes na Grande Lisboa, decorreu, assim, com um elevado nível, facto a que não é alheia a figura ímpar do Zeca Barros. Tive oportunidade de na minha curta intervenção referir que a homenagem feita ao Zeca só pecou por tardia.
“O homem é o homem e as suas circunstâncias” disse o filósofo espanhol José Ortega e Gasset, o que assenta que nem uma luva a este caso. Em 1965 nasceu o filho Nuno Miguel, a quem foi diagnosticada paralisia cerebral. Esta tragédia, que certamente faria sucumbir muitos de nós, viria a revelar um Homem de grande carácter, que não só não se deixou abater, como ainda por cima lhe trouxe forças para iniciar uma licenciatura em medicina, com especialização em Pedopsiquiatria, na procura de soluções para os problemas clínicos do filho e para criar, conjuntamente com outros pais, uma estrutura de apoio e enquadramento a casos semelhantes.
Padre António Vieira disse que “nós somos o que fazemos”. Pois bem, o Dr. José Mendes Barros tem uma notável obra feita, que teve como grande objetivo a criação de um centro de reabilitação para crianças portadoras de paralisia cerebral, contribuindo fortemente para a melhoria das condições de vida de crianças, jovens e seus familiares. Tive a oportunidade e o privilégio de visitar a Quinta da Conraria nos arredores de Coimbra acompanhado pelo Zeca. A sua obra, como recordou a Dr.ª Graça Barros, não se reduzia àquela quinta. Mas a mim bastou-me visitá-la, para perceber o alcance e abrangência do seu trabalho em prol da ‘aceitação da diferença’. Não esquecerei a sua tenacidade e o seu sentido positivo face à adversidade, para já não falar na sua agricultura biológica, na hipoterapia, no grupo musical de rock. Uma visita, guiada pelo Dr. José Mendes Barros, era mais do que uma simples visita era uma lição de vida.
Foi este Homem que a Câmara Municipal quis homenagear. Fez bem. A nossa juventude precisa de referências. O mundo, o país e o nosso concelho como seriam melhores se todos fossemos como o Zeca, ou pelo menos se houvesse mais Zecas Barros.Redação Gazeta da Beira
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