V Festival Internacional Guitarras Mágicas

• Texto de Mário Silva

Alicerçada no pioneirismo do “I Curso de Verão de Guitarra” (2012) e no sucesso do “I Festival Guitarras Mágicas” (2013), as localidades de Couto de Esteves, Sever do Vouga e Talhadas foram palco, numa organização conjunta do arquiteto Miguel Lopes (diretor executivo), do professor João Moita (diretor artístico), da Câmara Municipal de Sever do Vouga e da Associação Cultural e Social de Couto de Esteves (ACSCE), da quinta edição do “Festival Internacional Guitarras Mágicas”.

Com uma programação rica e variada, o Festival apostou, quer na componente formativa, respeitando o ótimo trabalho de base desenvolvido nos anos anteriores, quer na componente performativa.

Assim, e no que toca à área formativa, que decorreu no Centro Escolar de Couto de Esteves, de 28 de junho a 2 de julho, tivemos o “VI Curso de Verão de Guitarra” (11 alunos/30 horas letivas), ministrado pelo professor João Moita, e uma masterclass de guitarra clássica (9 alunos “ativos” e 20 “ouvintes”/8 horas letivas) com o espanhol Ricardo Gallén.

No que respeita à componente performativa, o concerto de abertura, designado de “O Futuro Hoje”, teve lugar na igreja matriz de Talhadas (28 de junho). Para além do “Guitag Ensemble”, um projeto pedagógico dirigido pelo guitarrista e professor Davide Amaral, que tem o seu berço no Conservatório de Música de Águeda e que este ano celebra o seu 10.º aniversário, este concerto contou também com a presença das jovens guitarristas Beatriz Pinto e Teodora Ion, com 12 e 14 anos respetivamente, detentoras de vários prémios a nível nacional e que, já hoje, constituem o futuro da guitarra clássica em Portugal.

No dia 30 de junho, a igreja matriz de Couto de Esteves foi palco de mais um momento inolvidável com a muito aguardada atuação de um dos mais importantes e respeitados guitarristas da atualidade, com uma brilhante carreira internacional, o virtuoso Ricardo Gallén.

Chegados ao dia 1 de julho, o Centro das Artes do Espetáculo de Sever do Vouga encheu para escutar e desfrutar do nome mais importante da guitarra portuguesa no contexto erudito, ou seja, não confinando a guitarra ao mundo do acompanhamento de fado e inserindo-a num contexto mais lato da história da música ocidental, contribuindo para a tornar um instrumento com autonomia artística acompanhando o devir musical, falamos, obviamente, de Pedro Caldeira Cabral. Acompanhado de Joaquim António Silva (violão) e Duncan Fox (contrabaixo), o “Pedro Caldeira Cabral Trio” apresentou um fabuloso programa, intitulado “Guitarristas Lendários”, onde evocou o contributo decisivo de gerações sucessivas de criadores e intérpretes que com o seu talento e virtuosismo musical marcaram as diferentes épocas.

Na tarde de domingo (2 de julho), a igreja matriz de Couto de Esteves voltou a ser o cenário escolhido para o encerramento do Festival, com a apresentação de um dos mais notáveis guitarristas da nova geração, Nuno Cachada que interpretou música ibérica, desde Tárrega a Carlos Paredes, passando por …Nuno Cachada.

Concluída a atuação do virtuoso e eclético músico minhoto, seguiu-se o concerto de encerramento do “VI Curso de Verão de Guitarra”. Perante um público numeroso, os onze jovens participantes (Beatriz Pinto, Bruno Marques, Carolina Lemos, Catarina Oliveira, Henrique Vassalo, João Branco, João Martins, José Martins, Mafalda Nunes, Rita Agra e Tomás Fonseca) tiveram a oportunidade de apresentar publicamente – a solo e em ensemble (Ensemble Couto’17) – o trabalho desenvolvido durante o curso.

Findo o concerto foram entregues a todos os participantes os respetivos diplomas, sorteada uma viola oferecida pela Castanheira Sómusica (Aveiro) e, naquele que foi o momento mais inesperado do Festival, promovida uma prova do espumante Argau, produzido em Couto de Esteves pela Sociedade Agrícola Casa dos Barbas, que teve a apresentação do engenheiro agrónomo e enólogo, António Dias Cardoso, autor de uma vasta e fundamental obra literária sobre vinhos e produtor de inúmeros néctares bairradinos. Introdutoriamente foi feita uma “harmonização” do espumante em prova com música de guitarra.

Uma palavra final, para parabenizar os amigos Miguel Lopes e João Moita, mentores e impulsionadores de um Festival que nasceu da vontade de ambos em acrescentar vida musical às mágicas Terras de Santo Estêvão (Couto de Esteves), bem como para agradecer a todos os parceiros que, com o seu apoio financeiro ou logístico, possibilitaram a organização de tão notável evento, a saber: Câmara Municipal de Sever do Vouga, Associação Cultural e Social de Couto de Esteves, Juntas de Freguesia de Couto de Esteves e Talhadas, Liga dos Amigos e dos Naturais de Couto de Esteves, párocos de Couto de Esteves (Pe. Ivanil Portela) e de Talhadas (Pe. José Carlos), Quinta do Cabeço, Casa da Várzea, Castanheira Sómusica, Guitarras Alhambra, Royal Classics e Cordas Savarez.

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