Unidade de Cuidados Continuados de Vouzela sem autorização governamental para aumentar camas
Provedor escreve indignado aos partidos políticos
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vouzela está a contactar as direções das várias forças políticas a nível nacional alertando-as para o facto de existirem condições e espaço na Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração de Vouzela para aumentar a capacidade de acolhimento de doentes e as entidades responsáveis continuarem a protelar a devida autorização para instalação de novas camas.
O provedor refere que esta situação acontece apesar de “todos os dias os jornais e a televisão darem conta que os hospitais estão superlotados, que os doentes, porque não há camas, permanecem nos corredores horas e horas, e até dias, e pior ainda nas ambulâncias à porta dos hospitais.” Argumenta o provedor Eugénio Lobo que uma cama numa Unidade de Cuidados Continuados fica cem vezes menos dispendiosa que uma cama num hospital, conforme os próprios governantes reconhecem.
Apesar de reconhecerem que a deslocação de doentes para Unidades de Cuidados Continuados trazer vantagens, nomeadamente económicas, torna-se incompreensível que os responsáveis governamentais não respondam positivamente às solicitações de Unidades como a da Santa Casa da Misericórdia de Vouzela.
Pergunta o provedor: “porque não aproveitam estas Unidades para resolver aquelas situações de falta de camas” nos hospitais? “O País precisa de poupar gastos, e se sabe que neste caso poderá economizar muito dinheiro e dar melhor cuidado de saúde, porque não o faz?” Insiste Eugénio Lobo.
O projeto da Unidade de Vouzela foi aprovado pela Administração Regional de Saúde de Coimbra para ter seis enfermarias com quatro camas cada. Porém, foi obrigada posteriormente a reduzir para três camas por enfermaria, perdendo-se 25% da capacidade de acolhimento. O provedor coloca em causa esta medida, porque considera que “as enfermarias têm espaço suficiente para quatro camas, melhor do que em muitos hospitais, para além de meios para oxigénio, aspiração de secreções, etc., adequados para o número de camas inicialmente projetado.”
O espaço nas enfermarias da Unidade de Cuidados Continuados de Vouzela continua disponível, mas sem aproveitamento, enquanto muitos doentes permanecem nos corredores dos hospitais. Indignado, Eugénio Lobo conclui a carta dirigida às forças políticas com um apelo: “Senhores Políticos, chamem os nossos governantes à realidade e digam-lhes como é possível o estado poupar muito dinheiro e dar melhor resposta na saúde.”
Há um ano, era notícia que a Unidade de Vouzela enfrentava dificuldades financeiras que poderiam colocar em causa a sua subsistência. O provedor da Misericórdia de Vouzela referia à época que “possivelmente teremos que encerrar a Unidade, porque o prejuízo é incomportável”, sendo que “é o concelho, a região e o país que ficam sem este serviço” e “são 32 pessoas que ficam sem emprego”.Redação Gazeta da Beira
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