Um recuo de 50 anos

Texto de Mário Pereira

Uma das marcas, invisível mas bem notória, dos incêndios de 15 de outubro é a demora na reposição dos serviços de telecomunicações, continuando o triste espetáculo dos fios pendurados em postes semi queimados sem que se vejam ainda os novos que os deveriam substituir.

São várias as aldeias em que ainda não foi reposto o telefone fixo nem a internet, mas algumas em que a televisão já chegava por cabo comemoraram já dois meses sem televisão, telefone e sem internet. Enfim um verdadeiro regresso ao passado.

As telecomunicações são hoje um bem essencial e deveriam ter, praticamente, a mesma urgência no seu restabelecimento do que o abastecimento de água.

Hoje há idosos e crianças nas nossas aldeias que não têm televisão em casa há dois meses, o  que é uma experiência que pode ser interessante para quem fizer essa opção, mas que nos tempos em que vivemos se torna uma situação de grande privação e agrava o isolamento em que as pessoas vivem.

Conhecemos crianças cujos pais estão emigrados, tal como o caso inverso em que são os filhos que estão  fora e usavam a internet e para conversar em direto e agora estão limitadas a pequenas mensagens.

Perguntando à PT qualquer a previsão para o restabelecimento das ligações, a resposta foi que estão a trabalhar nisso, mas não têm previsões.  A verdade é que não se vê um trabalho sistemático de reposição dos postes e cabos parecendo que e a situação está a ser tratada como uma avaria habitual.

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