Tradicional Malha do Centeio
Quinta da Comenda - São Pedro do Sul

• Paula Jorge
Foi no dia 4 de julho que se realizou a tradicional malha do centeio, na Quinta da Comenda, a partir das 14:00h, tendo como anfitrião e organizador o Sr. Ângelo Rocha.
Mais uma vez, da aldeia de Manhouce, para ensinar a tradição das artes da malha com o mangual, veio um grupo constituído por Celeste, Almerinda, Sandra, António e Custódio.
Depois da ceifa do dia 6 de junho, o centeio ficou a secar na eira, de onde haviam resultado quatro rolheiros de centeio constituídos por muitas faixas atadas com as nagalheiras de palha. Agora era a altura de o malhar.
O processo da malha do centeio inicia-se da seguinte forma: abre-se o centeio para aquecer e em seguida coloca-se duas pedras na eira para o próprio ser malhado. Começam por malhar o centeio nas ditas pedras e a tirar canhos (canhos são as espigas do centeio que se separam da palha ao tempo que esta bate nas pedras), depois são puxados para trás com um ancinho e para malhar com o mangual. Também tiveram de malhar as nagalheiras (nagalheira é uma mão cheia de espigas com palha, retida da faixa do centeio por amarrar e depois de torcida faz cordel e serve para atar o centeio). O centeio é apanhado da eira para uma rasa (rasa é uma caixa de madeira que serve de medida para alguns produtos, tais como o grão, o milho, o feijão, entre outros). Em seguida ergue-se a rasa o mais alto que cada um consegue, aproveitando a força do vento, vai-se abanando de forma a que o centeio caia na eira e a impureza seja levada para longe. Depois de quase todo o trabalho feito começam por varrer a eira juntando o centeio para erguer.

Neste longo processo, todos os presentes (amigos e vizinhos) puderam, não apenas assistir, como também participar em cada etapa do processo da malha do centeio.
No final, houve a tradicional merenda na eira, com iguarias confecionadas na Quinta da Comenda e outras vindas de Manhouce, com destaque para a broa de centeio e milho (cereais produzidos e moídos na quinta), os rojões, as pataniscas, as filhoses de farinha de milho com mel e o vinho Comenda de Ansemil.
A Dona Celeste de Manhouce referiu à Gazeta da Beira: “O centeio era antigamente um cereal que dava pasto para alimentar os animais e para fazer o pão, ainda hoje algumas pessoas o utilizam para o mesmo.”

Depois do farnel houve ainda tempo para os cantares polifónicos de Manhouce alusivos ao ciclo do centeio. Entre muitos outros, encantaram os presentes com: “O Papagaio”, “O Loreiro”, “A Rabela”, “O leitinho” e “Vai-te embora António”.

Em declaração à Gazeta da Beira o Sr. Ângelo Rocha frisou que na Quinta da Comenda fazem o ciclo completo do centeio e que este processo, mais do que um reviver de memórias, é o retomar das tradições. “A malha correu muito bem! Além da atividade em si, que foi fantástica, queria realçar a participação entusiasmada de alguns dos presentes (das aldeias do Outeiro e do Paraíso), no momento musical, depois da merenda, com o grupo que veio de Manhouce. Foi muito bonito!”

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