Tempos do Resto das Nossas Vidas
Texto e foto: Paulo Fernandes
Tempos do Resto das Nossas Vidas
Texto e foto: Paulo Fernandes

Nestes tempos de resistência, neste Abril sem vermelho vivo, amigo leitor, regozijo-me com a inspiração para escrever este artigo precisamente num cantor de Abril, num homem, exilado, resiliente e interventivo, Sérgio Godinho.
Que forças atávicas estas que nos permitem a consciencialização da grave situação e focarmos as nossas mais nobres e elevadas emoções no bem comum. Veja-se o exemplo do octogenário Ramalho Eanes ao anunciar que dispensaria o seu ventilador para alguém mais novo e mais necessitado. Isto é a expressão máxima do amor, da fraternidade, da compaixão e da empatia pelo Ser Humano, é ser-se Sobre-Humano. Que força é esta amigo leitor, que nos põe de bem com os outros e de mal connosco?
Agora é o tempo do resto das nossas vidas! Desta maré cheia de medo, de privações de todo o tipo e género virá a maré do altruísmo. É certo que iremos continuar a trabalhar muito, a gastar tanta energia para tão pouco dinheiro, mas sabemos claramente que os que têm tudo devem-no aos que pouco ou nada têm, aos trabalhadores! Por isso, sejamos como um dos personagens do Sérgio, precisamente o Casimiro Baltazar da Conceição. Tinha as orelhas equipadas com um radar descodificador de mentiras e dizia sempre para termos muito cuidado com as imitações, por exemplo do Ministro das Finanças Mário Centeno. É Presidente do Euro Grupo, órgão que nem existe na constituição dos organismos institucionais da União Europeia (EU), e não sabe defender os trabalhadores portugueses nesse círculo dominado pelos Alemães e Holandeses. Trabalhamos todos os dias para esta engrenagem europeia, somos tantos a não ter quase nada para poucos terem quase tudo e no fim não podemos ir à Feira do Lugar? Desta maneira, vai uma passada de gigante entre os países do sul da EU e os riquinhos do norte.
Já me cheira a opressão e a austeridade quando esses países do norte negam a emissão de Eurobonds, é um gosto a humilhação servido na bandeja da dívida pública dos países do sul (Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Chipre e Malta). Dizem que o ódio é baboseira e a raiva é má conselheira, mas dou-me mesmo muito mal com os grandes imperialistas e falsos europeus.
Será que, principalmente nas grandes cidades, lavrar-se-ão sete ratos, três enguias e uma cabra abracadabra?
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