Serranita de Manhouce IV (última parte)

• Alunos: João Duarte, Marta Rocha, Gabriel Sebastião, Tomás Soares, Leonor Dias, Miguel Pinho e professor Paulo Fernandes da EB1 de Manhouce

A semana passou a voar e Serranita entraria, finalmente, nas merecidas férias grandes de verão.

Batiam as 10 horas na torre da igreja quando os dois amigos se reencontraram.

Chegaram ao Poço Negro por volta das dez e meia e Osvaldo logo exclamou:

– Nossa! Que cachoeira extraordinária!

– É uma das nossas lagoas mais visitada por turistas, é um verdadeiro paraíso na Terra. Estamos situados no troço mais alto do rio Teixeira, perto da aldeia da Sernadinha. Este rio vai desaguar ao rio Vouga, muito perto da localidade de São João da Serra.

– Então, porquê esse nome de Poço Negro quando se trata de um local tão exuberante?

– O nome pode vir das águas se tornarem escuras rapidamente quando mergulhamos nas profundezas e das sombras projetadas. Tive uma ideia, vamos já dar um mergulho para ver se isso é verdade.

– Vamos nessa!

Splash!!…

Quando voltaram à tona da água ambos concordaram que lá no fundo é mais escuro. Durante o tempo passado fora de água o Osvaldo tirou dezenas de fotografias para partilhar no Instagram.

À meia tarde partiram em direção à Sernadinha para visitarem a Pedra da Moura. Chegados ao cimo do Monte Gordo sentaram-se junto à pedra a ouvir o silêncio.

Em seguida, Serranita lembrou-se de contar a Lenda da Pedra da Moura.

– Vou contar-te uma história que pode ser, ou não ser verdade! Diz o povo que quem tiver os pés do tamanho destes buracos aqui na pedra, ela abrirá ao meio e aparecerá um tesouro.

– Vou já experimentar!

– Calma, primeiro tens de te descalçar.

– Oh! Meus pés são maiores do que os buracos!

Osvaldo sorriu para a Serranita percebendo que o verdadeiro tesouro estava no seu coração e, também, ao seu redor em forma de amor puro.

Neste momento epifânico, ele recebeu a bênção espiritual do avô Bernardino. Sentiu a alegria, a felicidade, a amizade, a empatia, a compaixão e o amor entrarem no seu espírito, agora purificado.

Fechou os olhos e abraçou fraternamente a sua amiga Florinda. Sentados na pedra virados para o mar, apreciaram o rápido pousar do Sol vermelho nas águas salgadas até desaparecer totalmente.

Enquanto as férias da Serranita estavam a começar, as do Osvaldo estavam a terminar. Regressava de avião ao Brasil no dia seguinte. Marcaram o último encontro para domingo ao fim da missa no Jardim da Pedra.

Ao entrarem na loja de recordações sentiam-se estranhamente tristes e sem saberem ao certo o que dizer um ao outro. Foi então que Serranita quebrou o silêncio:

– Osvaldo, quero muito oferecer-te esta pedra de xisto pintada por um jovem artista plástico manhoucense chamado Hugo Gomes, que representa o traje de festa tradicional de Manhouce.

– Que legal, amo demais! Muito obrigado por me dares esta lembrança e, principalmente, por me mostrares sítios maravilhosos e contado tantas histórias da terra do meu vovô!

– Ora essa, foi um prazer dar-te a conhecer os nossos monumentos históricos, as nossas paisagens e rios bucólicos, a gastronomia, as tradições e os costumes da nossa freguesia serrana!

Sentados num banco de pedra do jardim trocaram as moradas postais para escreverem cartas um ao outro.

Depois de um longo e apertado abraço, Osvaldo entrou no carro dos pais e seguiram em direção ao aeroporto.

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