Serranita de Manhouce II
Parte II

No dia seguinte, encontraram-se na escola às nove horas em ponto. Foram a pé até ao lugar da Barreira para visitarem o troço da Estrada Romana.
Muito curioso, Osvaldo perguntou se Romana era o nome de alguma mulher! Serranita sorriu e explicou:
– É romana porque foi construída pelos Romanos! Ouve com muita atenção! Os romanos foram um povo oriundo de Roma que viveram em Portugal há muitos séculos. Este povo construiu muitas estradas, pontes, aquedutos e balneários termais. Este pedaço de estrada pertencia à Estrada Imperial que ligava Mérida, em Espanha, a Braga, passando por Viseu e Porto.
– Que bacana!
– E mais, se encostares o ouvido às pedras da estrada, poderás ouvir as patadas dos cavalos e as rodas das carroças!
– De verdade?
– Faz como eu!
– Parece que sinto vibrações, que legal!
– A seguir vamos parar na ponte romana, anda daí!
– Espera um pouquinho, me deixa tirar uma foto!
Passados dez minutos chegaram à ponte e sentaram-se a contemplar o monumento. Rapidamente, Serranita explicou que aquela ponte fazia parte da mesma estrada onde tinham estado.
– Você quer tirar uma selfie comigo aqui?
– Tudo bem! Agora já chega de História, vamos mas é almoçar a casa da minha avó Celeste, ela convidou-nos para comermos um prato típico que se chama Escoado à moda de Manhouce.
– Muito obrigado pelo convite, mas primeiro vou telefonar a meu papai para avisar ele!
– Toc, toc, toc! Chegamos avó!
– Entrem, entrem, meus ricos filhos! Já vou, estou a acender o lume com um molho de carqueja e pinhas! Sentem-se aí na sala!
Enquanto esperavam, Serranita ligou o gira-discos e ouviram o grupo “As Vozes de Manhouce”.
– Olá avó, apresento-te o Osvaldo que veio do Brasil para conhecer a aldeia natal do avô! Osvaldo, esta é a minha querida avó Celeste!
– Prazer em conhecer! Respondem ambos ao mesmo tempo.
– Serranita, deixa o disco a tocar e venham à cozinha para verem como se faz o Escoado.
Quando entraram na cozinha o Osvaldo ficou boquiaberto com aquele cenário tradicional.
– Que legal, posso tirar fotos?
– Claro que sim, meu rico filho!
Sentaram-se à volta da fogueira a ouvirem a avó Celeste.
– No tempo da miséria os meus antepassados preparavam este prato típico porque dava para matar a fome à família. Nesta panela de ferro com três pernas deitam-se várias carnes de porco, por exemplo, presunto, pernil, chispe, orelheira e chouriça. Junta-se feijão, batata, massa, arroz e muita couve-galega. Deixa-se cozer e depois escoa-se para uma travessa e está pronto para comer.
– Já cheira bem, avó! Pelo cheiro só pode estar saboroso!
– Ainda faltam as carnes acabarem de cozer, mais meia horita!
Começaram por provar broa de milho com manteiga “amassada” pela avó nessa manhã. O Osvaldo nunca tinha comido manteiga feita em casa com leite de vaca Arouquesa. Em seguida, a avó Celeste serviu o Escoado numa grande travessa.
– Gostaria muito de tirar um retrato a vocês junto da travessa para postar no meu Instagram!
– Não há problema, atão não avó?
– Boa ideia, o meu Escoado vai aparecer nas redes sociais da internet!
Durante a degustação do prato típico a avó foi falando sobre a vida difícil que as pessoas tinham antigamente naquelas serranias. Chegou a dizer que tinha conhecido o avô do Osvaldo chamado Bernardino e que pertencia à Casa da Quinadeira.
– Para ajudar a fazer a digestão podiam ir a pé ao Cruzeiro da Independência, só precisam de levar água fresquinha da fonte da Ripes.
– Boa ideia avó, arranja-nos duas garrafas!
16/06/2022

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