Rui Ladeira disposto a apoiar projeto integrado de queijaria para potenciar combate aos incêndios na região

Com manifesta preocupação sobre a falta de medidas para combater os incêndios rurais na região, o presidente da Câmara Municipal de Vouzela, Rui Ladeira, quer apoiar a criação de condições para que os produtores da zona da Serra do Caramulo voltem a apostar na produção de leite.

É de notar que há cinco anos os trágicos incêndios de outubro de 2017 consumiram 73% da área do concelho de Vouzela.

“Como é que se consegue, na Serra do Caramulo, viabilizar a limpeza, a gestão do território e a compartimentação? É com o gado, com o pastoreio, com a agropecuária, com a vitela de Lafões e com a introdução de outras espécies que façam a limpeza do território”, defendeu o autarca, em declarações à agência Lusa.

Um projeto-piloto de uma queijaria artesanal que levasse os produtores a apostarem na produção de leite, o que se traduziria em mais gado a pastar, é a sugestão da Câmara de Vouzela para prevenir os incêndios florestais.

Neste âmbito, o município está disposto a disponibilizar a antiga escola de Covas, em Fornelo do Monte, para o projeto de criação de uma queijaria artesanal, que seria “um ativo de toda a Serra do Caramulo e de toda a região”.

Rui Ladeira explicou que o município vai recomprar a antiga escola para a disponibilizar para este projeto e que uma das maiores indústrias transformadoras de leite do país, que tem empresários de Vouzela, iria ajudar com o conhecimento.

“É preciso é que a tutela assuma o projeto-piloto”, disse o autarca, frisando a importância de “os produtores, que hoje já são umas dezenas, que têm algumas ovelhas e cabras e também a vitela de Lafões, possam produzir não só a carne, mas também o leite”, como acontecia há umas décadas.

Segundo Rui Ladeira, há uma associação “que lidera o processo de alguns, poucos, produtores de leite de cabra e de ovelha, que levam o leite a uma extrema da região”, ao Sátão.

“O leite é pago ao produtor a 60 cêntimos o litro. Tenho a convicção plena de que se esta queijaria estiver no epicentro da Serra do Caramulo, aqui em Vouzela, conseguirá pagar-se o litro do leite a um euro ou 1,10 euros”, o que seria “muito mais incentivador para o produtor e para toda esta dinâmica empresarial”, afirmou.

No seu entender, deveriam também ser criados mecanismos para que “os produtos de excelência criados pelos produtores” cheguem, de forma valorizada, às médias e grandes superfícies.

Isso permitiria “que as pessoas se mantenham na serra e possam viver da criação do gado”, entre outras atividades económicas, acrescentou.

“Um plano, de forma integrada, deveria ter sido posto em prática. Tinha permitido estarmos hoje muito mais competentes e capazes de ter o território mais atrativo. Não foi feito, é importante que rapidamente haja uma prioridade no país para este setor”, defendeu.

27/10/2022


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