Rui Chã Madeira*
Etnografia musical do concelho de São Pedro do Sul - “Os amigos de Manhouce” – Sexta Parte
Etnografia musical do concelho de São Pedro do Sul
“Os amigos de Manhouce” – Sexta Parte
Desde as primeiras décadas do século XX que vários estudiosos e entusiastas colectores, entre outros, Armando Leça, Michel Giacometti, Alberto Sardinha e Artur Santos, calcorrearam Manhouce com o propósito de realizarem as suas coleções etnográficas sobre as práticas musicais e culturais produzidas na aldeia. Continuando a dissertação sobre os intitulados amigos de Manhouce importa salientar a etnomusicóloga Maria do Rosário Pestana que como docente na Universidade de Aveiro e investigadora em vários projetos associados ao estudo da música popular, efetuou pesquisas sobre as cantigas de Manhouce, sobre o autóctone canto polifónico feminino e sobre a cantadeira Isabel Gomes Silvestre. Em estreita colaboração com a Associação de Canto a Vozes – Fala de Mulheres e com a Câmara Municipal de São Pedro do Sul, participou ativamente na construção do itinerário do canto de mulheres de matriz rural, a 3 ou mais vozes, que culminou com a sua inscrição, realizada no pretérito dia 11 de setembro no Cineteatro Jaime Gralheiro em São Pedro do Sul, na lista nacional do património cultural imaterial. A sua investigação in loco especificamente em relação às cantigas de Manhouce e à cantadeira Isabel Gomes Silvestre remonta ao ano de 1992. Desde então escreveu dissertações, vários artigos científicos e outros textos sobre os grupos de cantares, com maior incidência sobre o Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce e sobre a fala (dito manhoucense referente à voz das mulheres quando cantam e a outras expressões vocais associadas à música). A sua incursão no meio possibilitou a aproximação da academia e de estudiosos para o aprofundamento do conhecimento sobre as práticas culturais de matriz rural de Manhouce, as quais, por esse motivo, obtiveram maior percetibilidade científica e por inerência mais visibilidade no que concerne aos seus termos culturais. Por motivo das suas viagens, estadias, participação em diversas atividades e sobretudo por intermédio do estabelecimento de profícuas relações interpessoais, Maria do Rosário Pestana, através da edificação de laços de respeito e de amizade, em contraste com a sua posição inicial enquanto investigadora a realizar respetivo trabalho de campo, foi sendo embebida pelos elementos da comunidade local. Essa recíproca acomodação dissolveu a relação formal numa relação informal, espontânea e dedicada, instituindo, desse modo, Maria do Rosário Pestana como uma inevitável amiga de Manhouce.
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