Rui Chã Madeira

Etnografia musical do concelho de São Pedro do Sul - “Os amigos de Manhouce” – Terceira parte

Etnografia musical do concelho de São Pedro do Sul

“Os amigos de Manhouce” – Terceira Parte

Carlos Matias ”da Ponte”, justificando o seu epíteto como amigo de Manhouce, protagonizou uma relevante e fulcral ingerência como disseminador das cantigas manhoucenses e como facilitador da aproximação do Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce e posteriormente da cantadeira Isabel Gomes Silvestre às indústrias da música especificamente à editora Valentim de Carvalho, mais tarde, em julho de 1983, denominada EMI-Valentim de Carvalho. Importa referir que o termo “indústrias da música” encontra-se no plural porque não se trata de somente uma única indústria que trabalha a matéria prima musical, de facto, para além da edição discográfica, existe uma variedade de atividades e setores em torno da produção e difusão da música que passa por outros meios, como por exemplo, a comunicação social e os promotores de espetáculos. Carlos Matias, que foi presidente da Assembleia-geral do GECTM, para além de ainda continuar a ser um esmerado divulgador das cantigas de Manhouce, foi um indulgente intermediário do êxito do grupo, principalmente nas décadas de 80 e 90 do pretérito século. Não só foi um elemento presente nas atuações do grupo, quer em Portugal quer no estrangeiro, principalmente no retumbante êxito do grupo nas duas campanhas realizadas no Brasil, como também, por intermédio das relações que estabeleceu com instituições e indivíduos do universo político, social e cultural nacional, beneficiou e promoveu o grupo. A título de exemplo, Carlos Matias desempenhou, na minha opinião, três ações que foram cruciais para a carreira do GECTM, assim como, futuramente da carreira a solo da cantadeira Isabel Gomes Silvestre. A primeira dessas ações teve a ver com a referida editora discográfica e o conhecimento mais aprofundado do grupo pelo produtor e A&R (artistas e repertório) Mário Martins. Muito embora, nessa altura, já seria inegável o reconhecimento das qualidades musicais do GECTM, foi por intermédio de Carlos Matias que, no início da década de 80 do século XX, Mário Martins tivesse viajado até Manhouce para escutar e auscultar as cantigas manhoucenses e em ato contínuo tivesse convocado o grupo para gravar nos estúdios em Paço de Arcos, culminando com a gravação, em 1982, do primeiro LP Cantares da Beira. A segunda ação de Carlos Matias teve a ver com o desempenho das suas funções, descritas na edição anterior, como deputado parlamentar do PRD (Partido Renovador Democrático) sobre a qual, assim como sobre a terceira ação, debruçar-me-ei com mais pormenor na próxima edição da Gazeta da Beira.

* facebook.com/sonsdanossaterrasps/ | vimeo.com/sonsdanossaterra |


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *