Restaurante da região não vendem Vitela de Lafões certificada
I Rota da Vitela de Lafões em Vouzela quis reverter este cenário
Durante 17 dias a Vitela de Lafões foi a rainha das mesas em Vouzela. Oito restaurantes aceitaram o desafio e levaram à mesa este produto. No resto do ano, contudo, o cenário é muito diferente, segundo Chã Madeiras, o único comerciante da vitela de Lafões, nenhum restaurante compra este produto certificado. 90% da produção é escoada no El Corte Inglés de Gaia e Porto. Um produto Gourmet que pode chegar até aos 30€ o quilo.
Para a I Rota da Vitela de Lafões em Vouzela foram adquiridos 5 animais. Em termos médios, falamos de cerca de 500 quilos de carne.
Esta iniciativa levou 8 restaurantes do concelho de Vouzela a servir vitela certificada. O Grão-mestre da Confraria Gastronómica de Lafões, João Oliveira, valoriza a iniciativa que acredita “poder criar novos hábitos nos restaurantes”. “Todas as iniciativas que sirvam para a promoção deste que é o produto ex-líbris da região de Lafões são bem-vindas. A iniciativa correu muito bem, e serviu para colmatar uma dificuldade que nós sentimos que é comer um prato de vitela de Lafões certificada”, defende.
Restaurantes não usam a vitela certificada
Para João Oliveira o facto de a vitela certificada não estar incluída em nenhum menu da região “é uma lacuna grave”. Como lamenta, “se nos ligam e pedem à Confraria para nos indicar um bom local para comer vitela certificada nós não temos”!
Segundo Rui Machado, da Cooperativas Três Serras, entidade gestora deste IGP, há muito “gato a passar por lebre”. “As pessoas têm que começar a ter a consciência de que estão a cometer uma ilegalidade se tiver no menu a menção Vitela de Lafões e se, na realidade, o produto não for certificado, no máximo poderão colocar “vitela à moda de Lafões”, alerta.
Balanço dos restaurantes
A Gazeta da Beira contactou dois dos restaurantes da Rota que fazem o balanço da iniciativa. Para Margarida Baptista “o balanço é extremamente positivo” e garante que, a partir de agora, vai ter vitela certificada nos seus menus. “Vamos ter a Vitela de Lafões no nosso restaurante, a qualidade desta carne, deste produto que é exclusivo da nossa região, é incrível e portanto vai ser uma aposta nossa de agora em diante”.
A gerente diz “que todas as iniciativas que promovam os produtos endógenos e que atraiam pessoas a Vouzela são bem-vindas e sempre muito positivas.” A nível de adesão, contudo, acredita que os números podiam ter sido melhores: “penso que a altura em que se realizou esta rota não foi a mais indicada, as pessoas, depois das férias e do dinheiro despendido no regresso às aulas vivem um momento de alguma contração económica”.
Já Agostinho Lages da Casa dos Pereiras, nestes 16 dias, serviu 13 refeições de vitela. Um número, como confessa, abaixo das suas expectativas. Para o futuro, não deve continuar a usar vitela certificada. Para o gerente havia de haver mais informação sobre este produto certificado.
Também Margarida Baptista defende que há pouca informação sobre o que é a Vitela de Lafões. Como explica, “Muitas pessoas confundem a vitela certificada com toda a vitela produzida na região, outras confundem a Vitela de Lafões com um prato que é a vitela assada. A Vitela de Lafões é um produto de excelente qualidade que pode ser confecionado de diversos modos”, explica.
Para além de mais informação, como defende João Oliveira, seria benéfico que a Vitela de Lafões pudesse ser vendida nos talhos, “para facilitar o acesso aos restaurante e mesmo ao consumidor final”.
A Gazeta da Beira entrou em contacto com o Município de Vouzela que disse que iria fazer uma reunião com os restaurantes aderentes à rota, durante esta semana. Só depois podem fazer um balanço. Se se justificar a Gazeta da Beira volta ao assunto na próxima edição.
Lafões produz uma média de 200 animais ano
Segundo dados da Cooperativa Três Serras, atualmente, estão registados cerca de 72 produtores de Vitela certificada, o que perfaz uma média de 200 animais produzidos por ano.
Desde 1994, a Vitela de Lafões é um produto IGP, ou seja, só pode ser produzida na Região de Lafões. Segundo o caderno de especificidade a vitela certificada tem que ter raça Arouquesa, raça Mirandesa, ou então, o cruzamento destas e tem que ser proveniente de uma área geográfica protegida que engloba Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul, as freguesias de Cedrim e Couto de Esteves no concelho de Sever do Vouga, as freguesias de Bodiosa e Ribafeita do concelho de Viseu e as freguesias de Alva e Gafanhão do concelho de Castro Daire.
Para ser certificada, a vitela tem, ainda, que ser abatida até aos 7 meses e, para além do leite materno, só pode comer ração de milho. Também o transporte tem exigências especiais. Por norma, estes animais são, no matadouro, os primeiros a ser abatidos, uma vez que o cheiro do sangue pode provocar stress, o que pode alterar a qualidade do produto final.Redação Gazeta da Beira
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