Relativamente às eleições presidenciais

João Carlos Gralheiro

Relativamente às eleições presidenciais do passado domingo há um dado a realçar: a elevada percentagem de abstencionistas, cerca de metade dos cidadãos eleitores.

É certo que aquelas eleições se revestiram de características muito próprias, tendo o candidato entertainer apoiado pela comunicação social, com o patrocínio empenhado desta, desenvolvido uma estratégia de fugir à mobilização dos eleitores.

Depois, o PS, por omissão, ao não se comprometer com qualquer uma das candidaturas, e por ação, ao permitir que do seu seio tivesse surgido uma candidatura de fação, também deu o seu contributo para o afastamento dos eleitores das urnas.

A Revolução de Abril de 74 fez-se para que os portugueses pudessem tomar nas suas mãos os destinos do país. O voto, dizia-se, era a arma do povo.

Se a abstenção nos trouxesse algo de bom, Portugal seria um país de sucesso, tão altos têm sido as percentagens de abstencionistas nos atos eleitorais.

Uma coisa é certa, se não formos nós a decidir da nossa vida, participando na vida do país, votando, outros o farão por nós, e fá-lo-ão de acordo com os seus interesses e não com os nossos. Depois não nos queixemos. É que não basta vir para a rua cantar “Acordai” e não votar ou pior, votar e dizer que não foi no projeto que se sufragou e que saiu vencedor.

Temos de perceber e fazer perceber que, se queremos viver em democracia, a água que irriga essa planta tão frágil e a mantem viva e viçosa, é também a da nossa participação cívica.

Entendo por isso que, da mesma maneira que na Escola se ensinam as novas gerações para coisas tão simples como a higiene oral ou a separação dos lixos, também ali se deveria ensinar a importância de uma cidadania plena, de modo a que as gerações vindouras não continuassem a afastar-se da vida coletiva, votando nas eleições.Redação Gazeta da Beira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.