Reflexões Partilhadas – Com Isabel Bastos Nunes

A propósito de sentimentos…

Reflexões Partilhadas

A propósito de sentimentos…

Com Isabel Bastos Nunes

Dou continuidade a esta rubrica, confessando ao amigo leitor que, não só gosto de escrever, como também aprecio ler o que se vai escrevendo com alguma crítica e criatividade. Deste modo, vou percorrendo as redes sociais e a comunicação social, em geral, para tentar, também eu, aumentar as perspetivas e visões de vida, que nos permitem melhorar enquanto seres humanos. Viver focados no nosso umbigo não nos deixa perceber que existem opiniões à nossa volta tão válidas e importantes quanto as nossas. Espero que estas reflexões possam ser do vosso agrado e contribuam para o vosso engrandecimento. Aguardo feedback dos leitores.

Apresento a Escritora Isabel Bastos Nunes, residente em Setúbal, que durante este mês de setembro, no Facebook, escrevia assim:

“Quando a vida já não lhes cabe na mão…

 

Arde-lhes na carne

A chama ávida e imperiosa do corpo já exangue

Gasto pelos vícios.

 

Lentamente sangrando penitências

Arrastam-se pelas ruas

Cumprindo como acólitos

De uma verdade sem limites

Penitências para lá do infinito.

 

Lento roteiro da podridão

Incautos

Sagraram uma vida inteira à perdição e ao vício.

 

Levam nos olhos a mágoa do já impossível

Sofrega a sua boca

Procura o sabor da heroína

Tormentos e duro pranto.

 

Batem-se sem tabus nem esperança

Descem à margem do eterno desespero

São sombras silenciosas esculpidas

Em barro profano

À espera…sempre à espera

De mão estendida

Do erro e pena de qualquer humano.

 

Soturna obscuridade…

 

Saeem-lhes da carne os ossos pontiagudos

Trémulas as mãos seguram os seus farrapos

Debaixo de uma árvore a noite cai Indiferente aquele corpo enregelado.

 

Rosto ausente

Olhar velado

A noite cai sobre mais um corpo silenciado.”

 

“Veste-te de poesia

 

Deixa a mão pousada no meu corpo

Não fujas ao desejo

De me abraçar enquanto durmo.

 

Colhe o doce fruto e a fragância dos meus sonhos

Deixa que a lua guarde os meus segredos

E a maresia enleve os teus sorrisos

Sem que os sons que percorrem a noite Te perturbem.

 

Que o silêncio que te rodeia

Te abrigue na sombra luminosa do amor

Porque a noite gasta-se

Nos sussurros e no silêncio que te rodeia.

 

Veste-te então de poesia

E abraça-me como se poema eu fosse.

Desvenda desse modo

Que o gesto mais do que a palavra

É o doce som do dedilhar

No eterno desejo da minha carne.

 

Lê-me nas entrelinhas e descobre

A sede do meu corpo insaciado.

 

Funde o teu com meu

Tornando os dois num só

E cobre de rosas vermelhas

As minhas coxas agora saciadas.

 

Veste-te de poesia

E nesse instante eterno

Guarda nas tuas mãos

Estes restos de vida

Na cintilação desta penumbra que nos envolve

E guarda todos esses segredos

Numa poesia só nossa.”

 

 

“Falta-me

 

Falta-me

A louca atitude

De rasgar

Os poemas que te escrevi

Substante de um marejar interior

Em que cantava

O meu desejo no teu corpo.

 

Falta-me

Deixar de pronunciar o teu nome

E esquecer

O fascínio das palavras

Nas promessas de deslumbro

Que entre o sonho e a realidade

Me fazias crer

Como se fora um poema Inseparável da vida.

 

Falta-me

Cortar os filamentos

Afastar a origem do pensamento

Esquecer-me

14/09/2023


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *