Reflexões Partilhadas – A propósito de amor…
Com Jorge Ferreira

• Paula Jorge
Dou continuidade a esta rubrica, confessando ao amigo leitor que, não só gosto de escrever, como também aprecio ler o que se vai escrevendo com alguma crítica e criatividade. Deste modo, vou percorrendo as redes sociais e a comunicação social, em geral, para tentar, também eu, aumentar as perspetivas e visões de vida, que nos permitem melhorar enquanto seres humanos. Viver focados no nosso umbigo não nos deixa perceber que existem opiniões à nossa volta tão válidas e importantes quanto as nossas. Espero que estas reflexões possam ser do vosso agrado e contribuam para o vosso engrandecimento. Aguardo feedback dos leitores.

Apresento o Escritor Jorge Ferreira, de Lisboa, residente em Mêda, que durante o mês de julho, no Facebook, escrevia assim:
Procuro-te
Procuro-te, caminhando
pela cidade, ou ruas vazias.
Não sei o teu nome, nem sei nada de ti.
Vejo o teu rosto em cada esquina.
A ânsia, percorre a distância
que há de mim à vertigem do teu corpo.
Não sei se navegando, mares encrespados,
ou por terra sem trilhos, te encontrarei.
Talvez num poema, talvez numa foto, quem sabe num campo de papoilas.
Do pouco, que eu sei
é que fazes parte da minha fantasia.
Talvez um dia te repouse na tua pétala.
Sei que esse teu olhar, me persegue
entre as nuvens desfolhadas e o céu azul.
Um dia que seja asa, voarei mais alto, mais distante e saberei que um dia
te alcancarei.
Agora que já sei o teu nome
Já não viajo só
Nem tão pouco, serei mais um,
que de tanto procurar,
morreu sem saber
verdadeiramente o que é amar.
Hoje
Hoje, queria correr os rios
Sentir o húmido da tua pele
Olhar-te, nos olhos e decifrar
o que sinto sem palavras
só na mudez dos prantos sentimentos
Hoje, queria subir a montanha
E gritar, bem lá do alto o teu nome
Até que a lua, chorrasse fios dourados
E na penumbra da noite sentisse o teu olhar
Hoje, só porque sim
Queria ser flor, plantada no teu jardim
Sentir esse teu bálsamo, penetrante
Ser pólen em terra fértil
Hoje, queria voar
Ser ave no azul pleno
Acariciar-te nas asas do desejo
E por fim, ser a centelha que me guia.
Hoje, queria subir a escada mais alta,
agarrar aquela estrela cintilante
E oferecer-te, na mão dos amantes
Sentindo o trinado da cotovia
(Que o Hoje seja o amanhã,
Pintado com as cores da Primavera.)
Além do firmamento
Sentir aquele teu perfume,
que exala de ti, flores da Primavera.
Abri a janela da alvorada e refresquei-me,
na vertigem do teu olhar e na tua sede,
aquela sede que nos consome em prantos
e em desejos famintos, do teu corpo semeado
e lavrado em terra fértil.
Tenho em ti, o chilreo dos pássaros,
que vivem num ninho de saudades.
Essa saudade permanente que se instala,
no altaneiro das árvores esculpidas a cinzel.
E gravada para além do firmamento.
É neste meu sentimento, que voo sem asas
na imaginação deste meu crer fervoroso.
Desnudo-te, em mantas de seda escarlate,
e brindamos ao Baco, criando fantasias.
Somos, um perfume derramado,
até que a noite nos aconchegue.
Nas janelas humidificadas,
correm rios de navios ancorados
e com eles, lembranças do teu corpo deitado.
És a luz e o farol que me guia.
Lua cheia em noite cintilante.
Contigo, viajo na esperança de um dia encontrar a nossa enseada.
E como diria, Fernando Pessoa
“O Amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
porque já não posso andar só.”
27/07/2023

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