Reabertura da fábrica de resinas em Figueiredo de Alva

Apresentação do projecto no Salão do Balneário Rainha Dª Amélia

O novo projecto de reabertura da fábrica de resinas em Figueiredo de Alva, concelho de S. Pedro do Sul, foi apresentado por Nuno Gomes no Salão do Balneário Rainha Dª Amélia nas Termas, com a presença de proprietários de terrenos e de pessoas ligadas à exploração de resinas. É um projecto ambicioso e que vem valorizar uma actividade parada há já alguns anos em face da matéria-prima ter baixado muito e quer os proprietários, quer os resineiros abandonaram as explorações de resinas.

O empresário quer reabrir a antiga fábrica da resina em Figueiredo de Alva, sua terra natal a qual fechou portas na década de 90 quando o preço caiu. Hoje as condições do mercado melhoraram e o negócio voltou a ser rentável e o investimento poderá dar um novo impulso à resinagem.

Nuno Gomes

O projecto empresarial está avaliado em cinco milhões de euros e é candidato ao quadro comunitário de apoio.

Depois de iniciadas as obras de requalificação das instalações que estão em muito mau estado de conservação, em ruínas, a fábrica poderá começar a trabalhar em 2018, mas há todo um trabalho a fazer antecipadamente nos pinhais que irão ser resinados e que neste momento estão completamente abandonados.

Uma nova empresa que vai beneficiar os proprietários e resineiros dos dois concelhos com uma mancha florestal de pinhal muito grande e que abrange os concelhos de Castro Daire e S. Pedro do Sul. Segundo o empresário, o distrito tem todo o potencial e a matéria-prima necessária para o desenvolvimento da actividade por haver uma mancha de pinhal muito grande nesta área.

A resina é tratada em Figueiredo de Alva, S. Pedro do Sul e mais de 90% da produção terá como destino o mercado externo, pois a nossa resina é boa demais para o nosso mercado, tendo interesse para a indústria alimentar e cosmética. É também usada para fazer diluentes tintas e colas e até para dar a fragância de pinho nos ambientadores de automóveis.

Para além dos postos de trabalho que vai criar com a abertura da fábrica, vai permitir retomar uma actividade que já não existe há muitos anos, pois neste momento há um abandono completo da floresta, os proprietários não ligam aos pinhais que têm e com a resinagem, a floresta passa a estar mais cuidada, evitando até os incêndios e ajudando a manter a biodiversidade, afirmou Nuno Gomes.

 

 

Resina – a matéria prima

A resina é um líquido viscoso e translúcido, de cor amarela acastanhada, que algumas árvores resinosas produzem quando sofrem algum dano ou ferida no tronco. Ao sair naturalmente do interior para o exterior do tronco, tapa e cicatriza a ferida, protegendo a árvore. Também mata fungos e insetos e permite que a planta elimine acetatos desnecessários. Em contacto com o ar, a resina seca, fica dura e quebradiça, formando cristais. E formada por algumas substâncias como o álcool, óleo e ácidos.

O Ciclo Produtivo da Resina

A resinagem é uma atividade praticada manualmente pelo resineiro. Inclui várias operações e o objetivo é extrair e colher a resina das árvores. O processo consiste em fazer alguns cortes no tronco (feridas), que fazem com que a árvore produza e liberte resina, que é recolhida num recipiente preso à árvore. Cada ano é feito um novo corte mais acima no tronco da árvore.

Faz-se todos os anos durante um determinado período – período de resinagem – que dura 9 meses (de l de março a 30 de novembro), com um pico no verão, altura em a produção é maior devido ao aumento das temperaturas.

Pode ser praticada de uma forma mais intensiva (à morte) ou de uma forma mais ligeira (à vida). A modalidade utilizada depende da finalidade que se dará à madeira das árvores resinadas.

 

Resinagem à morte

Modalidade de resinagem que corresponde ao aproveitamento da resina nos últimos anos anteriores ao corte das árvores. Só é permitida realizar-se durante 4 anos e nas árvores que tenham perímetro à altura do peito (PAP), medido a L30cm, superior 63 cm.

 

Resinagem à vida

Modalidade de resinagem que só é permitida a partir de PAP superior a 80 cm, de forma a garantir que a árvore tenha robustez para suportar um longo período de resinagem.

Da resina extrai-se a aguarrás e o pez usados como matéria-prima no fabrico dos mais variados produtos. Em média, um pinheiro pode produzir 2 kg de resina por ferida.

Um pinheiro de dimensão média pode dar entre 3 a 4 kg de resina por ano.

Fonte: http://www.agrotec.pt/noticias/resinagem-em-portugal-um-foco-de-esperanca/

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